O empate prevaleceu no placar, mas o futebol ganhou com o jogaço entre Chelsea e Liverpool

Nem sempre o duelo entre equipes renomadas cumpre as expectativas. É natural esperar um jogo mais cauteloso, sobretudo quando o confronto direto pode valer seis pontos na briga por um título. No entanto, não foi isso que aconteceu em Stamford Bridge. No confronto entre invictos na Premier League, Chelsea e Liverpool ofereceram tudo o que se esperava: uma partida aberta, com muitas chances de gol e emoção até o final. Espetáculo com a assinatura de Maurizio Sarri e Jürgen Klopp, três dias depois da entretida noite pela Copa da Liga Inglesa. Até parecia que Eden Hazard seria de novo o protagonista. O belga fazia uma exibição grandiosa, se reafirmando como o melhor neste início de temporada inglesa, e anotou o gol que abriu o placar. Só que as pelejas memoráveis também possuem sua dose de inesperado. E ela surgiu aos 43 minutos, quando os Reds buscaram o empate. Depois de muito tentarem, arrancaram a igualdade graças a um chute espetacular (e totalmente imprevisível) de Daniel Sturridge. Justo 1 a 1, em que o ganhador estava nas arquibancadas e diante da televisão.
Se ambos os treinadores resolveram poupar titulares no compromisso pela Copa da Liga, desta vez vieram com força máxima. O Chelsea contava com a volta de Jorginho e N’Golo Kanté no meio, acompanhados por Mateo Kovacic. Já no ataque, Eden Hazard retornou ao lado de Willian e Olivier Giroud. O mesmo ocorreu no Liverpool. A defesa, inteira reserva no meio de semana, contava novamente com os titulares. James Milner foi o único mantido no meio, ao lado de Jordan Henderson e Georginio Wijnaldum. E na frente, o consagrado trio formado por Roberto Firmino, Sadio Mané e Mohamed Salah.
O Liverpool teve um início de jogo mais ativo em Stamford Bridge, criando chances de gol. Faltava melhorar as finalizações, com a maior parte das tentativas indo sem direção. A postura incisiva dos Reds, porém, também dava espaços ao Chelsea. E a velocidade dos Blues nas trocas de passes se tornou um trunfo, que passou a funcionar a partir dos 20 minutos. Foi assim que os anfitriões deram o primeiro susto, num ótimo lançamento de David Luiz para Willian. O atacante saiu na cara do gol, mas Alisson fechou bem o ângulo e fez uma defesa fundamental. Logo depois, sairia o gol dos londrinos, aos 24 minutos. O contragolpe começou com um passe de letra de Hazard. Kovacic deu uma enfiada de bola cirúrgica ao belga, que saiu em disparada. Invadiu a área e a finalização foi perfeita, no canto da meta de Alisson, que não alcançou.
O Liverpool quase arrancou o empate na sequência, com Salah. O atacante chegou a driblar Kepa Arrizabalaga, mas viu Antonio Rüdiger salvar seu chute em cima da linha, de maneira espetacular. Por mais que tentasse bastante e incomodasse com seus dribles, o egípcio passa longe da precisão da última temporada. O fim do primeiro contou com uma postura mais agressiva do Liverpool, passando a ter mais posse de bola. Faltava o ajuste fino em seu ataque. O intervalo garantia a vantagem ao Chelsea, pelos méritos de sua transição.
O jogo ganharia ainda mais intensidade no segundo tempo. Tentando se recompor, o Liverpool quase empatou aos 12 minutos, em chute rasteiro de Mané que rendeu defesaça de Kepa. Já a resposta do Chelsea vinha a partir da velocidade de sua linha de frente. Depois de uma esperta cobrança de falta de Kanté, Hazard poderia ter ampliado pouco depois, em novo lance com liberdade pela esquerda. Desta vez, parou em ótima intervenção de Alisson, que saiu do gol e bloqueou o arremate do atacante. Logo Maurizio Sarri e Jürgen Klopp fariam suas primeiras substituições. Os Blues tentaram renovar as energias de seu ataque com Alvaro Morata no lugar de Olivier Giroud. Já os Reds abriram mão de Salah. O egípcio saiu de campo com cara de poucos amigos, suplantado por Xherdan Shaqiri.
Seria um novo momento de pressão do Liverpool a partir de então. Shaqiri quase empatou em uma de suas primeiras participações, após cruzamento na medida da esquerda. Estava livre dentro da área, mas pegou mal. Depois, em cabeçada de Firmino, seria a vez de David Luiz tirar a bola em cima da linha mais uma vez, evidenciando a grande exibição do zagueiro. Os Reds até pareciam perder fôlego, com os Blues fechando bem os espaços na defesa. A sorte dos visitantes só mudou quando Klopp botou seu time de vez no ataque, sacando Milner para a entrada de Sturridge aos 40. Três minutos depois, o inglês tirou o coelho da cartola. Acertou um chute que poucos poderiam imaginar, de fora da área, aproveitando o espaço. O chute cruzado morreu no ângulo de Kepa, que saltou atrasado e não conseguiu alcançar o balaço. Ao final, a última esperança foi do Chelsea, em desvio de Marcos Alonso que seguiu para fora. Prevaleceu o empate.
Talvez o maior símbolo do que foi a noite em Stamford Bridge tenha vindo depois do apito final. Membros de ambos os clubes estavam sorrindo em campo, enquanto se cumprimentavam. Sabiam que tinham apresentado um ótimo espetáculo a quem assistiu, sem renegar os seus estilos e o ímpeto de buscar o ataque. Melhor ao futebol. Pela segunda vez na semana, Sarri e Klopp ressaltaram suas virtudes, à frente de dois fortes candidatos aos títulos que disputam.
No topo da tabela, contudo, quem se aproveita é o Manchester City. Com a vitória tranquila sobre o Brighton, os celestes chegaram aos 19 pontos e assumem a liderança da Premier League. Superam o Liverpool, agora segundo colocado, graças ao saldo de gols. Já o Chelsea é o terceiro, com 17 pontos, depois de ter perdido os 100% de aproveitamento na rodada passada, ao empatar com o West Ham. Pelo futebol que apresentam, são os três principais concorrentes à taça, embora Tottenham e Arsenal permaneçam no encalço neste início de campanha.



