Premier League

O Manchester City precisou acreditar até os 52 do segundo tempo para virar contra o Bournemouth

“Sterling, do milagre!”. Quando a bola entrou para o Manchester City, com o relógio quase batendo os 52 minutos do segundo tempo, foi impossível não imaginar a narração clássica de Paulo Andrade sobre o gol de Sergio Agüero no título de 2011/12. Os Citizens realmente viviam um milagre, após um jogo bastante difícil contra o Bournemouth. Os anfitriões saíram em vantagem, souberam segurar o ímpeto dos visitantes durante a maior parte do tempo e poderiam muito bem ter ficado com a vitória no Estádio Dean Court. No entanto, foi o time de Pep Guardiola que triunfou por 2 a 1, em um resultado que não deixará de ser lembrado com polêmica, já que o árbitro havia apontado inicialmente cinco minutos de acréscimos e deixou o relógio rolar por dez. Ao final, o City se alavanca na tabela da Premier League, com sete pontos, enquanto o Bournemouth permanece zerado.

Guardiola mandou o Manchester City a campo com a principal novidade no ataque. Gabriel Jesus desta vez permaneceu centralizado no setor, com Sergio Agüero relegado ao banco de reservas, enquanto Bernardo Silva e Raheem Sterling compunham as pontas. Fato é que os visitantes não começaram bem a partida. Pressionando a marcação, o Bournemouth abriu o placar aos 13 minutos, em um voleio fantástico de Charlie Daniels na lateral da área. Mesmo sem muito ângulo, o ala arriscou a sapatada e foi muito feliz, com a bola tocando o travessão antes de entrar. Já candidato ao gol mais bonito da temporada inglesa. Pouco depois, Ederson ainda salvaria o segundo, em tentativa de Jermaine Defoe.

A reação do Manchester City demorou a vir, apenas depois dos 20 minutos. E o empate impulsionou o time, aos 21. David Silva deu um passe magistral para Gabriel Jesus, enfiando a bola por entre os zagueiros. O camisa 33 avançou em velocidade e tocou com a ponta da chuteira para vencer Asmir Begovic. Era o melhor momento dos Citizens na partida, enfim com mais volume de jogo e dominando as ações no campo de ataque. A virada parecia questão de tempo. O Bournemouth deu sorte ao não ver Nathan Aké expulso por uma falta em Gabriel Jesus, que o árbitro aliviou. Já nas melhores chances, Begovic parou Bernardo Silva e Fernandinho.

Na volta para o segundo tempo, o Manchester City perdeu ritmo. O Bournemouth jogava de maneira bastante inteligente, fechando os espaços e ameaçando nos ataques rápidos. Joshua King só não marcou o segundo porque a trave impediu. Enquanto isso, os Citizens penavam para conseguir criar algum lance de perigo. Exceção feita a uma cabeçada de Nicolas Otamendi também na trave, as chances eram raras. As alterações de Guardiola não surtiram tanto efeito. Agüero veio na vaga de Bernardo Silva e até lutava contra a defesa, mas não era tão efetivo. Depois veio ainda Leroy Sané, substituindo Gabriel Jesus.

Diante da letargia do Manchester City, o Bournemouth de novo ficou a um triz do segundo gol, nos acréscimos. Em contra-ataque, Ederson espalmou o arremate de Joshua King. O tempo extra se estendia, com algumas paradas. Mesmo assim, o árbitro Mike Dean deu margem à contestação ao permitir dois minutos além do assinalado, quando Sterling anotou o gol da vitória. O tento nasceu em uma boa jogada coletiva, com troca de passes dos Citizens. Danilo cruzou e o inglês, que não vinha bem no jogo, chutou prensado para vencer Begovic. Depois, por comemorar com a torcida, acabou expulso ao receber o segundo amarelo. Por fim, a bola rolou até os 55, com os rubro-negros partindo com tudo ao ataque, mas sem arrancar a virada.

O Manchester City melhorou o seu elenco em relação à temporada passada, mas custa a convencer completamente. As três primeiras partidas do time na Premier League ficaram aquém do esperado – por mais que o empate contra o Everton não tenha sido tão ruim, considerando a postura ofensiva do time quando tinha um jogador a menos. De qualquer maneira, os sete pontos somados já garantem ao menos uma posição no pelotão de frente.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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