Premier League

O United não se cansa de passar vergonha e desta vez até o Watford aproveitou para golear os Red Devils

Watford amassou o United no primeiro tempo, mesmo perdendo pênalti, e aproveitou a vantagem numérica para golear no fim

A temporada do Manchester United é uma sequência de pancadas humilhantes e raros momentos de respiro. Os Red Devils estão nas cordas pelo menos desde setembro. Perderam para o Young Boys na Champions, para o West Ham na Copa da Liga, para o Aston Villa na Premier League. Em outubro, tudo se tornou pior: o Leicester implodiu os mancunianos, o Liverpool deu uma surra histórica e o Manchester City só não fez mais porque não quis. E, na séria de vergonhas, talvez a maior tenha vindo neste sábado, dentro do Vicarage Road. O United perdeu para o Watford, um adversário que luta contra o descenso, por 4 a 1. Os visitantes não viram a cor da bola no primeiro tempo, mesmo com pênalti perdido pelos Hornets. E, quando indicavam uma reação, a expulsão de Harry Maguire custou caro na segunda etapa, antes de João Pedro impulsionar o fim do baile nos acréscimos. A pressão sobre Ole Gunnar Solskjaer, que era imensa, agora parece insustentável.

O Manchester United nem teve muito tempo de se acertar no jogo, já que o Watford iniciou o pesadelo dos visitantes aos seis minutos. Joshua King foi derrubado na área e o árbitro marcou o pênalti. David de Gea, entretanto, adiou um pouco o sofrimento. Ismaïla Sarr cobrou no canto esquerdo do goleiro, que defendeu o tiro, por mais que Kiko Femenia tenha marcado no rebote. A arbitragem marcou invasão e o chute seria repetido. Sarr repetiu a maneira de arrematar, mal e no canto esquerdo, para outra defesa de De Gea.

A sobrevivência do Manchester United não significou que o time conseguiria impor seu jogo na sequência da partida. Pelo contrário, os Red Devils davam sinais de nervosismo e a defesa do Watford travava bem. Além disso, as bolas paradas da equipe de Claudio Ranieri causavam problemas. E o gol dos anfitriões logo veio em Vicarage Road. Sarr seguia vacilando, mas Joshua King não perdoou aos 28. Emmanuel Dennis pegou uma sobra sem marcação pela linha de fundo e rolou para King, que teve espaço no coração da área para definir de primeira.

O gol do Watford era merecido pelo bom início de jogo e o Manchester United penava para se encontrar. Ben Foster até realizou duas boas defesas contra Marcus Rashford para evitar o empate aos 31 e aos 38, mas os Hornets dominavam o meio-campo e mostravam melhor organização. Basicamente, os Red Devils não conseguiam criar e os anfitriões eram bem mais agressivos. Logo o segundo gol começou a se ensaiar e as ameaças se encadeavam. King parou em De Gea numa cabeçada, antes de Moussa Sissoko bater para fora. As redes voltaram a balançar aos 44. Agora num lance de Femenia pela linha de fundo na direita, Sarr conseguiu finalmente vencer De Gea. Na comemoração, o senegalês pediu desculpas à torcida pelos erros anteriores.

O Manchester United precisava mudar e, para o segundo tempo, Anthony Martial e Donny van de Beek entraram na equipe. Não se pode negar que as substituições deram resultado, mesmo que o Watford ainda retornasse em cima. Os Red Devils descontaram aos cinco minutos, num cruzamento de Jadon Sancho para Cristiano Ronaldo. A bola chegou alta, mas o português teve grande visão e ajeitou de cabeça para o meio da área, onde Van de Beek escorou para dentro. O Watford responderia logo na sequência e de novo De Gea trabalhou, parando com o pé o chute no canto de King. Mas o momento era dos mancunianos.

O United abafava e teve algumas chances para empatar. Bruno Fernandes, primeiro, escorregou numa batida cruzada. Cristiano Ronaldo também não estava tão calibrado e, quando acertou a finalização, Foster realizou boa defesa – em lance impedido. O Watford ficava mais recuado e os Red Devils exibiam volume ofensivo, até que Harry Maguire cometesse uma besteira e atrapalhasse a crescente da equipe aos 24. Numa bola perdida na entrada da área, o zagueiro acertou o carrinho Tom Cleverley e causou um estrago ainda maior, com o segundo cartão amarelo. A missão dos mancunianos se tornava mais dura, com dez homens.

A partida ainda seguiu aberta e o Manchester United não desistia do empate, com o tão solicitado Van de Beek fazendo bom papel na criação. Cristiano Ronaldo de novo errou o alvo duas vezes, antes que mandasse para dentro aos 32, mas o lance acabasse anulado por impedimento. Pouco depois, Bruno Fernandes recebeu com espaço e mandou para fora. Nos dez minutos finais, contudo, o Watford acordou. Foi quando os Hornets aproveitaram os buracos na zaga adversária e puxaram os contra-ataques, liderados por João Pedro, que saiu muito bem do banco.

João Pedro aparecia bastante e começou a arriscar. Teve uma tentativa para fora e parou em De Gea depois, até marcar o terceiro aos 47. Numa escapada pela direita, o garoto recebeu de Dennis e bateu por baixo de De Gea, mesmo com pouco ângulo. Na comemoração, não escondeu a emoção, com os olhos marejados. E ainda haveria tempo para o golpe de misericórdia do Watford, aos 50, premiando a grande atuação de Dennis. A partir de uma reposição de Foster, o ponta aproveitou a indecisão da marcação e fuzilou De Gea.

Depois de mais uma derrota incontestável, e contra um adversário claramente inferior, parece impossível acreditar na permanência de Ole Gunnar Solskjaer. Entretanto, não se duvida da ingerência da direção do Manchester United. Os Red Devils ficam com 17 pontos e caem para a sétima colocação, cada vez mais distantes do G-4. Já o Watford escapa da zona de rebaixamento com o resultado, numa rodada favorável a vários times na parte inferior da tabela. Os Hornets sobem aos 10 pontos, um acima do Z-3, no 17° lugar.

Classificação fornecida por SofaScore LiveScore

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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