Premier League

Sheffield parou o ônibus e quase atropelou o Aston Villa, que saiu triste e feliz com empate

Aston Villa buscou empate aos 52 minutos do segundo tempo

O termo “ônibus estacionado”, tão utilizado para equipes de José Mourinho, seria uma boa forma de definir a postura do então lanterna Sheffield United por cerca de 80 minutos no Villa Park nesta sexta-feira (22). Uma pena para o Aston Villa, que poderia ser líder (temporário) da Premier League se vencesse, mas sofreu com a retranca e ainda foi punido pela lei do ex: Cameron Archer, cria da base do time de Birmingham, marcou aos 43 do segundo tempo. Por sorte, salvou a sequência invicta com gol de Nicolò Zaniolo já nos últimos segundos.

Um ponto deu aos Villans a vice-liderança da Premier League, pelo menos até o confronto entre Liverpool e Arsenal, disputado amanhã. Então lanterna, o Sheffield conseguiu subir uma posição.

O empate também interrompe uma sequência de 15 vitórias consecutivas do time de Unai Emery no Villa Park.

Aston Villa sofre com bloqueio do Sheffield nos dois tempos

Unai Emery, já com os importantes lesionados Youri Tielemans e Pau Torres, poupou o zagueiro brasileiro Diego Carlos, o titular. Ainda tinha Boubacar Kamara suspenso. Todos os problemas não mudaram a estrutura tática do time. A dupla de zaga Ezri Konsa e Clément Lenglet (este, estreando pela Premier League) contava com o apoio do lateral-direito Matty Cash na saída de bola. Douglas Luiz e John McGinn se posicionavam logo a frente do trio. Na frente, Lucas Digne ocupava o corredor esquerdo, Leon Bailey o direito, dando liberdade para Moussa Diaby e Jacob Ramsey jogarem por dentro com o centroavante Ollie Watkins.

Fazendo apenas seu quarto jogo pelo Sheffield United, o técnico Chris Wilder retornou ao esquema com três zagueiros e dois alas, se fechando por quase todo tempo em um 5-4-1. O homem mais avançado era o camisa 10 Cameron Archer e a escalação ainda tinha o brasileiro Vinícius Souza.

Os minutos iniciais foram de domínio do Villa e a arbitragem, especialmente o VAR, teve que trabalhar por polêmicas dentro da área do Sheffield, primeiro com Vinícius dando um empurrão em Watkins e depois um enrosco na área – em ambas, o campo e a cabine concordaram em seguir o jogo.

O visitante fazia um bom trabalho em evitar que a dupla de volantes, McGinn e Douglas, tivesse qualquer espaço para pensar o jogo, colocando o Vinícius Souza e Oliver Norwood como a sombra destes jogadores. Sem espaço pelo meio, as pontas seria um bom caminho. Em jogada veloz pela direita, Bailey esperou Diaby passar e serviu o francês em profundidade na área, que chegou batendo e exigindo a primeira defesa de Wesley Foderingham. Novamente pelo lado do campo, conseguiu escanteio, cobrado na segunda trave por McGinn e por pouco Konsa não mandou às redes.

O duelo da etapa inicial: Vinícius Souza contra McGinn (Foto: Divulgação/Sheffield)

A dificuldade dos Villans era muito clara: infiltrar as compactas linhas do Sheffield. Às vezes conseguia emplacar uma boa sequência de passes ou dribles, mas sempre aparecia um novo adversário. Por todo primeiro tempo, apenas um dos seis chutes do time da casa foi em direção ao gol. Já os Blades nem ao menos se arriscavam atacar, apostando em uma postura de apenas se defender e segurar o empate – não tentou um chute sequer em 47 minutos.

Sem trocas nas equipes, o jogo seguiu no mesmo roteiro no segundo tempo. A diferença foram os cartões amarelos, não vistos na etapa inicial. Em cinco minutos saíram dois, um para cada lado: primeiro para Bailey, que parou um ataque promissor do adversário com um puxão, e outro pela insistência de Yasser Larouci em puxar o atacante jamaicano.

Para dar mais fôlego nos lados do campo, o ala esquerdo Larouci foi substituído por Max Lowe. Andre Brooks, o meia pela esquerda, saiu para entrada de Gustavo Hamer, nascido em Itajai, em Santa Catarina, mas naturalizado holandês.

Deu nem tempo para os jogadores esquentarem, no lance seguinte, o Villa enfim furou o bloqueio do Sheffield. A defesa tentou sair jogando após escanteio, perdeu a bola na esquerda da área, Watkins roubou e tabelou com Ramsey para cruzar na medida para Bailey cravar o primeiro. O VAR analisou e percebeu que Ramsey puxou o braço do goleiro Foderingham na disputa ainda na cobrança do corner. O árbitro foi na cabine à beira do campo e anulou o gol por falta no arqueiro.

Isso foi o que de mais revelante que aconteceu nos primeiros 30 minutos da etapa final. Nenhum dos lados conseguiu finalizar, e Emery decidiu mudar seu time. Entraram Álex Moreno e Jhon Durán nas vagas de Digne e Diaby, ambos exercendo as mesmas funções de quem saiu.

O Shieffield passou a tentar atacar mais e mudar um pouco a postura de todo primeiro tempo e o quase todo o segundo. Em contra-ataque, enfim, conseguiu finalizar pela primeira vez. Rápida jogada, de um lado para o outro, chegou no meio para Norwood arriscar de longe e Emiliano Martínez defender – também pela primeira vez. Os Blades quase abriram o placar logo depois, em cruzamento que teve desvio de Konsa e quase surpreendeu o goleiro argentino.

Essa melhora do Sheffield foi recompensada sem muita demora. Enquanto Jack Robinson era atendido por uma falta, a equipe cobrou a infração rápido, Hamer disparou nas costas da defesa adversária, limpou McGinn e tocou para Archer marcar aos 43 minutos do segundo tempo.

A resposta veio efetiva, como não acontecia muito tempo. Cruzamento na segunda trave, Moreno completamente sozinho cabeceou em cima de Foderingham, que espalmou.

Em nove minutos de acréscimos, o Aston Villa tentou de tudo, se lançou com todo mundo no campo de ataque e… conseguiu! Bola alçada na área por Douglas Luis, Nicolò Zaniolo, que entrou na etapa final, antecipou o goleiro e igualou o placar.

Foto de Carlos Vinicius Amorim

Carlos Vinicius Amorim

Carlos Vinicius é nascido e criado em São Paulo e jornalista formado pela Universidade Paulista (UNIP). Escreveu sobre futebol nacional e internacional no Yahoo e na Premier League Brasil, além de eSports no The Clutch. Além disso, atuou como assessor de imprensa no setor público e privado.
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