Premier League

Rafa Benítez deu uma entrevista bem legal sobre o papel do técnico como professor: “Os jogadores precisam ter vontade de aprender”

Novo comandante do Everton, Rafa Benítez relembrou seu passado como professor de educação física e comparou com o papel do treinador

Antes de ser treinador, Rafa Benítez foi professor. O espanhol conciliou sua carreira como futebolista com a formação acadêmica e deu aulas de educação física em escolas enquanto ainda atuava. Cria da base do Real Madrid, o veterano não jogou pela equipe principal dos merengues, mas permaneceu no segundo quadro antes de rodar pelas divisões de acesso. Pendurou as chuteiras aos 28 anos, forçado por uma lesão, quando aprimorou sua capacidade para lecionar e virou treinador nas categorias de base do Real. Diante de tal trajetória, Benítez valoriza o papel do técnico no aprendizado de seus atletas. E deu uma entrevista interessante ao site do Everton sobre o assunto.

Segundo o treinador, é importante garantir que cada jogador irá absorver conhecimento em todos os treinos e poderá evoluir ao longo do trabalho. Com isso, é possível fazer o time melhorar dentro de campo e conseguir resultados mais consistentes. Assim, o espanhol pretende aplicar sua filosofia no Everton para ter bons desempenhos na temporada e fazer o elenco dos Toffees render conforme o esperado por seu talento.

“É crucial que os jogadores sintam que você se preocupa com eles e quer melhorá-los – e que você pode fazer isso. Tenho paixão por trabalhar um a um quando os treino. Acho que eles podem sentir essa paixão e vão tentar ter certeza, da próxima vez, de que poderão fazer isso ou aquilo que eu pedir. Vou para a mente. Quero que pensem, não quero apenas dizer a eles ‘faça isso’. É mais, é ‘pense sobre isso, está certo ou errado?’. Dar a eles a chance de encontrar uma solução, para que aprendam no futuro. Fundamentalmente, se você quer melhorar sua equipe, melhorar os indivíduos, então melhore a mentalidade de todos eles juntos”, comentou Benítez.

“Sou treinador e professor. Tive alunos com diferentes níveis e tive que aprimorá-los, ensiná-los e torná-los melhores de uma forma ou de outra. Com os jogadores, é parecido. Você tenta criar uma atmosfera onde eles têm vontade de aprender. Mostrar vídeos, permanecer com eles após o treino analisando a forma física, analisando o movimento dependendo se a bola está na defesa ou no ataque… Gosto de fazer essas coisas. Quando terminamos um treino, eles precisam estar certos de que aprenderam um pouco – 0,5% de melhoria em uma sessão. Junte todas as sessões e eles serão melhores jogadores e então teremos chances de ganhar mais jogos”, complementou.

Rafa Benítez, além do mais, apontou como a mentalidade vencedora que absorveu desde cedo foi importante em sua trajetória profissional: “Quando eu tinha 11 anos, joguei um torneio em Madri entre escolas. Aos 12, eu era capitão do meu time e ganhamos o torneio. Aos 13, estava na base do Real Madrid. A partir de então, tudo se resumia a vencer. No Real Madrid, terminar em segundo não significa nada. Você precisa vencer, vencer, vencer. Isso fez parte da minha educação. Desde garoto era só ganhar, terminar em primeiro, algo que você guardará para sempre”.

Por fim, o espanhol ressaltou como espera se provar neste recomeço na Premier League, depois de trabalhar no Campeonato Chinês: “Algumas das perguntas sobre a China, se isso diminuiu minha competitividade, não significam nada para mim. É o contrário. Para mim, dirigir o Everton é uma oportunidade de mostrar que ainda sou competitivo e capaz de lutar contra qualquer um. Depende de sua equipe, mas estou pronto para competir e tentar me sair realmente bem em cada partida”.

Vencedor da Champions League à frente do Liverpool, Rafa Benítez chegou ao Everton para substituir Carlo Ancelotti. O novo trabalho nos Toffees começará oficialmente em 14 de agosto, quando a equipe disputa a primeira rodada da Premier League. O primeiro desafio será o Southampton, dentro de Goodison Park.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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