Premier League

Um dos 10 melhores do mundo para Pochettino, Eriksen é o craque discreto do Tottenham

Christian Eriksen esteve nas manchetes nesta semana. Vestindo a camisa 10 da Dinamarca, classificou o seu país em uma atuação monumental em Dublin, contra a Irlanda, na repescagem europeia por uma vaga na Copa do Mundo de 2018. De volta à vida no clube, ele ganha o foco do clássico com o Arsenal, no sábado, pela Premier League. É um dos pilares do time, que tenta, novamente, se lançar no sonho do título inglês e fazer boa campanha na Europa.

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Aos 25 anos, Eriksen é do mesmo ano de Neymar, 1992. Guardadas as devidas proporções, ele é para a Dinamarca o que Neymar é para o Brasil. É quem representa a grande reserva técnica do time. É protagonista também de um dos principais times ingleses atualmente. Não por acaso, Mauricio Pochettino, técnico dos Spurs, diz que o dinamarquês é um dos 10 melhores jogadores do mundo atualmente.

Desde que chegou ao Tottenham, ele passou por diferentes momentos. Se tornou parte da reconstrução que o clube passou para voltar a ser competitivo na liga mais disputada entre as principais da Europa. Para chegar a essa resultado, muita coisa mudou. E vai muito além do campo e do técnico.

“Muitas coisas mudaram”, afirmou em entrevista à Sky Sports inglesa. “Tudo, de verdade, tanto dentro quanto fora de campo. Tudo foi colocado como todos nós queríamos nos Spurs. Todo mundo queria se tornar um time de topo e é isso que nós tentamos fazer. Eu acho que estamos chegando mais perto do que nunca antes”, disse o dinamarquês.

Confiança em Pochettino

Contratado há quatro anos, em 2013, depois da venda de Gareth Bale, Eriksen chegou junto a tantos outros jogadores, entre eles Paulinho, e é o único que permanece até hoje. Um dos principais jogadores do Tottenham comandado por Mauricio Pochettino, o meia elogiou o trabalho do técnico. “Ele nos deu estabilidade, não apenas para mim, mas para todo o clube”, analisou o jogador.

“Isso é o principal para um jogador. Você se sente confortável, se sente ciente de tudo ao seu redor e não pensa em nada além de futebol quando você está em campo. Todos os jogadores têm contratos de longa duração. Eles se sentem seguros aqui. É por isso que você assina um compromisso com o seu futuro a um lugar como esse”, declarou Eriksen.

“Ele dá aos seus jogadores muita confiança e ele confia neles para deixá-los jogar”, conta o camisa 23 dos Spurs. “Eu joguei muitos jogos sob o comando do técnico. Ele sabe no que eu sou bom e no que não sou bom, mas ele confia completamente em mim. Você sente essa confiança e faz você querer fazer tudo por ele”, continuou.

“Nós somos rapazes jovens que querem se desenvolver e ser ainda melhores no futuro e jogar o maior número de jogos possíveis”, disse ainda Eriksen. “É claro que há uma competição por lugares no time, mas é diferente de outros clubes onde você tem jogadores muito experientes entrando. É um grupo bom e jovem e todos nós queremos a mesma coisa”.

Discreto e esforçado

Discreto, o jogador é o comandante do setor de meio-campo dos Spurs. É um jogador ofensivo, afeito das assistências. Desde 2013, é o segundo jogador que mais cria chances, 361, atrás apenas de Mesut Özil, que criou 376. Fica à frente, por exemplo, de Eden Hazard (337) e David Silva (315). Apesar de ser um dos principais jogadores do Tottenham, ele raramente chama a atenção com declarações ou algo espalhafatoso.

“Eu não me importo em quer fica no holofote”, disse Eriksen. “Se você vence um jogo, então realmente não importa. É claro que é bom ser reconhecido, mas eu não estou procurando por isso. Eu faço apenas as minhas coisas. Se isso vem, vem. Mas não é pelo que jogo. Eu só quero estar o mais envolvido possível no campo”, disse o jogador.

“Eu sou um jogador que quer criar algo e ajudar o time a sair de problemas com a bola em certas situações. Eu sou capaz de fazer isso e eu confio que posso fazer isso. Eu acho que meus companheiros sabem que se eles jogarem a bola para mim, eles receberão de volta da maneira certa, com o tempo certo e no lugar certo. Se trata de sentir a conexão”, explicou Eriksen.

A importância do Ajax e ajuda de Bergkamp

Contratado pelo Ajax ainda com 16 anos, o jogador se tornou uma peça-chave no time de Amsterdã e fez mais de 150 jogos pelo clube antes de fazer 21 anos. “Eu definitivamente acho que isso me moldou como jogador”, contou. “Eu sentia que era bom na Dinamarca, mas eu não era tão bom quando cheguei ao Ajax”, revelou.

“No meu primeiro ano no Ajax, nós tivemos alguns treinos com Dennis Bergkamp e Wim Jonk”, continuou. “Nós fizemos um exercício de passe com um atacante do time. Nós trabalhamos em certos movimentos, aprendendo como medir a corrida e passar a bola exatamente no lugar certo no momento certo”.

“Mesmo na época, você via sempre o carisma de Dennis e a confiança com a bola. Ele sempre sabia como dominar a bola e onde a bola tinha que ir depois. Eu aprendi muito ao assisti-lo e trabalhar com ele. Isso me ajudou quando eu cheguei ao time principal”, disse Eriksen, que vestia a camisa 8 do Ajax.

Entendimento com Kane

Um dos principais beneficiados pelo futebol de Eriksen é Harry Kane. O atacante se tornou um artilheiro reconhecido mundialmente e os dois parecem se entender muito bem em campo. “Ele é o atacante perfeito, eu acho”, afirmou Eriksen.

“Ele marca gols, ele ajuda o time, ele pode segurar a bola, ele pode usar sua cabeça. Ele pode fazer um pouco de tudo. Nós temos uma conexão muito boa. Harry sabe para onde correr e eu sei como encontra-lo, então é uma boa mistura”, descreveu o dinamarquês.

Desejo de melhorar

O Tottenham foi vice-campeão da Premier League na temporada passada e voltou à Champions League. Caiu em um grupo difícil, mas está com a classificação encaminhada para voltar a brigar nos jogos eliminatórios. O objetivo, segundo Eriksen, é melhorar a cada temporada.

“Nosso alvo toda temporada é melhorar em tudo que fizemos na temporada anterior”, conta. “Nós queremos fazer tudo que fizemos no ano passado, mas um pouco melhor. Depois disso, veremos onde acabamos”.

As esperanças do Tottenham certamente passam por Eriksen. Com ele, Kane e Dele Ali, os Spurs possuem uma base sólida para tentar ir longe e buscar os objetivos mais altos.

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Felipe Lobo

Formado em Comunicação e Multimeios na PUC-SP e Jornalismo pela USP, encontrou no jornalismo a melhor forma de unir duas paixões: futebol e escrever. Acha que é um grande técnico no Football Manager e se apaixonou por futebol italiano (Forza Inter!) desde as transmissões da Band. Saiu da posição de leitor para trabalhar na Trivela em 2009.

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