Premier League

Um grito de campeão esperado e incontestável: O Chelsea volta a reinar na Premier League

Era só questão de tempo. Para falar a verdade, parecia apenas questão de tempo há alguns meses, tirando um momento ou outro de vacilação que deu à concorrência um fio de esperança. O Chelsea conquista a Premier League de maneira incontestável. Recupera a taça após dois anos, soltando o grito de campeão pela sexta vez em sua história. E, em uma temporada que se sugeria equilibrada, os Blues dispararam por encontrarem o encaixe ideal muito antes de seus principais adversários. Nesta sexta, aguardava-se apenas a festa. E assim aconteceu na visita ao Estádio Hawthorns, batendo o West Bromwich por 1 a 0. Michy Batshuayi se transformou no herói inesperado, assinalando a vitória aos 37 do segundo tempo.

O Chelsea jogava em casa, mesmo viajando algumas dezenas de quilômetros para encarar o West Brom. Uma multidão azul invadiu as arquibancadas, enquanto os próprios anfitriões fizeram questão de deixá-los à vontade, tocando o hino dos londrinos nos alto-falantes. Já quando a bola rolou, por mais que os Blues dominassem as chances, faltava um pouco mais de calma nas conclusões. Depois de tudo, os jogadores pareciam ansiosos para que o título se confirmasse. Precisariam suportar 82 minutos para extravasar. Pouco depois de sair do banco, Batshuayi mostrou ter estrela para completar o cruzamento de César Azpilicueta. Ainda era necessária a confirmação o apito final e os Baggies chegaram a assustar. Mas a cabeça estava longe, deslumbrada pelo brilho do troféu.

Até parece outra temporada, mas o Chelsea viveu o seus momentos de duras críticas no início da campanha. Entre a quarta e a sexta rodada, o time acumulou duas derrotas e um empate. Perdeu para o Liverpool e foi amassado pelo Arsenal. Fundo do poço? Não, o ponto de virada. Antonio Conte soube superar a pressão e, justamente aí, descobriu a melhor formação de sua equipe. Com três zagueiros, os Blues decolaram. Foram da oitava posição à liderança em oito rodadas. Emendaram 13 vitórias consecutivas, igualando o recorde do Arsenal de 2002 em uma só temporada. Não tiveram dó de seus oponentes, atropelando pelo caminho Manchester United, Tottenham e Manchester City. A partir de então, a faixa já estava no peito.

O segundo turno do Chelsea perdeu ritmo. A equipe tropeçou um pouco mais, mas nada que ameaçasse tanto assim a sua soberania. Afinal, a concorrência toda conseguia vacilar muito mais, seguindo o seu caminho errante. Apenas o Tottenham se esboçou um rival digno durante os últimos meses. De qualquer maneira, manteve-se à distância. Mesmo sem empolgar tanto, os Blues mantiveram a situação sob controle. Chegaram a esta sexta-feira dependendo apenas de si para celebrar com uma rodada de antecipação. Cumpriram a promessa aos seus torcedores. Merecidamente, coroaram-se campeões.

Antonio Conte, obviamente, desponta como o grande artífice da conquista. Em sua primeira temporada na Inglaterra, muitos duvidavam de sua adaptação e até o desconsideravam, pensando em outros técnicos mais badalados que aportavam. Entretanto, o treinador teve o time em suas mãos. Acertou o esquema tático e conseguiu arrancar o melhor de seus jogadores, vários desacreditados. Mais do que isso, ganhou também a torcida, por sua postura apaixonada à beira do campo. Nesta sexta, mais uma vez, ele escancarou esse seu lado, pulando e vibrando demais com o tento de Batshuayi. Terminou jogado aos ares por seus atletas.

Já em campo, em um coletivo tão forte, fica difícil de destacar poucos nomes. Thibaut Courtois é um dos melhores goleiros do mundo. David Luiz renasceu e encontrou os parceiros perfeitos em Gary Cahill e César Azpilicueta. Marcos Alonso e, quem diria, Victor Moses ocuparam as alas com enorme competência. N’Golo Kanté fez outra temporada gigantesca, essencial para o funcionamento do time. Nemanja Matic voltou a exibir seu valor. Eden Hazard ofereceu o toque de magia, esquecendo o marasmo e atuando em alta voltagem. Pedro mostrou-se implacável e, para variar, providencial. E Diego Costa deixou os problemas de lado (embora tenha encontrado outros) para desandar a fazer gols, sobretudo no primeiro turno. Saindo do banco, Cesc Fàbregas e Willian ainda ajudaram bastante nas variações. E há o capitão John Terry, para se despedir com o gesto tão repetido. Daquelas escalações para saber de cor e salteado.

O final de semana será pequeno em Stamford Bridge. O Chelsea já vibrou demais longe de seus domínios. E não poderia ser diferente: os méritos da conquista são inegáveis. Depois, quando a poeira abaixar, será interessante acompanhar o potencial deste time. A ausência das competições europeias auxiliou a equipe a se manter coesa e focada na Premier League. Mas, pelas peças que têm, com mais alguns reforços pontuais, os Blues podem mais. É ver como Antonio Conte continuará alimentando a sua paixão na nova casa.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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