Origi ressurge como talismã e ajuda o Liverpool destrancar o ferrolho do Everton num dérbi muito pegado
Origi participou dos dois gols, num jogo de clima bastante pesado, mas que permite ao Liverpool seguir na cola do City
Nesta reta final de Premier League, o Liverpool está ciente que possui uma tabela mais dura que a do Manchester City. A rodada oferecia dois embates dos candidatos ao título contra times ameaçados pelo rebaixamento. Porém, não importa o tamanho da crise do Everton, todo mundo esperava um clássico duro para os Reds em Anfield. Foi o que aconteceu, numa vitória que demandaria grande esforço dos comandados de Jürgen Klopp. Foi um dérbi essencialmente pegado, com muita confusão e provocação. Até pela necessidade de somar pontos, os Toffees armaram um ferrolho e partiram para a batalha. Somente no segundo tempo, acionando o banco, é que o Liverpool arrancou o triunfo por 2 a 0. Foi quando surgiu o velho talismã Origi, participando da construção do primeiro gol e marcando o segundo. O super trunfo desequilibra mais num dérbi.
O clássico pegou fogo desde os primeiros minutos, entre equipes com posturas bastante distintas dentro de campo. O Liverpool tinha ampla posse de bola, mas não conseguia propor seu jogo. Isso porque o Everton se fechava ao redor de sua área e mantinha uma solidez enorme no trabalho defensivo. O que chamava mais atenção, no entanto, era a maneira como os Toffees botavam pimenta no duelo. A catimba sobrava, assim como as entradas duras eram frequentes. Não à toa, as faíscas se repetiam entre os dois times e os jogadores se estranharam em diferentes momentos. O futebol deixava a desejar.
O Liverpool teve uma rara tentativa de gol só aos 22, mas Sadio Mané não acertou o alvo, ao arrematar da entrada da área. Enquanto isso, o Everton mal trocava passes e se limitava a algumas escapadas, sobretudo pela esquerda. Numa dessas, Anthony Gordon tentou simular um pênalti e houve confusão entre os times. Fato é que a estratégia dos Toffees dava certo para anular as virtudes dos Reds e restringir os rivais a raros perigos. A melhor oportunidade da primeira etapa seria do Everton, num contra-ataque aos 34. Richarlison abriu com Abdoulaye Doucouré e a finalização cruzada assustou, mesmo sem direção. Na reta final da primeira etapa, o Liverpool parecia encontrar mais espaços. Isso até que outra confusão esfriasse os anfitriões, com Mané recebendo o amarelo por uma mão no rosto e Richarlison abusando da pilha, simulando com frequência.
O Liverpool retomou o segundo tempo aumentando a pressão. O time ainda tinha dificuldades para acelerar a troca de passes, enquanto o Everton tentava sair em velocidade nos contragolpes. Joel Matip desarmaria alguns avanços dos adversários, apesar da reclamação de pênalti não marcado sobre Gordon, no qual o camaronês usou o braço. Gordon, aliás, era novamente quem mais preocupava os Reds. Além de um chute ao lado da meta, também geraria um cartão amarelo para Trent Alexander-Arnold. Já os Reds, na tentativa de ganhar mais presença de área, acionaram Divock Origi no lugar de Sadio Mané, enquanto Luis Díaz suplantava Naby Keita.
O Liverpool já vinha arriscando mais finalizações. E o gol saiu aos 17, com as trocas fazendo efeito. Origi fez o pivô numa tabela com Mohamed Salah pela direita e o egípcio cruzou. Do outro lado, Andy Robertson surgiu sozinho e concluiu de cabeça para as redes, finalmente destrancando a retranca do Everton. A partir de então, os espaços se tornavam maiores aos Reds. A equipe passaria a gerar perigos mais constantes. Luis Díaz exigiu uma defesa de Jordan Pickford quase sem ângulo, enquanto Mason Holgate logo salvaria uma cabeçada de Matip, antes de Salah mandar por cima do travessão na sequência.
O Everton demorou para dar algum sinal de vida depois do gol. Aos 27, Demarai Gray mandou uma pancada de fora da área e a bola passou muito perto da trave. As entradas de Dele Alli e José Salomón Rondón davam mais ofensividade aos Toffees. Os cruzamentos passaram a sair e assustavam Alisson. Porém, o Liverpool tinha o relógio a seu favor e também podia encontrar mais espaços. Foi o que decidiu a partida. Primeiro, Thiago Alcântara bateu com desvio e exigiu uma defesa difícil de Pickford. Na sequência do escanteio, aos 40, surgiu o segundo gol. Luis Díaz bateu de voleio e a bola pingou na pequena área, para Origi só escorar. O talismã ressurgia. Com a situação resolvida, sobraria tempo para Richarlison receber seu merecido amarelo por uma solada em Jordan Henderson e Alisson dar o troco na cera de Pickford no primeiro tempo. Será um dérbi lembrado novamente pelo “herói inesperado que sempre aparece” e pelo clima incendiário.
O Liverpool segue na cola do Manchester City em busca do título. A diferença permanece de um ponto, 80 a 79, embora as distâncias no saldo de gols tenham diminuído. Agora, o saldo dos Reds é de 63, contra 59 dos Citizens. O Everton, por sua vez, entra na zona de rebaixamento. O Burnley venceu e saiu do Z-3, dois pontos acima. Os Toffees somam 29 pontos, mas ainda com uma partida por fazer.



