Um gol agonizante valeu três pontos essenciais ao Liverpool em Turf Moor

Um dos maiores questionamentos sobre o Liverpool está no miolo de sua zaga. O desempenho dos zagueiros, de fato, é bastante sofrível – e não fosse assim, os Reds não teriam perseguido a contratação do holandês Virgil van Dijk durante os últimos meses, até o anúncio vir à tona em dezembro. O beque trazido do Southampton ainda não estreou. Mas foi graças à zaga, se aventurando no ataque, que o time de Jürgen Klopp conquistou três pontos bastante comemorados nesta segunda. Dentro do difícil Turf Moor, os visitantes bateram o Burnley por 2 a 1, com um gol já nos acréscimos, mesmo depois de cederem o empate um pouco antes.
Dentro da rotação de Klopp, o Liverpool entrou em campo bastante desfalcado em relação àquilo que pode apresentar. Philippe Coutinho e Mohamed Salah foram poupados, enquanto Roberto Firmino começou no banco. Cabia a Sadio Mané ser a principal referência ofensiva. E o que se viu durante o primeiro tempo não foi bom. Era um jogo relativamente parelho e, por mais que controlassem a posse de bola, os Reds não conseguiam ser tão contundentes no ataque. Pior, tomaram alguns sustos nos 20 minutos anteriores ao intervalo. Simon Mignolet fez uma boa intervenção, enquanto o Burnley chegou outras duas vezes com perigo.
A pausa serviu para que o Liverpool colocasse a cabeça no lugar e voltasse com uma postura mais contundente. Então, Sadio Mané chamou a responsabilidade, como se esperava. Aos 15 minutos do segundo tempo, o senegalês anotou um golaço, em tiro potente dentro da área. A segurança que os visitantes necessitavam. O Burnley, de qualquer maneira, não seria passivo no restante da noite. Embora Roberto Firmino tenha vindo a campo, a entrada de Sam Vokes do outro lado acabou sendo mais preponderante, com a presença física do centroavante renovando as energias de seu ataque.
O goleiro Nick Pope realizou duas grandes defesas, em tentativas de Alex Oxlade-Chamberlain e Trent Alexander-Arnold, evitando o segundo do Liverpool. Só que as ameaças se tornaram cada vez mais constantes do outro lado, especialmente no jogo aéreo. E assim saiu o empate do Burnley, aos 42. Após cruzamento da esquerda, Vokes desviou e Johann Berg Gudmundsson completou na pequena área. O Liverpool, então, partiu para o desespero. Pois o chuveirinho também acabou por selar sua sorte, aos 48. Após cobrança de falta de Oxlade-Chamberlain, Dejan Lovren saltou e ia mandando para dentro, até que o companheiro Ragnar Klavan completasse quase em cima da linha. Pouco importava o autor do tento, e sim os três pontos na conta.
O gol revigora a posição do Liverpool no Top Four. O time chega aos 44 pontos, encostando em Manchester United e Chelsea, além de abrir folga sobre Arsenal e Tottenham. Embora todos os concorrentes tenham jogos a menos, os Reds podem assistir de camarote aos embates duros do United contra o Everton e ao dérbi londrino entre Arsenal x Chelsea – enquanto o Tottenham, mesmo encarando adversários mais frágeis, terá uma maratona de 48 horas contra Swansea e West Ham. Com quatro vitórias nas últimas cinco rodadas e invicto desde outubro, o Liverpool vai no gás para receber o Manchester City em Anfield, daqui a duas semanas.
O Burnley, por outro lado, sucumbiu à maratona do fim de ano. Se em certos momentos o time de Sean Dyche ameaçou brigar pelas competições europeias, agora já perde força no sonho. Mas nem por isso deixa de fazer uma campanha louvável, folgado na sétima colocação, com quatro pontos de vantagem sobre o Leicester. Para seguir tão bem, de qualquer forma, uma dose de sorte sempre é bem-vinda. Justamente o que não se viu nesta segunda, diante da maneira como o desfecho do embate se deu em Turf Moor.



