Premier League

Szczesny detalha episódio que desencadeou sua saída do Arsenal: “Fumei um cigarro no vestiário por causa da emoção do jogo”

Observando o nível cada vez mais alto de Wojciech Szczesny na Juventus, é difícil não pensar que o Arsenal tinha em seu plantel a solução para o seu problema de instabilidade debaixo das traves que persistiu durante boa parte dos anos 2010. Quase cinco anos depois de deixar os Gunners por empréstimo para a Roma, o arqueiro revelou mais detalhes sobre o que aconteceu nos bastidores para que sua carreira no norte de Londres chegasse ao fim. Tudo começou com um cigarro.

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Em entrevista ao Arsenal Nation, podcast oficial do clube, o polonês recordou que, na temporada 2014/15, fumava regularmente e que Arsène Wenger, então técnico do Arsenal, sabia disso. As regras, no entanto, eram bem definidas, e Szczesny não escapa de sua responsabilidade: “Ele (Wenger) apenas não queria que fumassem nos vestiários, e eu também sabia disso. Por causa da emoção do jogo, eu fumei um cigarro depois da partida, quando o time ainda estava no vestiário”.

O jogo a que Szczesny se referiu foi a derrota por 2 a 0 para o Southampton, em 1º de janeiro de 2015. O goleiro então explica o episódio em detalhes: “Eu fui para o canto dos chuveiros, então era do outro lado do vestiário, e ninguém podia me ver. Então, eu acendi um cigarro. Alguém me viu, não foi nem mesmo o chefe em si, e relatou para ele. Eu fui vê-lo dois dias depois. Ele perguntou-me se era verdade, e eu disse que sim. Ele me multou, e foi isso”.

Szczesny lembra que, além da multa, Wenger o alertou que ele perderia seu espaço no time por um tempo, decisão compreendida pelo polonês, que afirmou não ter havido discussão: “Fui muito profissional quanto a isso”. Sua expectativa era de voltar à equipe algumas semanas mais tarde, mas o futebol dá voltas rapidamente.

“Estava esperando voltar ao time algumas semanas mais tarde, mas tivemos uma boa sequência, e o David Ospina, que havia ido para o gol, jogou muito bem nesses jogos. Ele então permaneceu.”

Szczesny passou a segunda metade daquela temporada tentando reconquistar seu espaço, mas não conseguiu. Decidiu então ir por empréstimo para a Roma na temporada 2015/16. Para o arqueiro, aquele seria o caminho mais fácil de retornar ao posto de titular dos Gunners. “Tentei convencê-lo (Wenger) de que eu ainda era o melhor goleiro do clube ao sair por empréstimo. Isso soa estranho, mas às vezes é a melhor maneira de fazer isso.”

No fim das contas, as portas que o polonês abriu foram mesmo as da Serie A. Passou duas temporadas emprestado à Roma, titular à frente de Alisson, e em 2017/18 foi contratado pela Juventus para ser o herdeiro de Gianluigi Buffon.

Apesar de sua carreira ter se acertado e de ter conquistado dois Campeonatos Italianos, uma Coppa Italia e uma Supercopa da Itália, Szczesny admitiu sentir saudade dos tempos de Arsenal.

“Mais do que tudo, sinto saudade dos colegas. Tínhamos um grupo fantástico de jogadores. Éramos jovens, tínhamos muita energia, havia muita zoeira, tivemos bons e maus momentos juntos, mas nos unimos bastante como grupo. Era uma grande alegria estar com eles todos os dias. Sinto falta deles, sinto falta de jogar no Emirates. Acho que isso era algo que era especial para mim: a qualidade do gramado, os torcedores, as grandes noites de dérbi do norte de Londres.”

No fim das contas, ambos os lados encontraram seu caminho. Depois de anos, o Arsenal parece ter no alemão Bernd Leno uma figura de qualidade e para o longo prazo, passando segurança a uma defesa que ainda carece de reforços. Szczesny, por sua vez, cresceu continuamente na Itália e, pela Juve, tornou-se um dos principais goleiros do mundo. Por linhas tortas, o futebol se ajeita.

Foto de Leo Escudeiro

Leo Escudeiro

Apaixonado pela estética em torno do futebol tanto quanto pelo esporte em si. Formado em jornalismo pela Cásper Líbero, com pós-graduação em futebol pela Universidade Trivela (alerta de piada, não temos curso). Respeita o passado do esporte, mas quer é saber do futuro (“interesse eterno pelo futebol moderno!”).

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