Premier League

Vitória sobre o City é um pequeno furo na panela de pressão em que Mourinho se enfiou

A vitória do Manchester United sobre o Manchester City por 1 a 0, nas oitavas de final da Copa da Liga Inglesa, foi um pequeno furo na panela de pressão na qual José Mourinho foi colocado neste começo de temporada. Mais para estagnar a cobrança sobre o treinador português do que para de fato aliviá-la. Depois de tantas críticas recentes e atuações ruins, ser eliminado pelo rival da cidade seria catastrófico. A melhor notícia foi a postura da equipe vermelha que, mesmo sem ter feito os olhos de nenhum torcedor brilharem, mostrou muita força de vontade no segundo tempo.

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Nenhum dos dois clubes de Manchester, para dizer a verdade, está em boa fase. Foi o sexto jogo seguido do City sem vitória, mas Guardiola tem um pouco mais de crédito neste momento por ter vencido as dez primeiras partidas da temporada com um bom futebol. E por não estar desgastado por um trabalho ruim recente na Inglaterra, como a última Premier League de Mourinho no Chelsea. O United vinha de ser goleado pelo Chelsea e de apenas se defender 90 minutos contra o Liverpool. O português não dá espaço a jogadores de renome, como Schweinsteiger e Mkhitaryan, e ainda não conseguiu encaixar as milionárias peças que tem em mãos.

O clássico desta quarta-feira era, portanto, mais importante para o United que para o City, e isso ficou claro nas escalações. Guardiola mandou um time praticamente reserva a campo. Apenas Sané e Kompany foram titulares no último final de semana, pela Premier League, e começaram jogando em Old Trafford. Mourinho, por sua vez, repetiu sete jogadores que atuaram desde o início contra o Chelsea. E foi premiado por isso.

Não foi um grande jogo. Principalmente no primeiro tempo, quando ninguém mostrava muita vontade de estar ali. Tanto que, ao fim da partida, houve apenas dois chutes certos a gol, ambos do United. O City não acertou uma finalização. De Gea poderia ter passado 90 minutos lendo uma revista e cobrando tiro de meta. O United tentava tomar a iniciativa das ações, mas sem criatividade, como tem sido comum. No segundo tempo, compensou esse gargalo com uma mudança de postura: mais luta.

Foram três chances seguidas em menos de dez minutos até conseguir abrir o placar. Ibrahimovic lançou Pogba pela esquerda. O francês pegou de primeira para linda defesa de Caballero. A bola ainda bateu na trave antes de sair. Mata, pela esquerda, mais cruzou que chutou, mas o goleiro argentino teve que intervir outra vez. Ibra, em uma bela seca de gols, foi importante como garçom: ganhou no corpo, caiu pela esquerda e deu um sutil toque para Herrera. O espanhol também precisou dividir – dois exemplos de vontade da equipe – e a bola sobrou para Mata pegar de primeira.

Foi o gol que decidiu tudo. Guardiola ainda tirou duas cartas da manga, com Sterling e Agüero em campo no segundo tempo, mas perdeu o duelo contra Mourinho mesmo assim. Tem três derrotas e três empates nas últimas seis partidas e precisa reagir. O português também. A vitória sobre o rival lhe dá algum espaço para respirar, mas o desempenho não foi dos melhores e a Copa da Liga Inglesa é uma competição secundária. Precisa ganhar também no próximo sábado, contra o Burnley. Nem que seja na garra outra vez.

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Bruno Bonsanti

Como todo aluno da Cásper Líbero que se preze, passou por Rádio Gazeta, Gazeta Esportiva e Portal Terra antes de aterrissar no site que sempre gostou de ler (acredite, ele está falando da Trivela). Acredita que o futebol tem uma capacidade única de causar alegria e tristeza nas mesmas proporções, o que sempre sentiu na pele com os times para os quais torce.

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