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Pouco aproveitado no Brasil, Emerson dá um passo além rumo ao Chelsea

Antes mesmo de aparecer no time principal do Santos, Emerson Palmieri construiu uma trajetória sólida nas seleções de base. O lateral esquerdo, semifinalista no Mundial Sub-17 de 2011, chegou a ser o jogador com mais convocações em todas as categorias durante aquele ciclo. Um talento evidente que, no entanto, não foi bem aproveitado na Vila Belmiro. Permaneceu apenas dois anos no elenco profissional e, sem emendar grandes sequências de jogos, preterido em relação a Eugenio Mena, acabou repassado ao futebol italiano. Quatro anos depois, o negócio discutível dos alvinegros se evidencia. Com moral na Europa após se destacar na Roma, o defensor chega ao Chelsea, assinando até 2022 pelos Blues.

A capacidade de adaptação de Emerson à Serie A também fez a diferença. Mesmo em um ambiente claudicante no Palermo, conseguiu mostrar serviço nos poucos jogos que disputou. Chegou então à Roma, também por empréstimo, inicialmente como reserva de Lucas Digne. Jogou pouco em 2015/16, até conquistar o seu espaço com a venda do francês. E então, na última temporada, o brasileiro atravessou seu melhor momento na Itália. Atuou de maneira consistente e equilibrada, ajudando os giallorossi tanto na defesa quanto no ataque. Ganhou seu reconhecimento ao ser convocado à seleção italiana, a qual escolheu defender no nível principal. E por ter ultrapassado a marca de 12 partidas com os romanistas, teve a cláusula de venda acionada. Rendeu apenas €2 milhões aos cofres do Santos.

Lamentavelmente, ao final da temporada passada, Emerson sofreu uma séria lesão nos ligamentos do joelho, passando os últimos meses no estaleiro. Até voltou em novembro, mas, com a concorrência de Aleksandr Kolarov na lateral esquerda da Roma, não desfrutava do mesmo espaço. Tornou-se uma alternativa no mercado e o Chelsea aproveitou, desembolsando €20 milhões por sua contratação em definitivo. O Santos ainda ganhará uma parcela como clube formador, mas distante do que poderia lucrar com o talentoso lateral de 23 anos.

Em Stamford Bridge, a princípio, Emerson vem para lutar por seu lugar. Será uma alternativa a Marcos Alonso, titular absoluto na ala esquerda. Entretanto, o brasileiro possui margem de crescimento. É um jogador tecnicamente bom e empenhado, que pode ajudar Antonio Conte de diferentes maneiras. E considerando a maratona que os Blues encaram nesta reta final de temporada, com um elenco relativamente raso, o acréscimo do novato é valioso, especialmente após o empréstimo de Kenedy ao Newcastle.

Se não tem tanto vigor ofensivo quanto o compatriota, o ex-romanista é mais completo e, teoricamente, melhor preparado para se adaptar às exigências da Premier League neste momento. Emerson mira, cada vez mais, aquilo que vislumbravam para ele nos tempos de seleção de base – um atleta que, apesar de não ser um craque, tem capacidade para figurar no primeiro escalão. Uma pena que o Brasil pôde aproveitar pouco.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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