Premier League

Uma façanha: Barry supera Giggs e se torna o recordista em jogos pela Premier League

Pode ser que se lembrem do jogo desta segunda pelos dois gols de Lacazette. Ou pela caneta humilhante que o francês aplicou em Jay Rodríguez. Ou ainda pela impressionante maneira como Nacho Monreal refutou, em cima da linha, o empate do West Brom. Foi uma vitória protocolar do Arsenal no Estádio Emirates. Os Gunners bateram os Baggies por 2 a 0 sem apresentar um futebol brilhante e até tomando certo sufoco, mas fazendo por merecer o resultado. No entanto, o valor desta partida será lembrado por algum tempo, até que o próprio tempo seja responsável por diminuir o seu valor. Nesta noite, Gareth Barry se transformou no jogador com mais aparições pela Premier League. Soa até inconcebível, mas ele superou Ryan Giggs, 633 a 632.

O recorde serve de selo ao trabalho silencioso de Barry. À regularidade do meio-campista que dedicou mais da metade de seus 36 anos à Premier League. O volante nunca foi um poço de habilidade. Não costuma ser o primeiro nome lembrado entre os melhores de sua posição, nas diferentes gerações que permeou. Mas se manteve como uma certeza de empenho, de segurança, de precisão. Tanto que integrou a seleção inglesa por 12 anos, assim como foi premiado em alguns dos clubes mais tradicionais da elite inglesa. Transferido ao West Brom nesta temporada, o veterano mira o poente de sua carreira. Ainda assim, segue tratado com respeito e recebendo a devida importância.

O emblema mais grudado ao peito de Gareth Barry é o do Aston Villa. Chegou ao Villa Park como uma promessa, trazido do Brighton, e ganhou sua primeira chance na Premier League em 1998, aos 17 anos. Permaneceu nos Villans por 12 temporadas, sempre como titular. Impulsionou-se à seleção, virou capitão, entrou da lista dos 10 futebolistas que mais atuaram pelo clube. Foi um ídolo genuíno em tempos não tão gloriosos. Deixou sua casa apenas ambicionando feitos maiores, quando atraído pelos planos megalomaníacos do Manchester City. Uma transferência que rendeu críticas pesadas ao volante, mas que não o fez virar as costas aos antigos torcedores, publicando uma carta em agradecimento por tudo o que viveu em Birmingham.

No Estádio Etihad, Barry teve o seu momento de maior projeção. Precisou de apenas três temporadas para cumprir o seu objetivo, ao faturar a Premier League. A taça coroada estava em suas mãos. Também teve a chance de disputar a Liga dos Campeões, mesmo sem grande sucesso. Foi convocado à Copa do Mundo, titular dos Three Lions em um meio-campo que também contou com Frank Lampard e Steven Gerrard em 2010 – mas frustrado cedo, como de praxe, contra a Alemanha. Em quatro anos vestindo celeste, pôde se colocar entre os líderes do elenco. Mas era um coadjuvante. E o peso da idade o tornou descartável. Arrumou as malas quando Fernandinho chegou.

As perspectivas de brilho poderiam não ser tão boas no Everton, mas a camisa era pesada. E o novo contratado a honrou por mais quatro anos. Era o ponto de equilíbrio dos Toffees, longe de ser decisivo, mas fundamental para o funcionamento da engrenagem. O reconhecimento viria ao ganhar o prêmio de jogador do ano no Goodison Park em 2016. Seguiu absoluto no time até mais uma mudança de ares. A atual, rumando a Hawthorns e desembarcando no West Brom. Que não seja para uma passagem tão duradoura quanto as anteriores, ao menos completou o seu recorde. Superou Giggs como o jogador que mais vezes participou da Premier League.

O que explica a longevidade de Gareth Barry? Como ele pôde ultrapassar uma lenda que atuou sempre em alto nível até os 40 anos? Os números explicam. Barry sempre foi titular por onde passou. Sempre. Raríssimas vezes sofreu com as lesões. E, mesmo que os treinadores rotacionassem suas equipes, mantinham o esteio à frente de sua zaga, dono de uma capacidade física ímpar. Nas últimas 19 temporadas, desde que se firmou no time principal do Aston Villa, apenas uma vez o volante disputou menos de 30 jogos em uma campanha. Giggs, por sua vez, esteve abaixo das 30 partidas em 12 de suas 22 temporadas na Premier League – sem considerar as duas primeiras de sua carreira, na antiga Football League, que não entram na conta.

Barry somou 365 jogos pelo Aston Villa na Premier League, 132 pelo Manchester City e 131 pelo Everton. Com os cinco primeiros desta temporada pelo West Brom, acumulou os históricos 633. Levando em conta o seu tipo físico, poderia almejar até mesmo os 700, por mais que se contrato com os Baggies só vá até ao final da temporada. Seria uma marca imponente, que traduz a sua história no futebol: longe de ser um craque, mas extremamente confiável e regular.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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