Premier League

Southampton renasce com uma vitória retumbante, para quebrar a invencibilidade do Arsenal

Desde que retornou à Premier League, em 2012/13, o Southampton se acostumou a fazer boas campanhas. Conquistou a classificação à Liga Europa em duas oportunidades e chegou mesmo a se meter entre os dez primeiros por quatro anos seguidos. Assim, a fraca campanha de 2017/18, quando ficou apenas uma posição acima da zona de rebaixamento, esteve aquém desta capacidade. E da mesma maneira a trajetória na atual Premier League não vinha bem, culminando na demissão do técnico Mark Hughes. Neste domingo, Ralph Hasenhüttl fazia seu primeiro jogo em casa à frente dos Saints. Tinha um compromisso difícil, recebendo em St. Mary’s o Arsenal, de ótima sequência invicta. Pois a esperança de novos tempos ao Soton se concretizou com uma vitória emocionante: em duelo bastante aberto, os anfitriões derrotaram os Gunners por 3 a 2, desbancando o bom momento de Unai Emery.

Que o Arsenal tivesse mais posse de bola no início do jogo, o Southampton logo impôs a sua blitz. Atacava com objetividade e velocidade, criando várias chances de marcar. Abriu o placar aos 20 minutos. Cruzamento de Matt Targett que Laurent Koscielny não conseguiu cortar e permitiu que Danny Ings concluísse com liberdade. O empate do Arsenal não demorou a sair, de maneira um tanto quanto isolada. Boa jogada de Nacho Monreal pela esquerda, cruzando para Henrikh Mkhitaryan finalizar dentro da área. Pouco acionado até então, o armênio conferia um alívio momentâneo aos londrinos.

O empate, de qualquer forma, não era condizente àquilo que o Southampton produzia. Os Saints continuaram insistindo e forçavam os erros da defesa do Arsenal, desencontrada ao longo da tarde. E o segundo gol dos anfitriões seria merecido, aos 44 minutos. Foi mais um avanço dinâmico dos alvirrubros, de área a área. Nathan Redmond recebeu na intermediária e espetou o cruzamento. Ings passou por entre os zagueiros adversários e mais uma vez concluiu de cabeça, tirando do alcance de Bernd Leno.

O Arsenal voltou com mais atitude para o segundo tempo, após a saída do lesionado Hector Bellerín para a entrada de Alexandre Lacazette, mudando o posicionamento da defesa. Os londrinos forçavam o goleiro Alex McCarthy, de ótimas intervenções ao longo da noite. E o empate sairia mais uma vez com Mkhitaryan, em lance fortuito. Após roubada de bola de Lacazette, o meia arrematou de fora da área e a bola desviou no meio do caminho, tirando o goleiro do lance. O segundo tempo era mais indefinido. Até que o jogo aéreo do Southampton voltasse a fazer a diferença. Os anfitriões tiveram um gol anulado pela arbitragem. Após escanteio, Leno fez milagre em cabeçada de Maya Yoshida e a bola de Shane Long entrou no rebote, mas foi assinalado o impedimento. Logo depois, em lance também anulado, Lacazette forçou uma defesaça de McCarthy. Já o terceiro gol do Soton, o definitivo, aconteceu aos 40.

Foi um contragolpe muito bem armado pelos Saints. Long seria lançado pela direita, em ótimo passe de Pierre-Emile Hojbjerg, e invadiu a área. Fez o cruzamento buscando Charlie Austin no segundo pau. Sem confiar na defesa, depois de tantos vacilos, Leno saltou para tentar interceptar o passe. Todavia, também falhou e deixou a bola passar para o adversário, livre, apenas escorar às redes. Se a falta de ritmo de Koscielny foi um problema, em seu segundo jogo na temporada após longo período lesionado, a imagem do goleiro caçando borboletas também o coloca como vilão. No fim, os Gunners ainda tentaram os últimos suspiros, mas sem sucesso. Depois de 22 partidas, 14 delas no Inglês, os londrinos voltaram a perder.

Se talvez não seja time para disputar a metade de cima da tabela novamente, o Southampton possui qualidade disponível para garantir de maneira mais tranquila sua continuidade na elite. Não dá para atribuir a vitória deste domingo totalmente ao trabalho de Hasenhüttl, tão recente. Mas o bom treinador alemão é alguém credenciado a fazer este elenco crescer, com já se percebeu na verticalidade e na vibração deste domingo. O Soton deixou a zona de rebaixamento, com 12 pontos, à frente do Burnley graças aos critérios de desempate. Já o Arsenal vê os concorrentes se distanciarem no G-4. Os Gunners seguem em quinto, com 34 pontos, a três do Chelsea e a cinco do Tottenham.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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