Premier League

O gol belíssimo de Ings e a emoção de Hasenhüttl traduzem bem o peso da vitória do Southampton sobre o Liverpool

Ao apito final, uma imagem resumia o tamanho da vitória do Southampton nesta segunda-feira: Ralph Hasenhüttl desabou de joelhos no gramado, para celebrar o triunfo sobre o Liverpool no Estádio St. Mary’s. De olhos marejados, o treinador seguiu ao campo para cumprimentar comandados e adversários. Não foi uma grande atuação dos Reds, bastante limitados em suas ações, apesar da pressão nos minutos finais. Em compensação, os Saints tiveram muitos méritos no placar de 1 a 0, com o golaço de Danny Ings e toda a entrega para evitar que os visitantes causassem mais riscos. O resultado mantém o Southampton no páreo pelas copas europeias, ao passo que bagunça o topo da tabela, com o Liverpool igualado ao Manchester United. A descarga emocional de Hasenhüttl foi plenamente compreensível.

Jürgen Klopp segue lidando com os infindáveis desfalques no Liverpool. Desta vez, o miolo de zaga teve os improvisados Fabinho e Jordan Henderson. Pois a defesa logo entregaria a vitória ao Southampton, com o gol anotado aos dois minutos. Em uma cobrança de falta na intermediária, James Ward-Prowse bateu com muita categoria na bola, lançando para a área. Trent Alexander-Arnold errou o corte e permitiu que Ings recebesse o passe com liberdade. O sabor do tento, de qualquer maneira, veio na definição espetacular do centroavante: de primeira, deu um leve toque por cobertura, pegando Alisson desprevenido e mandando a pelota mansa para dentro. O ex-jogador dos Reds até se conteve na comemoração, apesar da importância e da beleza do lance.

Com a vantagem no placar, o Southampton pôde fazer o seu jogo. E isso não significou uma retranca, com os Saints marcando alto e tentando roubar a bola no campo de ataque. Do outro lado, o Liverpool tentava acionar principalmente a velocidade de seus homens de frente, mas com pouco sucesso. Apesar de certa impressão de vulnerabilidade, o time de Ralph Hasenhüttl acertava a cobertura, dando poucos espaços às finalizações. Melhor nas divididas, o Southampton ainda era mais perigoso quando tinha suas oportunidades.

O segundo gol poderia ter saído aos 30, num chute colocado de Moussa Djenepo que seguiu para fora. O meia precisou sair logo depois e seu substituto, Nathan Tella, também teve uma chance de ouro aos 41. O jovem limpou a marcação e mirou o canto, mas o tiro da entrada da área passou a centímetros da trave. Do outro lado, o Liverpool dependia basicamente da iniciativa de Mané. O senegalês criaria a principal chance dos visitantes, em cruzamento que Mohamed Salah não cabeceou em cheio e mandou para fora.

Um dos grandes méritos do Southampton durante o primeiro tempo foi a maneira como seu meio-campo abafou Thiago Alcântara na construção. Na volta do intervalo, o Liverpool parecia mais disposto a aumentar o ritmo e passou a incomodar nos arredores da área. A marcação dos Saints, ainda assim, se mantinha atenta para os bloqueios que frustravam a maior parte das investidas. Klopp também não trouxe grandes mudanças a partir do banco de reservas, com a entrada de Xherdan Shaqiri aos 12 minutos.

O desespero batia no Liverpool, que precisava reagir. A solução quase sempre era entregar a bola a Mané, mas a defesa do Southampton recuou no segundo tempo e não concedia brechas. Quando o senegalês conseguiu uma finalização certa ao seu time, apenas aos 30 minutos, Fraser Forster não precisou de muito esforço para defender sem dar rebote. Os visitantes criavam pouquíssimo e não foi a entrada de James Milner que ajudou.

Do outro lado, pelo contrário, o Southampton ganhou mais vigor com as mexidas. E de novo os Saints poderiam ter anotado o segundo, aos 40. Numa saída errada de Alisson fora da área, Yan Valery bateu por baixo do goleiro, mas o arremate saiu fraco e a zaga salvou na hora exata. No fim, mesmo com Alisson subindo ao ataque, as tentativas do Liverpool se limitaram a chutes para fora e cruzamentos sem direção, infrutíferos.

O Liverpool teve mais posse de bola e finalizou mais, o que não significou um controle do jogo. O Southampton foi muito mais seguro e mais contundente quando pôde atacar. A emoção de Ralph Hasenhüttl, de certa maneira, reconhece tal postura de seus comandados. Com a vitória, os Saints ocupam a sexta colocação. Depois de uma sequência de quatro partidas sem vencer, a equipe se iguala a Manchester City e Everton, apesar dos jogos a mais. Já os Reds emendam três jogos em jejum, com atuações fracas fora de casa. O time de Jürgen Klopp ainda lidera com 33 pontos, mas só está à frente do Manchester United no saldo de gols – e com uma partida a mais que os Red Devils.

Hasenhüttl se emociona após a vitória sobre o Liverpool (Adam Davy – Pool/Getty Images/One Football)

Classificação fornecida por SofaScore LiveScore

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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