Premier League

O Manchester City surrou o Arsenal e até teve piedade, com o placar de 5 a 0 barato para tamanha superioridade

City teve 81% de posse de bola e 25 finalizações no Etihad, contra apenas uma do Arsenal, totalmente envolvido pelo baile

Um baile. Assim foi a abertura da rodada na Premier League, com o duelo entre Manchester City e Arsenal no Estádio Etihad. Se a diferença entre os times é expressa durante as últimas temporadas, os Citizens enfatizaram o tamanho do abismo com a goleada por 5 a 0 facilmente construída. Os Gunners pareciam meros fantoches manipulados pelos adversários, que tocavam a bola como bem entendiam e não encontravam qualquer resistência do outro lado. A desfalcada zaga londrina não transmitia qualquer senso de proteção e o ataque mal acertou uma troca de passes, enquanto a expulsão de Granit Xhaka ainda no primeiro tempo agravou o cenário. Assim, os Citizens foram senhores da tarde e deram a impressão de que, se desejassem acelerar um pouco mais no ataque, o estrago seria muitíssimo maior.

O Arsenal até começou a partida tomando a iniciativa no Estádio Etihad. Seriam cinco minutos com mais posse de bola ofensiva, que acabariam soterrados na linha do tempo do jogo. Bukayo Saka até tentou uma cabeçada para fora, mas foi só. A partir de então, o Manchester City se tornou dono do jogo. Administrava os passes com calma e botava os Gunners na roda. As posses dos londrinos não duravam mais do que dez segundos. E os gols naturalmente saíram, logo nas primeiras duas estocadas dos celestes.

O placar foi aberto aos sete minutos. Depois de algum tempo tocando a bola na defesa, o City acelerou a partir de um lançamento de Ilkay Gündogan. Gabriel Jesus domou a bola na linha de fundo e tocou para Bernardo Silva, que concentrou a marcação ao seu redor. Jesus recebeu de volta com muito espaço, cruzou de primeira e mandou o passe perfeito para a cabeçada de Gündogan no segundo pau. O Arsenal mal teve a bola depois da reposição e, depois de mais um bom lance pela direita que Bernd Leno safou, o segundo gol saiu aos 12. Numa cobrança de falta na intermediária, Bernardo Silva recebeu e cruzou sem tanta qualidade. Porém, a defesa londrina apenas assistiu à bola atravessar a área e Ferrán Torres ficou desimpedido para só cutucar.

O Arsenal totalizava cerca de dez minutos sem ver a cor da bola. Entregava a posse rapidamente ao City, com muitos erros de passes, e assistia passivamente os adversários tocarem a bola. Se os Citizens quisessem forçar, a goleada viria mais cedo, mas preferiam poupar energias. Os únicos espasmos dos Gunners vinham em desleixos de Ederson na saída de bola. Emile Smith-Rowe quase descontou aos 20, quando apertou um passe do goleiro e a bola espirrada saiu ao lado da trave. Pouco depois, em mais um erro no passe, Ederson se redimiu ao defender o chute de Granit Xhaka – que, de qualquer maneira, estava impedido.

Se o jogo já era ruim o suficiente para o Arsenal, conseguiu piorar aos 35 minutos. Xhaka deu um carrinho imprudente que a arbitragem, de maneira rigorosa, avaliou como digno de cartão vermelho. O meio-campista, que vinha respaldado por sua renovação recente, dá motivos para ser questionado novamente. Com um a mais, o City reacendeu seu interesse na partida. Passou a fluir principalmente pela esquerda, onde Jack Grealish aparecia. E o ponta seria brilhante no terceiro gol, aos 43. Grealish arrancou para a linha de fundo, encarou a marcação e viu os adversários o cercarem. Então, esperou o momento certo para dar o passe com a parte de fora do pé e encontrar Gabriel Jesus sozinho na área. O brasileiro dominou sem dificuldades e tocou às redes vazias.

Na volta para o segundo tempo, Arteta estava mais preocupado em conter a sangria. Tirou Bukayo Saka e recompôs o meio-campo com Mohamed Elneny. Já o City veio com Oleksandr Zinchenko na vaga de Kyle Walker. E o massacre prosseguiu. Bernd Leno evitaria o gol de Bernardo Silva, mas logo o quarto saiu com oito minutos. A troca de passes se desenrolou fácil na intermediária, até Rodri receber e finalizar com destreza de fora da área, mandando a bola no cantinho. O placar elástico parecia apenas uma questão sobre quantos os Citizens estariam dispostos a marcar, tamanha tranquilidade com que conduziam a partida. Os Gunners estavam entregues.

O City teria Raheem Sterling e Riyad Mahrez na sequência do segundo tempo, nos lugares de Bernardo Silva e Gabriel Jesus, que se saíram muito bem enquanto estiveram em campo. Já o Arsenal trocou o nulo Pierre-Emerick Aubameyang por Alexandre Lacazette. Nada que tenha melhorado a situação. O jogo se desenvolvia nos arredores da área dos Gunners, com passes de pé em pé dos Citizens. Sterling queria marcar o seu, mas parou numa defesaça de Leno aos 22 e logo depois mandou um tiro venenoso rente à trave. Os Gunners mal passavam do meio-campo e, quando Lacazette finalmente arrancou em velocidade, se enroscou sozinho.

Aos 30 minutos, a posse de bola do Manchester City chegou a absurdos 91% apenas na segunda etapa. Era esse o tamanho do domínio. O time terminaria a tarde com 81% de posse no geral e 25 finalizações, dez delas no alvo, contra só uma do Arsenal – aquela de Saka no comecinho. Dava até a impressão de que Pep Guardiola falou para os seus jogadores pouparem o antigo assistente Mikel Arteta. Sterling e Mahrez davam um pouco mais de gás no ataque, mas Leno chegou a bloquear o inglês no mano a mano.

Se o placar precisava ficar mais condizente com o domínio, porém, eram necessários mais gols do Manchester City. O quinto, por fim, aconteceu aos 39. Mahrez rabiscou pela direita e cruzou, com Ferrán Torres se antecipando a Leno para desviar de cabeça. Na reta final, o Arsenal se resumiu a lances individuais de Smith-Rowe, facilmente neutralizados pela marcação celeste. E o sexto só não tomou forma no placar porque Leno rebateu um tiro de Mahrez nos acréscimos e logo depois salvou um chute de João Cancelo na cara do gol, após grande lançamento de Gündogan. Pelo que foi o jogo, ficou barato aos Gunners.

O Manchester City se recupera na Premier League, após a derrota na estreia contra o Tottenham. A equipe chega aos seis pontos e aguarda a sequência da rodada para saber sua posição. Já o Arsenal vê seu pesadelo se ampliar, depois das derrotas para Brentford e Chelsea. Os Gunners ocupam a última colocação. É a primeira vez desde os anos 1950 que o clube sofre três derrotas nas três primeiras rodadas do Campeonato Inglês. E, ainda que a tabela seja difícil e o time esteja incompleto, isso não justifica o futebol fraquíssimo dos londrinos. Apresentaram um nível digno de rebaixamento, sem qualquer escape ao ataque e sequer espírito de luta.

Classificação fornecida por SofaScore LiveScore

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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