Premier League

Quase circense, Liverpool busca virada relâmpago com golaços pra cima do Norwich

Mané e Salah resolveram o jogo para os Reds em menos de dois minutos e de maneira artística

O Liverpool recebeu o Norwich em Anfield para uma partida que se apresentou com o roteiro de sempre: quem quer que enfrente os Reds como visitante, tenta se fechar e tirar a bola de Sadio Mané e Mohamed Salah. Por pouco mais de uma hora, a ideia dos Canários deu certo, mas uma hora a fortaleza ruiu. No brilho de seus atacantes, o Liverpool venceu por 3 a 1, de virada, com aquela qualidade que o mundo reconhece.

Dono da bola e das principais ações de finalização, o Liverpool não estava tão preciso na primeira metade. No início, o Norwich mostrou que não se postaria em campo apenas para esperar o adversário, e tentou a primeira espetada pelos pés do veloz Milot Rashica. No entanto, o atacante estava em posição irregular e a arbitragem anulou o primeiro gol por impedimento. Pouco mais tarde, foi a vez do homem-surpresa Virgil van Dijk, que apareceu na área para finalizar e também estava à frente da linha de seus marcadores.

Um lanterninha inconveniente

É verdade, o Norwich se defendeu a maioria do tempo, mas não teve medo de atacar o Liverpool, criando boas chances na primeira etapa, sobretudo com Billy Gilmour e Teemo Pukki. A partida foi bastante desigual a favor dos Reds, que ocuparam bastante a área dos Canários. Como Salah e Mané estavam sempre acompanhados de perto pela marcação, coube ao lateral-esquerdo Konstantinos Tsimikas ser o responsável pelas principais oportunidades de gol. No entanto, o grego perdeu as três chances que teve, sendo a primeira quase debaixo da trave.

O zero a zero estava incômodo para os dois times. Mais ainda para Klopp, que sabia que poderia fazer ajustes para tirar a igualdade do placar. Logo na volta do intervalo, o gol saiu, mas do lado errado. Em saída com bola longa, Josh Sargent recebeu na meia-lua e teve muito espaço para dominar, enganando a defesa do Liverpool e carregando até a ponta e acionar Rashica. O kosovar bateu e contou com desvio da zaga para marcar o primeiro gol, um choque para Jürgen Klopp, que já tinha dificuldade para ver seu time fazer um gol, que dirá dois, para garantir a vitória.

O Liverpool resolveu levar a sério

A insistência valeu para os Reds, por volta dos 15 minutos da etapa complementar: de tanto apertar na área, o empate saiu. Tsimikas, que brincou de Roberto Firmino, escorou um cruzamento de cabeça e acionou Mané, no meio da área. O senegalês emendou um voleio belíssimo para mandar para as redes de Angus Gunn, que demorou para reagir e viu a bola passando debaixo do seu braço. Um gol artístico de Mané, que abriu caminho para o que vinha a seguir. O Liverpool estava a sério de novo, e quando um time desses dá o seu máximo, é muito difícil segurar.

Ainda inspirado pelo golaço, um minuto depois, o Liverpool contou com assistência de Alisson da sua área. O brasileiro achou Salah em disparada e viu o egípcio sair na cara de Gunn. O goleiro do Norwich mais uma vez se precipitou, cercou Salah e caiu sentado no limite da área, convidando o atacante a finalizar. E foi exatamente isso que ele fez, achando um espaço entre os homens de defesa que cobriam a meta dos Canários. Com tacadas de sinuca, o Liverpool saiu de uma adversidade para assumir o controle do placar, tornando o cenário coerente com o que estava acontecendo em campo. Seria injusto perder ou empatar com tanto volume de jogo e oportunidades dentro da área do Norwich.

Insaciável, Salah teve outra chance aos 31, dominando na ponta da área e chamando o marcador para dançar. No chute, Mo errou por pouco, finalizando perto da trave de Gunn. Restando dez para o fim, Luis Díaz deu números finais no confronto. O colombiano se movimentou bem para dar opção, entrou livre na área e aproveitou um passe primoroso de Jordan Henderson para mandar a bola ao fundo das redes. O colombiano parece ter encaixado muito bem no ataque, dando uma ótima opção para Klopp na reta final da temporada.

Repetindo a escrita do gol de Salah, Mané teve a chance de marcar o quarto com passe de Díaz, mas a bola saiu pela linha de fundo. Em poucos lances, o Liverpool castigou o Norwich e por pouco não tornou seu triunfo em um verdadeiro passeio no parque. Naturalmente, os donos da casa baixaram a intensidade e controlaram o jogo até o apito final.

A vitória é importante não só pelo controle emocional da partida, mas porque no próximo domingo, dia 27, os Reds terão uma final contra o maratonista Chelsea, que vem embalado, mas um tanto exaurido pelo título mundial e pela participação no mata-mata da Liga dos Campeões diante do Lille, no meio de semana. Para o Norwich, lanterninha da competição, o momento de comemorar a posição fora da zona de descenso passou. Já são cinco pontos de diferença para o Newcastle, primeiro fora do Z3. Essa luta ainda vai longe.

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Felipe Portes

Felipe Portes é zagueiro ocasional, cruyffista irremediável e desenhista em Instagram.com/draw.portes

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