Premier League

Oxlade-Chamberlain é boa notícia para o Liverpool, e não (apenas) pelo que pode fazer em campo

O Liverpool teve interesse na contratação de Diego Costa, Willian e Mohamed Salah, anos atrás. Todos foram para o Chelsea. O preferido de Brendan Rodgers para substituir Luis Suárez era Alexis Sánchez. O chileno foi para o Arsenal, e o norte-irlandês teve que se virar com Mario Balotelli. Na última quarta-feira, Alex Oxlade-Chamberlain, entrando no último ano do seu contrato, recusou uma proposta salarial 50% maior para ficar nos Gunners. Preferiu ganhar £ 120 mil semanas em Anfield do que £ 180 mil no Emirates Stadium. Também preteriu o atual campeão Chelsea porque queria jogar no Liverpool.

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Há um cardápio de motivos que pesaram na decisão do inglês de 24 anos, mas o fato mais relevante, a novidade, é notar o Liverpool em pé de igualdade com seus rivais diretos por título ou vaga na Champions League, até mesmo levando vantagem em um negócio, revertendo a tendência recente de invariavelmente ver os seus alvos de transferência preferindo outros clubes – e, certo ou errado, ao contrário de quando o Manchester United ficou fora da principal competição europeia, os Reds nunca ofereceram salários vultuosos para convencer os jogadores.

Fala-se que Oxlade-Chamberlain era torcedor do Liverpool na infância. No Chelsea, atuaria mais nas alas do que em posições ofensivas, pelas pontas ou pelo meio, o que neste momento é sua preferência. O fator preponderante para ele, no entanto, parece ter sido a possibilidade de desenvolver o seu futebol de uma maneira que não vinha acontecendo no Arsenal. Jürgen Klopp não é um feiticeiro, mas tem a reputação de melhorar jogadores de potencial que passam pelos seus elencos. No Liverpool, essa qualidade já se vê em Roberto Firmino, Lallana, Emre Can e Sadio Mané, para citar apenas alguns exemplos.

Oxlade-Chamberlain não é uma contratação que faz a torcida do Liverpool soltar fogos de artifício. Realmente se estagnou no Arsenal, produzindo números modestos para o que se esperava do seu futebol. Na última temporada, foram seis gols e 11 assistências. Em toda sua carreira pelo time do norte de Londres, colocou apenas 20 bolas na rede em 198 partidas, média de uma a cada dez jogos, números baixos até mesmo para atacantes que não são goleadores especialistas. Além disso, tem um preocupante histórico de lesões, embora tenha disputado 45 partidas na última temporada – perdeu apenas três por problemas físicos. E qual jogador do Arsenal não tem um significativo histórico de lesões?

No entanto, apesar do preço salgado para um jogador a 12 meses do fim do seu contrato (£ 35 milhões, podendo subir para £ 40 milhões com variáveis), Oxlade-Chamberlain pode ser muito útil para a temporada do Liverpool. Se não será colocado imediatamente no time titular, pode atuar em todas as posições do ataque e em muitas do meio-campo. É um reserva com experiência de Premier League para Mané, Salah, Wijnaldum e Can, ou Philippe Coutinho, se o brasileiro continuar no Liverpool. Ainda abre a possibilidade de Klopp atuar com outras formações, com três zagueiros ou uma linha de quatro no meio-campo, com Chamberlain exercendo as funções pelos lados do gramado.

O Liverpool recebeu um jogador interessante para compor um elenco que precisa de mais opções diante de uma temporada com várias competições. Mais do que isso, recebeu um indicativo de que o seu projeto está sendo visto com bons olhos, pelo menos no mercado interno, e que a decisão de renovar o contrato de Klopp por seis anos, apenas dez meses depois de contratar o alemão, foi correta.  Além do desenvolvimento do time, ele tem se provado um bom chamariz de jogadores. E isso, no final das contas, é mais importante para o clube do que o futebol que Oxlade-Chamberlain pode produzir dentro de campo.

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Bruno Bonsanti

Como todo aluno da Cásper Líbero que se preze, passou por Rádio Gazeta, Gazeta Esportiva e Portal Terra antes de aterrissar no site que sempre gostou de ler (acredite, ele está falando da Trivela). Acredita que o futebol tem uma capacidade única de causar alegria e tristeza nas mesmas proporções, o que sempre sentiu na pele com os times para os quais torce.

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