Premier League

Telles é melhoria significativa em relação a Shaw, mas não resolve principais carências do United

O Manchester United anunciou oficialmente nesta segunda-feira (5), data de fechamento da janela de transferências europeia, a sua segunda contratação para a temporada 2020/21: Alex Telles. Os ingleses pagaram £ 15,4 milhões ao Porto pelo brasileiro, segundo a Sky Sports. Telles assinou por quatro anos com os Red Devils, com opção de extensão por mais um ano.

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Quem acompanhou mesmo que levemente de perto o United nos últimos anos já sabe que, ao menos no papel, Alex Telles é uma melhoria significativa à lateral esquerda da equipe, ocupada atualmente por Luke Shaw. Já há alguns anos, o inglês tem dificuldades em se manter em forma e longe de lesões por períodos mais extensos. A chegada do brasileiro dá maior segurança para o setor fisicamente falando, mas há também motivos técnicos para que o jogador seja visto como um upgrade notável na posição.

Shaw é um lateral melhor ofensivamente do que defensivamente. Ainda assim, em 159 partidas na Premier League, por exemplo, soma apenas sete assistências. Seus cruzamentos são pouco precisos, e sua contribuição ofensiva é pequena demais para quem tem nesse apoio seu ponto “forte”.

Defensivamente, o lateral esquerdo foi responsável por incontáveis gols sofridos pelo Manchester United nos últimos anos, seja pela dificuldade que tem em voltar à defesa após suas subidas ao ataque ou pelo posicionamento bastante errático na fase defensiva. Em um episódio que marcou negativamente o jogador no Old Trafford, em 2017, José Mourinho, então técnico do United, elogiou ambiguamente uma boa partida de Shaw, afirmando: “Ele estava na minha frente, e eu estava tomando cada decisão por ele. Ele precisa mudar seu cérebro futebolístico. (…) Ele precisa acelerar o processo. Vinte e um anos já é velho o bastante para ter uma compreensão melhor”.

Desde então, Shaw não mostrou grande evolução e tampouco se tornou o jogador que dele se esperava quando foi contratado em 2014, vindo do Southampton, onde fizera grande temporada em 2013/14.

Assim como Shaw, Telles é um lateral mais ofensivo do que defensivo. Sua contribuição ofensiva, no entanto, é significativamente maior que a do inglês. Só na temporada passada, o brasileiro acumulou 13 gols e 12 assistências em todas as competições pelo Porto. No início da atual campanha, em três jogos, já anotou dois gols e duas assistências. É importante ressaltar, no entanto, que Telles tem sido nos últimos anos o batedor de faltas e pênaltis da equipe portuguesa, além de ter contado com um sistema que favorecia suas subidas ao ataque.

No United, Telles não terá o mesmo protagonismo, mas ainda pode, sim, encontrar uma situação favorável para desbloquear todo seu potencial. Com Wan-Bissaka ocupando a lateral direita e sendo notavelmente melhor na defesa do que no ataque, um cenário ofensivo possível para Ole Gunnar Solskjaer será liberar o brasileiro pelo flanco esquerdo, enquanto Wan-Bissaka fecha do outro lado com a dupla de zaga para oferecer cobertura a Telles.

Embora a contratação de um lateral esquerdo tenha se tornado claramente uma necessidade ao United nos últimos meses, ela não era uma das prioridades à equipe. Tomando a temporada passada como ponto de observação, outras áreas demandavam mais esforços.

Solskjaer não conta com zagueiros que passam confiança à frente de De Gea, e o meio de campo beneficiaria muito de uma opção defensiva mais eficaz e ágil que Matic – que, apesar de seus bons momentos, costuma deixar a desejar na destruição de jogadas adversárias e sofre de lapsos de concentração na saída com a bola, perdendo a posse no terço inicial de campo com alguma frequência.

Além disso, desde antes a abertura da janela de transferências, estava claro que o principal alvo do United no mercado era Jadon Sancho – um talento geracional, inglês, com encaixe no sistema e na filosofia de Solskjaer e grande apelo com os torcedores. A arrastada novela, que parece se encerrar sem acordo pelo atleta, acaba tornando a janela do United um fracasso, ainda que cheguem nomes de última hora que possam fortalecer o elenco – Cavani está prestes a ser oficializado, por exemplo.

Dito tudo isso, o 6 a 1 para o Tottenham evidenciou que o problema do United vai além de peças específicas. Há uma apatia e uma sensação de falta de direção no clube. Depois de terminar bem a temporada passada, conquistando a vaga na Champions League, o objetivo era diminuir a distância para City e Liverpool domesticamente com o reforço significativo do elenco. Em vez disso, com Solskjaer sem o apoio esperado por parte da diretoria, o número de equipes superiores aos Red Devils, em termos de resultados e desempenho, só cresceu.

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Leo Escudeiro

Apaixonado pela estética em torno do futebol tanto quanto pelo esporte em si. Formado em jornalismo pela Cásper Líbero, com pós-graduação em futebol pela Universidade Trivela (alerta de piada, não temos curso). Respeita o passado do esporte, mas quer é saber do futuro (“interesse eterno pelo futebol moderno!”).

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