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Volta à Champions é o primeiro passo para o Liverpool, que não pode errar (de novo) no segundo

As noites de Champions League estão de volta a Anfield Road, um dos seus palcos mais tradicionais. Depois de um começo nervoso, contra o já rebaixado Middlesbrough, a equipe treinada por Jürgen Klopp abriu o placar, no final do primeiro tempo, e deslanchou na etapa final. Classificou-se em quarto lugar na Premier League para retornar à competição que venceu cinco vezes e que é peça chave para que o clube recupere seus dias gloriosos. A volta, porém, é apenas o primeiro passo. O segundo tem que ser dado com cuidado.

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Não participar da Champions League atrapalha as contas, embora o Liverpool esteja em boa saúde financeira, apesar de tê-la disputado apenas uma vez nos últimos sete anos. De qualquer jeito, a grana extra, nada insignificante, ajuda bastante na contratação de reforços. Mais do que isso, estar na competição de elite do futebol europeu ajuda a atraí-los: é o título mais cobiçado, tem os jogos mais aguardados, mais vistos pelas televisões de todo o mundo, com os melhores jogadores e os melhores clubes. Jogadores de primeiro nível fazem questão de disputá-la.

Por isso, mais do que vagas esporádicas, o Liverpool precisa de classificações frequentes para a Champions League para que os craques sintam confiança em escolhê-lo, quando esse fator for determinante nas suas decisões, e seu treinador Klopp sabe muito bem disso: “Faz diferença, financeiramente, claro, mas é o lado esportivo que é mais interessante. É o melhor torneio da Europa. Podem achar que não na América do Sul, mas, na minha opinião, talvez não haja nada melhor no mundo. Você quer estar lá. O Liverpool precisa estar lá constantemente. Nos últimos 10 anos, o Liverpool não fez parte dela frequentemente. Precisamos fazer de tudo para mudar isso. Este passo é para nos colocar entre os melhores times do mundo porque somos um dos melhores clubes do mundo”.

A questão é cíclica: estando na Champions League, aumentam as chances de contratar jogadores melhores para reforçar o time e, com jogadores melhores, aumentam as chances de estar sempre na Champions League. Por isso, essa classificação representa uma oportunidade para o elenco do Liverpool subir de patamar, com uma estratégia agressiva no mercado de transferências, trazendo atletas consolidados ou a um passo de darem o salto para o primeiro nível. Em outras palavras, exatamente o que o clube não fez na última vez em que chegou ao torneio europeu.

Foi em 2014: sob o comando de Brendan Rodgers, o Liverpool quase foi campeão inglês, mas acabou ficando com a segunda colocação, atrás do Manchester City. Se por um lado vendeu Luis Suárez para o Barcelona, enfraquecendo a equipe, por outro a transferência permitiu que o clube tivesse ainda mais dinheiro para contratar. Mas seu mercado, que na época pareceu até interessante, acabou sendo decepcionante. Considerando a diferença entre vendas e compras, foram investidos apenas € 62 milhões em oito jogadores.

E nenhum deles foi aquele reforço que resolve o seu problema. Adam Lallana – o mais caro, a € 31 milhões -, Dejan Lovren e Emre Can terminaram a última temporada como titulares e tiveram ótimos momentos, mas também tiveram outros péssimos e estão longe de serem unanimidades. Divick Origi é um reserva bastante utilizado e tem potencial. Alberto Moreno está tão desprestigiado que o meia Milner tornou-se o dono da lateral esquerda. Lazar Markovic foi emprestado duas vezes. Rickie Lambert e Mario Balotelli já foram embora.

Apesar da classificação à Champions League, não houve uma mudança no perfil das contratações, que continuaram sendo basicamente apostas: jovens e atletas estabelecidos em clubes médios, que podem ou não se tornar jogadores de primeiro nível com mais ou menos a mesma probabilidade. Nenhum deles foi um negócio certo – ou o mais próximo possível disso -, como seria Alexis Sánchez, que estava saindo do Barcelona. O Liverpool tentou trazê-lo, mas o chileno preferiu o Arsenal, e Rodgers acabou com Balotelli em mãos para substituir Suárez. Não deu certo. O ideal obviamente seria que o Liverpool não vendesse Coutinho. Precisa fazer tudo que puder para mantê-lo em Anfield. Caso isso não seja possível, e mais uma vez o melhor jogador do time seja negociado antes de disputar a Champions, a reposição, desta vez, precisa ser certeira

Durante a era Brendan Rodgers, as contratações eram decididas por um comitê, do qual o treinador participava, mas não tinha a palavra final, como o próprio Rodgers acabou admitindo, depois de negar essa informação durante toda sua passagem por Anfield. Ao substituí-lo, Klopp afirmou que tem a “primeira e a última palavra” quando o assunto é transferência. No último mercado, o alemão achou boas peças, como Wijnaldum e Matip, que terminaram a temporada entre os onze iniciais, e Mané, que foi um dos melhores jogadores do time, mas, no fim, houve até lucro na diferença entre compras e vendas. Enquanto isso, a equipe sofreu com a falta de opções, principalmente em janeiro, com o acúmulo de jogos de copas e da liga inglesa, momento em que foram encerradas todas as chances de título dos Reds.

Klopp afirmou que os negócios para a próxima temporada estão encaminhados, lembrando que o Liverpool ainda precisa passar pela fase preliminar para chegar aos grupos da Champions League. Fará apenas “algumas ligações” quando voltar da Austrália, aonde o time disputará um amistoso contra o Sydney. Esses nomes precisam ser reforços certeiros – de preferência para três posições: zaga, lateral esquerda e ataque -, que já se provaram na Champions ou em alto nível, para que o pentacampeão europeu não perca mais uma oportunidade de se recolocar no patamar que a sua história e tradição exigem.

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Bruno Bonsanti

Como todo aluno da Cásper Líbero que se preze, passou por Rádio Gazeta, Gazeta Esportiva e Portal Terra antes de aterrissar no site que sempre gostou de ler (acredite, ele está falando da Trivela). Acredita que o futebol tem uma capacidade única de causar alegria e tristeza nas mesmas proporções, o que sempre sentiu na pele com os times para os quais torce.

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