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Qual deveria ser o próximo trabalho de Arsène Wenger?

Estar 22 anos em um mesmo clube é algo muito impressionante e que provavelmente não será superado por nenhum outro técnico. Em um nível de exigência tão grande e com a visibilidade atual nos grandes times, permanecer mais de duas décadas no comando de um mesmo clube parece algo improvável, para não dizer impossível. Wenger ficou esses 22 anos no Arsenal e irá deixar o cargo ao final desta temporada. Muito se fala sobre quem irá substituí-lo no clube inglês. Mas e Wenger, o que fará?

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Aposentadoria

Uma das opções, claro, é a aposentadoria. Aos 68 anos, Wenger tem lastro para se aposentar com tranquilidade, se quiser, e descansar, aproveitar com a família. Ele se aproxima dos 70 anos, um momento que é comum os técnicos deixarem o cargo. Alex Ferguson adiou diversas vezes a aposentadoria, até definitivamente deixar o cargo no Manchester United em 2013, aos 72 anos.

Seleção francesa

Um caminho natural seria ele assumir como técnico da seleção francesa depois da Copa do Mundo. Isso, claro, se o atual treinador, Didier Deschamps, não continuasse no cargo. Hoje isso parece improvável porque a Federação Francesa de Futebol (FFF) renovou o contrato de Deschamps até 2020.

Só que a França tem uma enorme expectativa para a Copa do Mundo e uma campanha ruim pode complicar a situação de Deschamps. Não podemos esquecer que os franceses costumam se rebelar com alguma facilidade. Em 2010, por exemplo, o time chegou a fazer greve em plena Copa. E Deschamps tem sido muito questionado.

Em 2016, o time fez até boa campanha, ainda que o futebol não tenha sido tão bom quanto se imaginava. Perdeu a final para Portugal, o que deixou um gosto amargo na boca dos franceses. Um novo fracasso na Rússia pode complicar a situação do treinador. Caso ele deixe o cargo, Wenger certamente se tornaria imediatamente um sucessor provável.

Borussia Dortmund

Futebol ofensivo, desenvolvimento de jogadores, um time promissor. Características que estão associadas a Wenger, mas que tem sido características também do Borussia Dortmund, um time que ficará sem técnico ao final da temporada, ou seja, precisará de um novo treinador. Até porque Peter Stöger faz um trabalho meia boca e o Dortmund precisa de mais.

Um potencial problema seria o idioma, já que o alemão não faz parte do arsenal de Wenger (trocadilho intencional). Tem outro problema: o Dortmund não tem o mesmo orçamento de um time como o próprio Arsenal e, por isso, pode ser um problema para chegar a uma proposta financeiramente atraente ao francês. Isso, claro, além de convencer o veterano treinador a um desafio como esse a essa altura da carreira.

Paris Saint-Germain

Está claro que Unai Emery não irá continuar no cargo. O técnico do Paris Saint-Germain não agradou no seu desempenho na Champions League, mesmo vencendo a Copa da França e a Ligue 1. Como todo time de superestrelas, há um questionamento em relação à capacidade do treinador espanhol em gerir estrelas do tamanho de Neymar.

Por isso, as especulações apontam para Thomas Tuchel como o provável sucessor de Emery. Mas por que não Wenger? O treinador é francês, tem um histórico para lá de bem-sucedido com o Arsenal, mesmo com os últimos anos sendo fracassados em vários aspectos.

Com um time bom em mãos, uma filosofia de futebol ofensiva e o tamanho e respeito que possui no mundo do futebol, poderia controlar o vestiário. E um bônus: poderia contratar franceses sem limites e sem questionamentos, já que estaria, claro, em um time francês.

Monaco

Leonardo Jardim vem fazendo um trabalho brilhante como técnico do Monaco e, por isso mesmo, pode acabar sendo alvo de outros times importantes da Europa. Como, aliás, o próprio Arsenal. No caso do Monaco precisar de um treinador, por que não recorrer àquele que comandou o time entre 1987 e 1994 e que conquistou o título francês na temporada 1987/88 e a Copa da França de 1990/91. Seria o fim de carreira em um time que ele marcou história.

“Não faltarão propostas para ele”

Quando foi contratado Arsène Wenger não era um nome badalado, sequer era largamente conhecido. Era o técnico do Nagoya Grampus, no Japão, depois de ter feito sucesso pelo Monaco. Ele chegou em setembro de 1996 e levantou a taça da Premier League na temporada 1997/98. Foram outros oito títulos de importância com Wenger. O dirigente responsável pela sua contratações foi David Dein, ex-vice-presidente do Arsenal.

“Ele fará 69 anos em outubro e ele está extraordinariamente em forma. Ele tem uma mente ativa e grande conhecimento do jogo”, afirmou Dein. “Nos últimos alguns, eu sei que de fato ele foi abordado por alguns dos maiores clubes do mundo – acho que o Real Madrid, o Paris Saint-Germain, a seleção da Inglaterra o queria em determinado ponto”, continuou o ex-vice-presidente do Arsenal. “Não faltarão propostas”.

Quando perguntado sobre o legado de Wenger, Dein foi enfático. “Enorme. Eu acho que foi tão bem e eloquentemente colocado por Richard Scudamore, o presidente da Premier League, no começo da semana: o seu legado não foi apenas para o Arsenal, mas para o futebol mundial”, afirma o ex-dirigente do Arsenal.

“O seu estilo de jogo, seu maneirismo, o modo como ele conduziu a si mesmo, sua integridade, sua honestidade, o modo como ele gere jogadores, sua preocupação com desenvolvimento de jovens. O que ele fez pelo clube é imensurável”, afirmou Dein.

“Seus resultados falam por si mesmos ao longo dos anos. Ele tem sido enormemente bem-sucedido e irá sem dúvidas entrar para a história como o maior técnico da história do Arsenal. Nós construímos um centro de treinamentos fantástico, um estádio sensacional. Foi com o time dos Invencíveis de 2003/04 que nós conseguimos o financiamento para o estádio”, explicou o dirigente.

Seja como for, Wenger deve de fato ter boas opções para seguir a sua carreira, se assim quiser. Você tem alguma outra ideia sobre um destino que seria interessante para Wenger? Nos conte nos comentários!

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Felipe Lobo

Formado em Comunicação e Multimeios na PUC-SP e Jornalismo pela USP, encontrou no jornalismo a melhor forma de unir duas paixões: futebol e escrever. Acha que é um grande técnico no Football Manager e se apaixonou por futebol italiano (Forza Inter!) desde as transmissões da Band. Saiu da posição de leitor para trabalhar na Trivela em 2009.

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