As disparidades entre Liverpool e Everton são evidentes, mas o jejum de vitórias no clássico maltratava exageradamente os Toffees. Desde o triunfo pela oitava rodada da Premier League 2010/11, o lado azul da cidade não sabia o que era derrotar os vermelhos. Foram 23 partidas na seca, somando todas as competições, com 11 vitórias dos Reds. Este sábado, porém, guardaria o desafogo do Everton. Pela primeira vez em mais de uma década, o clube ganhou o , aproveitando a má fase da equipe de Jürgen Klopp. entrou de vez na memória da torcida, ao aproveitar o passe de James Rodríguez e abrir a vitória. Outro protagonista foi Pickford, que fechou o gol para preservar a vantagem, até que Sigurdsson definisse o triunfo por 2 a 0 no final. Mais emblemático, os Toffees ainda não tinham vencido em Anfield neste século, com o último registro glorioso no restrito a 1999.

O Everton começou o clássico tentando sufocar o Liverpool e precisou de três minutos para iniciar a grande história, com seu primeiro gol. James Rodríguez pegou a bola com espaço na intermediária, viu a passagem de Richarlison e foi letal. O colombiano deu uma enfiada perfeita ao brasileiro, que dominou e bateu cruzado, tirando do alcance de Alisson. Já pressionado por três derrotas consecutivas na Premier League, o Liverpool precisaria jogar contra o relógio e, mais importante, contra uma defesa muito bem composta por Carlo Ancelotti.

Durante os primeiros minutos, o Everton permaneceu melhor na partida, até que o Liverpool despertasse e ganhasse campo. Ainda assim, os Toffees não davam muitas brechas em sua área. A primeira boa chance do Liverpool saiu aos 20, num chute de Jordan Henderson que Jordan Pickford desviou com a ponta dos dedos. O goleiro, tão criticado nos últimos tempos, faria outra defesaça em tentativa de Trent Alexander-Arnold na sequência. Só que o momento dos Reds logo se quebraria, com uma nova lesão a atrapalhar o sistema defensivo. Henderson sentiu a coxa e acabou substituído por aos 29.

O Everton voltaria a sonhar alto logo depois, mas Alisson evitou um saldo pior. cruzou e Seamus Coleman cabeceou à queima-roupa, para o goleiro realizar seu milagre. Por mais que o Liverpool permanecesse no campo de ataque, não conseguia construir grandes jogadas com seu tridente ofensivo. Os Toffees tinham seus méritos, com um grande trabalho defensivo para neutralizar as chegadas de Sadio Mané e Mohamed Salah.

Na volta ao segundo tempo, o Liverpool era outro time. Acelerava muito mais e acuava o Everton, que ainda conseguia abafar as finalizações dentro da área. Os Reds chegaram a beirar os 90% de posse de bola. No melhor , Michael Keane foi perfeito para travar Mané, num desarme crucial. Os Toffees só voltariam a respirar por volta dos 15 minutos, com Richarlison partindo para cima de Ozan Kabak, mas a equipe não aproveitaria as oportunidades. Foram lances importantes para aliviar a pressão.

Jürgen Klopp acionaria Xherdan Shaqiri no banco de reservas. E na primeira boa jogada com participação do suíço, Pickford voltaria a se agigantar. Salah tabelou com o substituto e, de frente para o gol, viu o arqueiro fechar o ângulo para evitar o empate. Os Reds davam indícios que podiam mais, mas encontravam muitas dificuldades para penetrar na linha azul de cinco defensores, com boa proteção também da trinca de meio-campistas. Isso foi chave até que o caminho se abrisse definitivamente à vitória do Everton, aos 36 minutos.

Richarlison foi outra vez decisivo, iniciando o contra-ataque e dando o passe para Dominique Calvert-Lewin. O atacante, que se recuperou de lesão recentemente e saiu do banco pouco antes, bateu em cima de Alisson. Contudo, Alexander-Arnold levantou o pé e derrubou Calvert-Lewin na área quando o adversário tentava buscar o rebote. Pênalti. Outro a sair do banco, Gylfi Sigurdsson cobrou com muita segurança e mandou no canto, sem que Alisson alcançasse. O Liverpool tentaria responder rápido, num chute perigoso de Firmino, que saiu desviado. Mesmo com os longos acréscimos, ficaria difícil de reagir e buscar a diferença. No fim, a defesa do Everton voltaria a brilhar. Keane faria outro ótimo desarme vital e Pickford fecharia sua lista de defesas, desviando com a ponta dos dedos um chute venenoso de Georginio Wijnaldum. Ninguém tiraria esse prazer do lado azul da cidade, após uma década de espera.

O Everton ainda não ultrapassa o Liverpool, mas iguala os 40 pontos dos Reds e tem um a menos. Os Toffees ocupam a sétima colocação, uma abaixo dos rivais. O objetivo é reduzir a diferença em relação ao G-4 – o Chelsea abre a zona de classificação à Champions com 43 pontos. Em péssimo momento, o Liverpool perde a quarta consecutiva pela Premier League, o que não acontecia desde 2002. E mesmo que o Everton não atravesse seu momento mais regular, esse é o melhor resultado possível para o time de Carlo Ancelotti crescer na reta final da temporada.

Classificação fornecida por SofaScore LiveScore