Premier League

Souness diz que parada LGBT abriu sua mente e cobra ambiente seguro para gays na Premier League

Graeme Souness jogou futebol nos anos 1970 e 1980. Se hoje o esporte é homofóbico, a coisa era ainda pior naquela época. Mas o ex-jogador, ex-técnico e hoje comentarista inglês deu um depoimento afável sobre como uma visita à Parada do Orgulho LGBT em Brighton, sul da Inglaterra, no início do ano, abriu sua mente para que pudesse olhar com mais respeito para a comunidade LGBTQ+ – e, consequentemente, cobrar um ambiente mais seguro para os homossexuais na Premier League.

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“Eu vim de uma geração, uma época em nosso futebol que era extremamente homofóbica, com as brincadeiras e a zoeira nos vestiários. Mas nove meses atrás eu vim e participei da parada gay aqui. E foi esclarecedor. Aprendi muito, mudou a minha atitude (em relação ao tema). Foi um passeio fabuloso. Estava ensolarado, lotado, havia dezenas de milhares de pessoas, e foi uma experiência extremamente educativa. Eu diria a qualquer um: ‘Olha, se você quer aprender mais, venha aqui para esta parada, e você sairá com uma opinião completamente diferente’”, comentou na Sky Sports.

Souness falava direto de um estúdio no Estádio Amex, onde o Brighton havia acabado de empatar com o Wolverhampton em 2 a 2. Antes da partida, em um espetáculo para além dos protocolos, o clube fincou com firmeza a sua bandeira contra a homofobia, com as cores da campanha Rainbow Laces tomando todo o estádio.

O posicionamento não evitou que torcedores do Wolverhampton fizessem insultos homofóbicos nas arquibancadas, mas ao menos o procedimento das autoridades presentes foi condizente com a campanha inclusiva: dois homens foram detidos pela polícia de Sussex na saída do estádio por causa dos gritos homofóbicos e liberados enquanto aguardam investigação mais aprofundada.

O incidente reforça o que, dentro do estúdio da Sky Sports, Graeme Souness dizia ao avaliar o estágio em que estamos no futebol. “A Premier League precisa se perguntar: ‘Por que ninguém nunca se revelou homossexual?’ Eu acho que o futebol não criou um ambiente em que alguém se sentiria confortável e confiante em dizer: ‘Sou gay’.”

Souness, levando em conta as probabilidades, cravou: “Deve haver jogadores gays e bissexuais jogando na Premier League, tem que haver. Mas ninguém se sentiu confiante o bastante para dizer que é”.

Fora da Inglaterra, Graeme Souness é lembrado principalmente por fincar uma bandeira do Galatasaray no meio do campo do Fenerbahçe em um clássico que valia o título da Copa da Turquia de 1996. Dentro da Inglaterra, os mais antigos o associam ao dominante Liverpool do fim dos anos 1970, e os mais jovens pensam em “hater do Pogba”. Agora podemos acrescentar uma outra camada a essa figura multifacetada do futebol.

Foto de Leo Escudeiro

Leo Escudeiro

Apaixonado pela estética em torno do futebol tanto quanto pelo esporte em si. Formado em jornalismo pela Cásper Líbero, com pós-graduação em futebol pela Universidade Trivela (alerta de piada, não temos curso). Respeita o passado do esporte, mas quer é saber do futuro (“interesse eterno pelo futebol moderno!”).

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