O Manchester United terá nesta terça-feira (12) a oportunidade de alcançar um pequeno feito que não acontece desde a era Alex Ferguson. Em caso de vitória sobre o Burnley, fora de casa, em confronto adiado da rodada de abertura da Premier League, a equipe de Ole Gunnar Solskjaer assumiria a liderança da competição após 17 rodadas. Apesar de contente com a evolução recente e com a posição atual dos Red Devils, o treinador norueguês apontou que, ao fim da temporada, ninguém se lembrará de como era a tabela em janeiro, reforçando a necessidade de manter certa estabilidade.

A última vez que o Manchester United havia chegado a esta altura da temporada na liderança foi em dezembro de 2012, na temporada final sob o comando de Alex Ferguson, quando o clube terminou como campeão da Premier League. Desde então, a queda de nível foi incontestável, com um sétimo lugar em 2013/14 e apenas três anos no G4, em temporadas separadas.

Neste contexto, Solskjaer considera que qualquer colocação entre os quatro primeiros já seria um progresso, já que seria a primeira vez na era pós-Ferguson que o clube terminaria duas temporadas consecutivas no grupo do topo.

“Desde que o Sir Alex saiu, ficamos em segundo, terceiro, quarto, quinto, duas vezes em sexto e uma vez no sétimo lugar. É importante para nós nos estabelecermos no G4. Só estivemos no G4 três vezes desde que o Sir Alex saiu. Se conseguirmos alcançá-lo de novo depois de terminar em terceiro lugar, se alcançarmos uma posição mais alta (2º), isso é progresso”, destacou, em entrevista coletiva nesta segunda-feira (11).

Comparando com sua época de jogador, o norueguês reconheceu que o padrão de exigência era mais alto nos anos de Alex Ferguson, mas o treinador vê a liga diferente nos dias atuais, com um número maior de equipes fortes e capazes de brigarem por algo.

“Quando eu jogava, era muito diferente, ficávamos muito desapontados se não vencíamos a liga. Terminamos uma vez em terceiro e, na maior parte do tempo, competíamos contra uma equipe (pelo título), mas agora a liga é diferente. Existem vários outros times que podem competir e olhar para si mesmos como candidatos a desafiar os grandes times. (…) Em um bom ano, você vencia o título, em um ano ruim, terminava em segundo ou terceiro. Agora, existem muitos times com elencos grandes e fortes que podem competir.”

Solskjaer destacou o que vê como uma melhora de mentalidade em seu grupo, pronto para focar o jogo com o Burnley e esquecer do resto, vivendo cada dia por vez. Foi assim que, mesmo após um início ruim na temporada, a equipe se colocou em igualdade de pontos com o Liverpool mesmo com um jogo a menos. Embora a sensação seja boa, o técnico lembra que a classificação atual não diz muita coisa a longo prazo.

“Estamos melhores nesta temporada do que na passada se compararmos o mesmo período no ano passado. Vencemos mais jogos, marcamos mais gols, jogamos um melhor futebol. Isso é positivo, mas ninguém lembra da tabela da liga em janeiro. Precisamos seguir desenvolvendo esta equipe e melhorando”, cobrou.

“Ter um jogo a menos só é bom se você vencê-lo. Precisamos vencer para conseguir esses pontos. Tivemos um início difícil contra Palace e Tottenham (duas derrotas no Old Trafford, incluindo o 6 a 1 para os Spurs), que tornou mais difícil mentalmente para os jogadores olhar para a tabela. Mesmo que você não olhe para ela, as pessoas estão sempre pensando na sua colocação.”

Buscando ficar alheio a todas as conversas, Solskjaer espera que, pouco a pouco, a cada semana, sua equipe possa ter sucesso e, quem sabe, chegar na reta final na briga pelo título: “A tabela não importa agora, mas você coleciona os pontos e, quando chegar em março e abril, é aí que a liga será decidida”.