Premier League

Ranieri deixa o Watford, em (mais) uma demissão rápida e previsível

O técnico de 70 anos foi demitido do clube que mais troca de técnicos na Inglaterra após duas vitórias em 13 rodadas da Premier League

A quarta passagem de Claudio Ranieri pelo futebol inglês terminou rapidamente, após o Watford anunciar nesta segunda-feira mais uma troca de comando nesta temporada da Premier League.

Não que fossem necessárias mais evidências sobre a excepcionalidade daquela campanha em que foi campeão com o Leicester, mas Ranieri, 70 anos, tem tido problemas para emplacar bons trabalhos, muito mais em linha com o restante de uma carreira em que até chegou a treinar grandes equipes, mas raras vezes saiu deixando saudades.

No Watford, a demissão era questão de tempo porque se trata do clube que demite treinadores com mais facilidade na Inglaterra e ele conseguiu apenas duas vitórias em 13 rodadas da Premier League, com dez derrotas. O fato de uma delas ter sido uma goleada sobre o Manchester United acabou não ajudando em nada

Os Hornets haviam começado a temporada sob o comando de Xisco Muñoz, técnico que conseguiu o acesso na Championship, mas foi demitido após disputar apenas sete jogos na elite. Testando a sorte, Ranieri reclamou em público da falta de comprometimento dos jogadores após perder por 3 a 0 para o Norwich, o que parece ser o pecado mais imperdoável da Premier League – Rafa Benítez também foi demitido do Everton após ser derrotado pelos Canários, finalmente fora da zona de rebaixamento.

“O Watford confirma a saída do técnico Claudio Ranieri. A diretoria dos Hornets reconhece Ranieri como um homem de grande integridade e honra, que sempre será respeitado no Vicarage Road pelas suas tentativas de liderar o time com dignidade”, escreveu o clube no Twitter.

Ninguém realmente se iludiu com o trabalho de Ranieri, que, após ser demitido pelo Leicester, nove meses depois do milagre, teve uma passagem pelo meio da tabela da França, foi quebra-galho na Roma e tentou salvar três clubes diferentes do rebaixamento, com dois fracassos (o Watford pode até se salvar, mas não será por conta dele) e um sucesso.

Ele ficou uma temporada em nono lugar na Ligue 1 pelo Nantes, do qual saiu “em comum acordo”, o que poucas vezes significa que realmente houve um acordo. Foi chamado para tentar salvar o Fulham do rebaixamento em 2018/19, mas acabou demitido após apenas 106 dias, três vitórias e 17 jogos.

Era a hora de retornar à Itália. Terminou aquela temporada como interino da Roma. Sem vaga na Champions League, não renovou contrato para a campanha seguinte e foi para a Sampdoria. Lá, fez um bom trabalho, salvando a equipe do rebaixamento e depois com a nona colocação do Campeonato Italiano. Optou por não renovar o contrato e embarcou em sua quarta aventura por terras inglesas – também treinou o Chelsea no começo do século.

Se a ideia era tentar reabilitar sua imagem em um mercado que conhece bem, digamos que não deu certo. Estreou sendo goleado pelo Liverpool, um resultado mais ou menos normal. Deu até sinais de que poderia reerguer o Watford ao ser derrotado pelo placar mínimo entre vitórias sobre Everton e Manchester United. Desde então, porém, perdeu todas as rodadas da Premier League que disputou, com exceção de um empate contra o Newcastle, e a defesa, teoricamente seu ponto forte, foi ficando cada vez mais frágil.

Ranieri deixa o Watford em penúltimo lugar no Campeonato Inglês, com 14 pontos em 20 rodadas. O primeiro clube fora da zona de rebaixamento é o Norwich, com 16 pontos em 22 jogos.

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Bruno Bonsanti

Como todo aluno da Cásper Líbero que se preze, passou por Rádio Gazeta, Gazeta Esportiva e Portal Terra antes de aterrissar no site que sempre gostou de ler (acredite, ele está falando da Trivela). Acredita que o futebol tem uma capacidade única de causar alegria e tristeza nas mesmas proporções, o que sempre sentiu na pele com os times para os quais torce.

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