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O Chelsea termina de quebrar a banca e tira Enzo Fernández do Benfica, na quinta maior contratação da história

O Chelsea pagou €121 milhões pela cláusula de rescisão de Enzo Fernández, num mercado de inverno em que desembolsou €329,5 milhões no total

Enzo Fernández experimentou uma Copa do Mundo transformadora, e não apenas para si. O meio-campista mudou a história da Argentina na competição e sua entrada na equipe titular esteve entre as razões que levaram os comandados de Lionel Scaloni ao título. Eleito o melhor jovem do torneio, com uma série de atuações excepcionais, o volante se tornou alvo de cobiça no mercado de transferências. E o Chelsea não quis esperar para acertar a contratação, no fechamento da janela. Os Blues bancaram o valor altíssimo pedido pelo Benfica, €121 milhões, que ainda beneficiam o River Plate com 25% do montante. É o quinto negócio mais caro da história do futebol e o novo recorde para um futebolista argentino. O contrato assinado até 2031 auxiliará a dividir a fortuna nos balanços do Chelsea, enquanto o pagamento também será parcelado aos benfiquistas. O futebolista chegará a Londres nesta quarta-feira, após realizar os exames médicos em Lisboa.

Em meio a tantos recordes, a chegada de Enzo Fernández complementa a temporada do Chelsea como a que mais gastou dinheiro na história do futebol. Os Blues totalizam um investimento de €611 milhões, considerando o verão e o inverno. Somente em janeiro, os londrinos desembolsaram €329,5 milhões. Para se ter uma ideia, nenhum outro clube chegou perto de gastar na temporada inteira esses valores. O mais próximo foi o Manchester United, com €243 milhões totais. Juntando as contratações de todos os times do campeonato, Bundesliga e La Liga sequer superam esse sarrafo de Stamford Bridge. Serie A e Ligue 1 ultrapassam por pouco. É um desequilíbrio imenso, possibilitado não apenas pela chegada do proprietário Todd Boehly, mas também pelas manobras dos Blues em seus balanços. O clube resolveu aplicar contratos mais longos para amortizar as dívidas e, assim, aliviar no Fair Play Financeiro.

Apesar dos necessários questionamentos extracampo, não há dúvidas de que Enzo Fernández é um excelente acréscimo para o Chelsea. Aos 22 anos, o volante parece pronto a causar impacto no time de Graham Potter. Porém, a maneira como os Blues vão gerindo seus reforços gera outras indagações. Não há muitos sinais de planejamento. A diretoria buscou uma série de jovens promissores, incluindo também Mykhaylo Mudryk, Benoît Badiashile, Noni Madueke, Andrey Santos, David Datro Fofana, Malo Gusto e o emprestado João Félix. Ainda assim, há posições carentes e nem todos os negócios se sugeriam urgentes para os valores pagos pelos londrinos. A ordem era comprar.

O elenco do Chelsea, no momento, tem mais de 30 jogadores à disposição. E o clube não se preocupou muito em se desfazer das peças no atual mercado – vide o que aconteceu com Hakim Ziyech, em negócio frustrado rumo ao PSG. A exceção foi a venda de Jorginho para o Arsenal. Ao menos, a saída do meio-campista abre mais espaço para Enzo Fernández se firmar, enquanto as lesões de N'Golo Kanté e Denis Zakaria são outros problemas na faixa central. A compra do argentino deve alçá-lo de cara como protagonista. Até porque vai precisar preencher a lacuna deixada por Jorginho, um dos capitães e instrumental na conquista da Champions League em 2020/21.

As características de jogo de Enzo Fernández tendem a facilitar sua adaptação na Premier League. O meio-campista possui uma leitura privilegiada, especialmente no aspecto tático. Sabe encontrar os espaços e também auxiliar a organização de suas equipes. Tem bom passe, especialmente nos lançamentos, e chegada ao ataque para contribuir com gols, além da pegada necessária dentro do campeonato. E se o Chelsea ainda tateia a sua identidade, não será surpresa se Graham Potter moldar esse novo momento do time a partir de seus talentos. Pelo dinheiro investido, Enzo Fernández chega como uma pedra angular.

Apesar do pouco tempo de carreira, Enzo Fernández acumula sucessos. O meio-campista surgiu na base do River Plate, mas teve seu primeiro grande momento no Defensa y Justicia. Destacou-se no time que conquistou a Copa Sul-Americana em 2021. Na volta ao Monumental de Núñez, o volante virou um dos líderes técnicos da equipe de Marcelo Gallardo. Foi recompensado com a conquista do Campeonato Argentino e um amadurecimento crescente. Já a contratação do Benfica por €14 milhões no início da temporada soa como pechincha. O argentino era imprescindível no Estádio da Luz, um dos responsáveis pela liderança no Campeonato Português e pela ótima campanha na Champions League. Algo que se refletiu também na seleção, com sua ascensão meteórica às vésperas da Copa do Mundo e a excepcional participação no Catar.

Logo depois da Copa do Mundo, o Benfica até indicou que não fazia questão de vender Enzo Fernández agora. Porém, o meio-campista demonstrou seu desejo de sair e o Chelsea também passou a atender as demandas do clube, com o preço estipulado na cláusula rescisória. Não havia motivos para segurar. Os encarnados perdem um nome importantíssimo para cumprir os objetivos na segunda metade da temporada, mas ficava difícil forçar a situação se o argentino estava mesmo propenso a sair. Além do mais, é um dinheiro que poderá garantir novos investimentos no futuro e que reafirma a vocação dos benfiquistas no mercado de transferências.

Já para Enzo Fernández, essa é uma transferência que muda seu status no futebol internacional. Seu preço é de estrela, mesmo que inflacionado pela maneira como o Chelsea vem agindo no mercado. Não é um valor comum ainda mais para um volante, e que gerará cobranças sobre o jovem. Além disso, ele estará bem mais visado na Premier League e se junta a uma equipe que, neste momento, é uma mera figurante no meio da tabela. Contudo, em seu histórico recente, Enzo já demonstrou que pode mudar as perspectivas de um time a partir de sua entrada. O ponto agora é a regularidade que se cobrará, numa jornada mais extensa que os sete compromissos de uma Copa do Mundo.

Foto de Leandro Stein

Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreveu na Trivela de abril de 2010 a novembro de 2023.
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