Premier League

Pickford brilhou mais que todo mundo para garantir mais um 0 x 0 entre Everton e Liverpool

O Derby de Merseyside é o confronto que mais teve jogos sem gols na história da primeira divisão do Campeonato Inglês

Jordan Pickford, principalmente, e Alisson fizeram grandes defesas no Goodison Park neste sábado para garantir que o Derby de Merseyside terminasse empatado mais uma vez. Embora não tenha vencido como mandante, o Everton deixou o campo mais feliz com o 0 a 0, após um começo fraco de temporada, por ter conseguido impedir o Liverpool de tomar embalo depois de duas grandes vitórias pelo Campeonato Inglês.

Segundo dados da Opta Sports, esse foi o 36º Derby de Merseyside sem gols. Nenhum outro jogo na história da primeira divisão do Campeonato Inglês e da Premier League teve mais confrontos que terminaram em 0 a 0. Foram 12 na era moderna. É o 15º empate, por qualquer placar e em qualquer competição, desde 2009.

Sendo muito otimista, podemos dizer que o Everton está invicto há quatro rodadas, depois de perder as duas primeiras. Sendo realista, foram quatro empates consecutivos, o que significa que meramente estancou a sangria, mas precisa reaprender a ganhar jogos de futebol. O bom desempenho de alguns reforços, como Amadou Onana no meio-campo e Neal Maupay no ataque, são boas notícias. Após muita especulação, Anthony Gordon ficou e parece em plena evolução.

Darwin Núñez retornou ao time titular do Liverpool, depois de cumprir três jogos de suspensão pela expulsão contra o Crystal Palace, e os garotos Harvey Elliott e Fábio Carvalho completaram o meio-campo ao lado de Fabinho. Reforço de última hora, Arthur começou e terminou o clássico no banco de reservas. Andrew Robertson foi poupado, com Tsimikas titular na lateral esquerda.

Núñez teve a primeira chance dos visitantes, com uma cabeçada para fora na segunda trave, após cruzamento de Alexander-Arnold. Ele não tem o mesmo dinamismo de Roberto Firmino, mas serve como alvo com sua presença de área e teria outras oportunidades. Mas o Everton conseguiu ser bastante perigoso também, até mais antes do intervalo.

Anthony Gordon pegou a sobra de um escanteio e mandou rasteiro no canto, para defesa de Alisson, e depois Joe Gomez falhou na hora de cortar um cruzamento, e Davies carimbou a trave com um chute de três dedos. Núñez teria outra cabeçada perigosa antes de matar um lançamento no peito e girar batendo bonito para uma defesa magnífica de Pickford com a ponta dos dedos. A bola ainda pegou no travessão. Díaz dominou o rebote, abriu à perna direita e soltou a bomba. Na trave, de novo.

Depois do intervalo, Pickford brilharia mais ainda, com sete defesas, muitas delas impressionantes. Para começar, foi preciso para desviar um cruzamento de Elliott que buscava Firmino na boca do gol. Na sobra, Tsimikas, sem ângulo, mas também sem goleiro, mandou para fora. Aos oito minutos, Núñez chegou pegando a sobra de um corte da defesa do Everton, em cima do goleiro inglês.

Após um começo promissor de segundo tempo, o Liverpool passou por alguns minutos de desespero, com o Everton chegando constantemente com perigo. Nathan Patterson quase contou com a sorte em um chute cruzado que bateu em Van Dijk e saiu perto da trave. Klopp, que havia trocado Carvalho por Firmino no intervalo, decidiu mexer nas laterais. Robertson entrou na esquerda, e Milner na direita. Foi um desastre: o veterano Milner deveria dar mais solidez defensiva à direita, mas perdeu praticamente todas as jogadas e virou alvo dos donos da casa.

O Liverpool reagiu com um dos lances mais impressionantes do jogo. Núñez fez o pivô para Firmino bater cruzado. Pickford fez grande defesa. Na cobrança de escanteio, Firmino cabeceou, Pickford espalmou novamente. Nova bola na área, Van Dijk mandou da segunda trave, Núñez ganhou pelo alto e Fabinho pegou bem de perna esquerda. Adivinha? Pickford defendeu bem novamente.

De vez em quando uma fraqueza do time de Jürgen Klopp, o contra-ataque fornecia oportunidades ao Everton. Maupay recebeu um deles dentro da área, de frente, com a bola dominada e sem marcação. Estava ligeiramente desequilibrado, mas ainda bateu bem, à queima-roupa, para linda defesa de Alisson – que também precisou trabalhar bem. A torcida do Goodison Park explodiu com o gol marcado aos 23 minutos, após um escanteio. Maupay recebeu, aproveitando erro de Milner, e bateu rasteiro. Coady completou em cima da linha, mas em posição de impedimento. Anulado.

Alisson foi ao ângulo buscar um chute desviado de Dwight McNeil, aos 38 minutos. Defesa plástica, com o goleiro brasileiro todo esticado dando um tapa por cima do travessão. Klopp consertou seu erro anterior, com a entrada de Matip na defesa, deslocando Joe Gomez à lateral direita e Milner ao meio-campo. Seria a última investida relevante do Everton. O Liverpool dominou os minutos finais e tentou buscar o gol da vitória, como havia feito contra o Newcastle. Teria conseguido se não fosse por Pickford. Defendeu uma batida de primeira de Firmino da marca do pênalti e depois, inacreditavelmente, tocou a bola apenas o suficiente com a ponta dos dedos para mandar um chute rasteiro de Salah à trave.

Embora o Liverpool coloque na conta um empate contra o Everton no Goodison Park, que tem sido o resultado mais comum nesse jogo, precisava correr atrás do prejuízo após tropeçar nas três primeiras rodadas e não conseguiu, graças ao titular da seleção inglesa, que deixou o campo como o grande nome da tarde.

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Foto de Bruno Bonsanti

Bruno Bonsanti

Como todo aluno da Cásper Líbero que se preze, passou por Rádio Gazeta, Gazeta Esportiva e Portal Terra antes de aterrissar no site que sempre gostou de ler (acredite, ele está falando da Trivela). Acredita que o futebol tem uma capacidade única de causar alegria e tristeza nas mesmas proporções, o que sempre sentiu na pele com os times para os quais torce.

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