Premier League

Tente outra vez: Salah se redime e dá a vitória ao Liverpool contra o Manchester City

Depois de desperdiçar duas chances claras, egípcio marcou e contou com assistência de Alisson

Acabou a invencibilidade do Manchester City na Premier League: neste domingo (16), um gol de Mohamed Salah definiu a vitória do Liverpool, que reagiu na tabela e ainda atrapalhou os atuais campeões. O placar em Anfield foi de 1 a 0 para os Reds, mas quem comemorou foi o Arsenal, que se manteve isolado na liderança.

Poucos jogos com apenas um gol seriam tão movimentados quanto o confronto que Liverpool e City proporcionaram nesta tarde. Apesar do tento decisivo ter saído apenas nos minutos finais, não dá para dizer que o encontro dos dois últimos vencedores da liga foi entediante. Houve equilíbrio, apesar da posse excessiva dos Citizens, e o mais importante: muitas chances de gol.

O Liverpool, que ainda não embalou completamente na temporada, precisava mais dos pontos. O que não quer dizer que o concorrente ao título, Manchester City, não se importava com o desfecho. Na primeira metade da etapa inicial, os Reds foram melhores, mas a reação visitante veio com muita força e fez valer a ligação entre Kevin De Bruyne e Erling Haaland. Foi dos dois a conexão que quase abriu o placar, em um lançamento por cima para uma cabeçada de Haaland. Alisson, que fez jogo estupendo, estava esperto para defender.

Na volta do intervalo, o City entrou mais ligado e, no abafa habitual, teve em Haaland o artífice de uma finalização perigosa pelo chão. Alisson pegou novamente. O volume de jogo mostrado pelos comandados de Pep Guardiola foi aumentando até o primeiro gol, marcado por Phil Foden, rapidamente anulado no minuto 54′. O árbitro Anthony Taylor viu falta na origem do lance e cancelou a festa dos visitantes.

A festa durou pouco, de fato, para o City. A torcida local, na ânsia de voltar a comemorar grandes feitos, teve neste domingo um alento. E esse alento atende pelo nome de Mohamed Salah. O egípcio não vinha de grande fase, há cinco jogos sem marcar. Não bastasse o jejum, o camisa 11 ainda desperdiçou duas chances muito claras de gol. Na primeira, arrancou sozinho para enfrentar Ederson e viu o arqueiro tocar com o dedão para escanteio. Depois, no canto direito da área, bateu aberto demais e desperdiçou.

Em um jogo dessa magnitude, chances assim não podem ser desprezadas. O roteiro se encaminhava para uma noite infernal de Salah, caso o City achasse um gol. Com Haaland em campo, era muito provável que isso acontecesse. Restando pouco mais de 15 minutos para o fim, De Bruyne tentou levantar na área e seu cruzamento repousou nas mãos de Alisson. E aí veio a cartada.

Você já viu esse filme antes, mas certas repetições valem demais a pena: o goleiro não perdeu tempo e lançou com os pés para o ataque, por ver Salah em ótima condição. O egípcio tinha João Cancelo na marcação, mas deu um giro fantástico para sair dele e arrancou mais uma vez, livre, para desafiar Ederson. Salah havia perdido mais chances do que gostaria, e agora não dava mais para perdoar. Batendo à meia altura na saída de Ederson, Salah finalmente acertou o alvo e resolveu o duelo. Um gol de superação e alguma frieza do atacante dos Reds, que quase reviveu o lance desperdiçado minutos antes.

O jogo ficou bastante disputado e sobrava pouco espaço em campo. Isso enervou os dois times e sobretudo Jürgen Klopp, que perdeu a paciência com uma falta não marcada em Salah, pressionou o bandeirinha e acabou expulso. Bernardo Silva, que havia puxado a camisa do adversário na tal falta ignorada, também ralhou e quase saiu no tapa com Salah e Virgil van Dijk. Foram momentos em que a tensão quase transbordou e acabou em violência. Aí falou mais alto a ponderação: cada um foi para um lado sem maiores problemas.

Percebendo que o City estava um tanto acima do tom, o Liverpool se aproveitou para fechar a defesa e gastar tempo. Fato é que, nesse intervalo, Darwin Núñez teve boas oportunidades para mudar sua imagem com a torcida. O uruguaio voltou a pecar na decisão final e arruinou pelo menos três ataques muito promissores. Pelo visto, a adaptação vai ser mais demorada do que o previsto. Darwin destoou demais do padrão ofensivo de Klopp e não parece ter a sagacidade necessária para tocar o legado do trio histórico formado por Sadio Mané, Roberto Firmino e Salah. Está muito abaixo, tecnicamente.

Por ora, Klopp não pensará muito em Darwin como problema. A vitória resolve duas questões emergenciais: a queda de autoestima do elenco e a posição incômoda na tabela. Agora, o Liverpool está em oitavo, a três pontos do Manchester United, que ocupa a última vaga para a Europa.

O City foi o grande perdedor do domingo, se desgarrando em quatro pontos do líder Arsenal e agora contando com a perseguição do Tottenham, que soma os mesmos 23 pontos. O Brighton é o próximo desafio para Guardiola, e embora pareça tentador apontar os Citizens como amplos favoritos, já deu para ver que os Seagulls não venderão barato esse resultado.

Foto de Felipe Portes

Felipe Portes

Felipe Portes é zagueiro ocasional, cruyffista irremediável e desenhista em Instagram.com/draw.portes

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