Premier League

Time ofensivo, bom desempenho e goleada: Solskjaer tem estreia dos sonhos no Manchester United

Vitória, time ofensivo, goleada. Tudo isso passava longe do Manchester United nos últimos tempos, mas foi só José Mourinho ser demitido que o time pareceu encontrar um caminho diferente – e melhor. Na estreia do treinador interino Ole Gunnar Solskjaer, vitória por 5 a 1 fora de casa contra o Cardiff. É verdade, o adversário era dos mais fáceis, em teoria, já que o time galês é um forte candidato ao rebaixamento. De qualquer forma, o United de Mourinho não mostrava nada minimamente próximo do que se viu em campo, o que também é um indício que os jogadores não fizeram muito para ajudar Mourinho enquanto ele esteve lá.

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A escalação que Solskjaer escolheu foi bastante padrão. Colocou o time em um 4-3-3, com De Gea no gol, Ashley Young na lateral direita, Victor Lindelof e Phil Jones na zaga, Luke Shaw na lateral esquerda. O time teve a volta de Paul Pogba de volta ao time titular. Ao lado dele, Ander Herrera, e atrás de ambos Nemanja Matic. O ataque teve Jesse Lingard, Marcus Rashford e Anthony Martial. Não havia mais Mourinho para ser culpado. Estava tudo nas costas dos jogadores. E eles corresponderam.

Logo a três minutos, o United abriu o placar com Marcus Rashford, em uma cobrança de falta inteligente, que surpreendeu o goleiro Neil Etheridge. A postura era muito diferente dos jogos anteriores. O time jogava com posse de bola, trocando muitos passes e morando no campo de ataque do Cardiff.

O segundo gol marcado pelos Red Devils teve a participação de um jogador que andava na reserva e em uma relação conturbada com o técnico: Paul Pogba. Ele ganhou a bola em uma disputa física na esquerda e tocou para o meio, onde estava Ander Herrera. O meio-campista chutou de longe, a bola desviou e entrou: 2 a 0. Até a sorte voltava ao Manchester United.

Estava tudo muito bom, mas aí em uma bola na área, Rashford tentou dominar a bola no peito e dominou no braço. Pênalti para o Cardiff que Victor Camarasa marcou: 2 a 1, aos 38 minutos. Mas antes do intervalo, o United abriria mais um gol de vantagem no placar.

O terceiro gol foi o mais bonito do jogo. Uma troca de passes sensacional no ataque dos Red Devils. Anthony Martial, Pogba, Lingard, uma troca de passes de primeira e inteligente que deixou Martial na cara do gol e o francês finalizou com qualidade para marcar 3 a 1. Um gol que não víamos na era Mourinho. Um time que ficou com a bola, trabalhou a jogada, com objetividade e precisão.

O quarto gol saiu aos 13 minutos do segundo tempo, transformando o que já era uma vitória em goleada. De pênalti, Lingard colocou a bola na rede e ampliou o marcador para 4 a 1. Uma vitória tranquila e controlada com a qualidade que o Manchester United tem. E ainda viria uma cereja no bolo: já nos acréscimos, Pogba aproveitou o espaço no contra-ataque e colocou em profundidade para Lingard, que ganhou do zagueiro, driblou o goleiro e mandou para a rede: 5 a 1.

O time tinha a bola de tal forma que terminou o jogo com 74,6% do total de posse de bola, segundo a Opta Sports. Foram 17 chutes a gol, sendo nove deles no alvo. Pogba foi o jogador que se espera de alguém do seu nível, de um protagonista de final de Copa do Mundo como ele foi em 2018. Foi quem mais fez passes no jogo, 100, dominando o seu setor. Terminou o jogo com duas assistências e uma ótima participação. Protagonista, como não era com Mourinho.

Vale destacar também que Solskjaer colocou em campo três jogadores com significado importante. Primeiro, Fred, o meio-campista brasileiro contratado por Mourinho que o próprio técnico tirou do time e disse que ele só voltaria quando a equipe estivesse mais segura defensivamente. O brasileiro quase não jogava mais, exceto pelo jogo em Valencia pela Champions League, em que entraram em campo os reservas.

Solskjaer comemora com a torcida a sua vitória na estreia como técnico do Manchester United (Foto: Stu Forster/Getty Images)

Outras duas alterações: Andreas Pereira, outro brasileiro que perdeu espaço com Mourinho. Junto com ele, entrou o jogador que era o oposto disso: Marouane Fellaini, um queridinho de Mourinho, sua arma em quase todos os jogos. Solskjaer tinha tido que dará chances a todos os jogadores. Simbolicamente, as três entradas mostram uma forma de tentar abraçar o grupo. Chances a dois jogadores que estavam sem jogar há muito tempo e também colocar em campo um jogador que era apreciado pelo técnico anterior. Sem mostrar qualquer tipo de punição por isso, afinal, o próprio Fellaini não tem culpa de ser usado por Mourinho mais do que alguns torcedores gostariam.

Foi a primeira vez desde que Alex Ferguson se aposentou, o United faz cinco gols em um jogo da Premier League. A última vez tinha sido no dia 19 de maio de 2013, em um maluco empate por 5 a 5 com o West Bromwich. Foi o último jogo de Alex Ferguson como técnico, na sua despedida. Quebrar uma marca que permanecia da época de Ferguson pode ser simbolicamente um bom início.

O time certamente tem pouco, se é que tem algo, de Solskjaer. O que ficou claro é que o grupo parecia muito disposto a dar uma resposta sem Mourinho e o desgaste claro que parecia haver. Será interessante ver como o Manchester United irá continuar a temporada. O momento é de pura empolgação para a torcida Red Devil, ilustrada pela comemoração de Solskjaer com os torcedores ao fim do jogo.

 

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Felipe Lobo

Formado em Comunicação e Multimeios na PUC-SP e Jornalismo pela USP, encontrou no jornalismo a melhor forma de unir duas paixões: futebol e escrever. Acha que é um grande técnico no Football Manager e se apaixonou por futebol italiano (Forza Inter!) desde as transmissões da Band. Saiu da posição de leitor para trabalhar na Trivela em 2009.

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