Premier League

Uma noite em que nada parecia dar certo ao Everton terminou com a virada heroica sobre o Arsenal, encerrando o jejum de oito rodadas

Richarlison precisou marcar três vezes para conseguir um gol e Demarai Gray decretou a vitória com uma pintura nos acréscimos

O clima no Everton andava insuportável. A equipe vinha de oito rodadas consecutivas sem vitória na Premier League, com seis derrotas no intervalo. Para piorar, os Toffees acabaram amassados no clássico contra o Liverpool e Rafa Benítez parecia por um fio no comando técnico. A resposta em Goodison Park viria nesta segunda-feira, numa vitória tão heroica quanto sofrida sobre o Arsenal. Tudo parecia conspirar contra os azuis: o time teve dois gols anulados por centímetros, tomou o tento dos Gunners nos acréscimos do primeiro tempo e não conseguia ser recompensado por sua luta em campo. Foi necessária resiliência, para a virada agônica. Richarlison, autor dos dois gols anulados, fez seu 50° tento pelo Everton a dez minutos do fim. Já numa reta final insana, um golaço de Demarai Gray decretou o triunfo por 2 a 1. Um resultado que não melhora tanto o cenário, mas que alivia um pouco a pressão e parece unir o grupo pelo espírito demonstrado.

O Everton estava ciente de que precisava de uma resposta à sua torcida e começou o jogo em cima do Arsenal, com muita energia. Os Toffees demoraram a criar chances, mas a postura combativa gerava aplausos. O primeiro chute surgiu aos 13, mas Demarai Gray mandou para fora. E a falta de penetração gerava certa impaciência. Raros eram os avanços realmente perigosos e, nesse cenário, o protesto prometido pela torcida aos 27 minutos até parecia fazer mais sentido. Parte dos espectadores deixaram as arquibancadas, em manifestação referente aos 27 anos de jejum dos Toffees sem o título inglês.

Aos 30 minutos, o Everton ficou apreensivo com um possível vermelho para Ben Godfrey, por pisar no rosto de Takehiro Tomiyasu, mas a arbitragem não deu o vermelho. E os Toffees ainda perderam Yerry Mina, lesionado. O time da casa seguiu mais ligado numa partida travada, até balançar as redes aos 44. Numa falta cobrada por Andros Townsend, Richarlison arrematou de cabeça no meio da área. Contudo, um impedimento mínimo do atacante anulou o tento. Como se não bastasse, o Arsenal abriu o placar logo depois. Kieran Tierney cruzou com muita categoria e Martin Odegaard apareceu livre, para concluir de primeira no canto da meta. Foi a única finalização certa dos Gunners em toda a primeira etapa, de dois arremates no total.

Ao Everton, não restava outra coisa a não ser esquecer a má sorte e aumentar a pressão no segundo tempo. Um cruzamento venenoso de Anthony Gordon deu trabalho a Aaron Ramsdale, mas logo o Arsenal cresceria e Gabriel Magalhães exigiu uma defesa segura de Pickford aos oito. De qualquer forma, o enredo do jogo girava ao redor dos infortúnios dos Toffees. Mais um gol seria anulado aos 12, de novo de Richarlison. O atacante marcou num passe infiltrado na área, mas estava impedido por conta da ponta de sua chuteira. E quase a cena do primeiro tempo se repetiu, com Gabriel Martinelli ameaçando o segundo diante de Pickford do outro lado.

Numa partida de muitos erros, o Arsenal não apresentava muita qualidade para administrar sua vantagem. Errava muitos passes e permitia que o Everton ainda acreditasse. Até que o gol de empate finalmente surgisse aos 34, para diminuir um pouco a frustração de Richarlison. A jogada nasceu de uma bola recuperada no meio, até que Demarai Gray acertasse um chute no travessão. O rebote ficou vivo na área, onde Richarlison apareceu livre para emendar a cabeçada por cima de Ramsdale e recolocar seu time no jogo. A partir de então, o duelo no Goodison Park se entregaria à loucura.

O Arsenal pareceu finalmente acordar nos minutos finais. Os Gunners iam para o ataque, mas davam espaço aos contragolpes e à trocação. Ainda assim, os londrinos poderiam ter feito o segundo aos 39, numa linda jogada de Bukayo Saka. Eddie Nketiah apareceu livre para cabecear e acertou o pé da trave. Pouco depois, Saka testaria Pickford. A principal arma dos Toffees estava em sua velocidade, e Abdoulaye Doucoure também faria Ramsdale trabalhar. Isso até que os seis minutos de acréscimo determinassem o resultado. De um lado, Seamus Coleman realizou um bloqueio salvador diante de Odegaard dentro da área. A chave para que o triunfo saísse pouco depois, aos 47.

André Gomes arrancou pelo meio e abriu a marcação, até passar a Demarai Gray. O ponta deu duas fintas e mandou um balaço, sem escalas até o ângulo. A bola beijou a trave antes de entrar, enquanto Ramsdale não teve nem como saltar. O drama chegava ao talo, sem que o Arsenal desistisse, mas com o Everton ainda perigoso nos contragolpes. Ramsdale faria uma defesa salvadora no mano a mano com Alex Iwobi já aos 51. Entretanto, as esperanças ainda vivas não foram suficientes para o empate. Pierre-Emerick Aubameyang até teve a chance no último lance, ao receber com espaço na área, mas bateu de chapa para fora. Os Toffees ganhavam o direito de comemorar o resultado heroico.

O Arsenal ocupa a sétima colocação da Premier League, com 23 pontos. Tottenham e Manchester United aproveitaram a rodada para ultrapassar os Gunners. Já o Everton escapa de riscos maiores na metade inferior da tabela, ainda que não seja uma situação tão confortável. Os Toffees ocupam o 12° lugar, com 18 pontos, ainda mais próximos do Z-3 do que do G-4.

Classificação fornecida por SofaScore LiveScore

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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