Premier League

Rindo na cara do perigo, Liverpool vence o Crystal Palace na conta das defesaças de Alisson

Chances perdidas pelo Palace no segundo tempo poderiam ter mudado o jogo, mas Alisson evitou o pior

Enquanto houver chance de título, o Liverpool seguirá 100% focado em fazer a sua parte para pressionar o Manchester City. A situação é difícil, a desvantagem é grande, mas os Reds ainda entregam um futebol envolvente e intenso. Diante do Crystal Palace, nesse domingo (23), a equipe de Jürgen Klopp foi mais uma vez um visitante indigesto, vencendo por 3 a 1 e correndo muito perigo.

Foi um típico atropelo do Liverpool de Klopp, especialista em sufocar a concorrência e empilhar chances de gol. O problema para o treinador alemão é que seu ataque está esfacelado com as ausências de Sadio Mané e Mohamed Salah, que estão disputando a Copa Africana de Nações.

Domínio, chances e gols: o óbvio xadrez de Klopp

Não houve por parte do Liverpool qualquer chance de vacilo, como no fim do ano passado. Sério e apresentando uma proposta coerente com o trabalho de Klopp, a equipe dos Reds abriu o placar logo aos oito minutos, com Virgil van Dijk, em cruzamento impecável de Andrew Robertson na marca do escanteio. O escocês, aliás, foi o destaque do primeiro tempo, com mais uma assistência antes do intervalo.

Em termos de posse de bola e finalizações a gol, foi um baile do Liverpool e dificilmente poderíamos esperar algo diferente, mesmo se tratando de um adversário difícil e organizado como o Palace. Em menos de 40 minutos, o time visitante já havia finalizado 10 vezes, sendo 4 ao gol de Vicente Guaita. O bombardeio deu resultado, mais uma vez saindo dos pés de Robertson: bola na diagonal para a área, Alex Oxlade-Chamberlain estava com bastante liberdade na ponta para dominar no peito, amaciar a bola e emendar um chute na saída de Guaita para ampliar.

Oportunidades preciosas jogadas no lixo

O Palace, que só estava se defendendo, ganhou algumas jardas e passou a criar mais jogadas para pressionar o Liverpool. Se tivesse um elenco mais qualificado, poderia ter feito pelo menos um gol. Jean-Philippe Mateta e Conor Gallagher perderam bons lances, mas foi o de Mateta o que mais gerou lamentação. Tudo porque ele entrou na área embalado e conseguiu driblar Alisson para finalizar. O problema é que o chute saiu mascado e foi rolando para fora, quase raspando na trave. É muito difícil conseguir chegar com tanto espaço na defesa do Liverpool, e nesse ponto, Mateta falhou em aproveitar a oportunidade que teve.

Esses erros se repetiram na volta do intervalo, com dois passes perfeitos de Michael Olise. O primeiro foi desperdiçado em uma cabeçada torta de Gallagher, e o segundo com um preciosismo por parte de Mateta, que tentou uma vez, ganhou o rebote e tocou com o calcanhar para a defesa de Alisson. Pelo volume e chances criadas, o Palace poderia muito bem ter virado o jogo, mas não conseguiu sair do zero, o que frustrou a massa nas arquibancadas do Selhurst Park.

Somente aos nove minutos da etapa final é que os Eagles pararam de brincar com a sorte. Em contragolpe, Odsonne Edouard acionou Mateta, em ótima condição para encarar Alisson. Desta vez, o atacante tomou a decisão certa e, em vez de finalizar, tocou para o lado para o companheiro marcar. Edouard, que vinha acelerando, teve o gol livre para fazer.

O Liverpool simplesmente não entendeu o que estava acontecendo, pois ficou passivamente assistindo o Palace chegar ao ataque e finalizar. Pouco após o gol de Edouard, o zagueirão Joachim Andersen fez as vezes de atacante e arrematou muito perto da trave de Alisson. O susto motivou ainda mais a equipe de Patrick Vieira, que passou a acreditar no empate. Muito bem na defesa e martelando insistentemente a retaguarda dos Reds, o Palace igualou o confronto.

A máxima mais popular do futebol

Alisson ainda fez mais uma ou duas defesas importantes para barrar o ímpeto do Palace. Apesar da grande atuação de Olise dando gols quase feitos de bandeja, os Eagles não aproveitaram e pararam no gol de Edouard. A punição foi cruel e um tanto quanto controversa. Diogo Jota tentou fazer o terceiro, esbarrou em Guaita e, na sequência, se chocou com o goleiro espanhol.

A arbitragem revisou o lance no VAR e após muitos minutos de deliberação, optou por marcar o pênalti. Dificilmente a falta de Guaita seria assinalada em outra ocasião, mas nesta tarde, o Liverpool ganhou um gol praticamente de brinde. Fabinho bateu e fez, para fechar a conta, aos 42 minutos da segunda etapa. Não houve tempo ou ação para muito mais que isso, e Klopp, exultante, saiu de campo mais uma vez vencedor. Bom momento para mandar a minha, a sua, a nossa máxima favorita no esporte: quem não faz, toma.

E aí vale registrar que, apesar do ótimo primeiro tempo, o Liverpool passou longe de ser o mesmo na etapa final. Dominado e amassado pelo Palace, dependeu de Alisson para evitar uma virada que seria trágica para os planos da temporada. Em um momento no qual o Manchester City deixou escapar pontos contra o Southampton, vencer, ainda que sem merecimento algum, é algo que precisa ser comemorado pelos Reds. Méritos do Palace de se apresentar com tanta coragem (faltou alguma pontaria, é verdade), mas o time de Klopp precisa ficar mais ligado nos seus jogos de agora em diante, ou não vai ter a mesma sorte.

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Felipe Portes

Felipe Portes é zagueiro ocasional, cruyffista irremediável e desenhista em Instagram.com/draw.portes

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