Premier League

O veterano Neil Warnock quebrou um recorde histórico: o treinador com mais jogos no futebol profissional da Inglaterra

Warnock possui oito acessos no currículo e agora também 1602 partidas comandadas na Football League e na Premier League

Neil Warnock não é um treinador de trabalhos tão marcantes na Premier League, por mais que tenha disputado a competição por diversos clubes na parte inferior da tabela. Seus feitos mais notáveis aconteceram nas divisões de acesso, com direito a oito promoções conquistadas ao longo da carreira. E, aos 72 anos, ainda trabalhando no Middlesbrough, Warnock foi capaz de ocupar um lugar privilegiado na história do futebol profissional da Inglaterra: bateu o recorde de partidas comandadas na Football League e na Premier League, com 1602 jogos desde o início de sua trajetória nos anos 1980.

Nos tempos de jogador, como ponta, Warnock rodou basicamente por times das divisões de acesso. E sua carreira como treinador começou até na Non-League, passando por Gaingsborough e Burton Albion. Foi então que chegou pela primeira vez à Football League, ao conquistar o acesso com o Scarborough em 1987. A partir de então, teve uma rápida passagem pelo Peterborough, antes de levar o Notts County da terceira à primeira divisão em 1991/92. Em sua primeira experiência na elite, porém, não evitou o rebaixamento imediato.

Durante os anos 1990, Warnock rodou por diferentes clubes, mas ainda assim conquistou acessos com Huddersfield Town e Plymouth. Em 1999, então, ganhou a chance de dirigir o Sheffield United – seu clube de coração. Ficaria oito anos no cargo, recolocando as Blades na Premier League, além de chegar a semifinais da Copa da Inglaterra e da Copa da Liga. Em meio à luta contra o rebaixamento na primeira divisão, todavia, deixou o cargo. Warnock dirigiu o Crystal Palace em momentos de problemas financeiros e, depois, levou também o QPR à Premier League no início da década passada. Mas o filme se repetia: sem resultados na elite, foi demitido em 2012/13.

Ao longo da última década, Warnock não deu jeito na situação do Leeds United na segundona e voltou rapidamente ao Crystal Palace, na Premier League. Também dirigiu o Rotherham United, até registrar mais um acesso com o Cardiff City, tornando-se o primeiro técnico na história da Inglaterra a faturar oito promoções na carreira. De novo ele caiu na Premier League, mas ainda manteve o cargo até a temporada seguinte, antes de se despedir do clube. Já sua missão mais recente acontece no Middlesbrough, desde 2020, perseguindo mais um retorno à Premier League com o Boro. Os alvirrubros fazem uma campanha de meio de tabela, mas o equilíbrio na atual Championship ainda permite sonhar.

“Nunca me propus fazer algo assim. Não consigo ver algo como isso sendo superado. Espero manter meu emprego por mais tempo. Deixei a aposentadoria no Crystal Palace, porque achava que minha história tinha se encerrado depois do Sheffield United. Simon Jordan me disse para ajudá-lo e são coisas assim que me mantiveram na caminhada. Realmente curto o que faço e decidi dar aos clubes algo para festejar, um pouco de humor nos jogos. Gosto de fazer as pessoas sorrirem, gargalharem e aproveitarem a vida”, comentou Warnock, depois do recorde.

O antigo recordista da Football League, com 1601 jogos, era Dario Gradi. Ele dirigiu Sutton United, Wimbledon e Crystal Palace, embora o grande feito tenha sido permanecer à frente do Crewe Alexandra de 1983 a 2007, ainda com duas passagens posteriores mais curtas. O pódio é completado por Fred Everiss (1524 jogos), que dirigiu o West Brom de 1902 a 1948. O honroso Top 5 ainda conta com as presenças de Sir Alex Ferguson (1503) e Brian Clough (1451). Considerando que, diferentemente dos outros nomes, Warnock precisou rodar muito mais por equipes distintas, seu feito também comprova o moral que sustenta nas divisões de acesso.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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