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O Brighton premia a temporada sensacional e confirma sua participação inédita nas copas europeias

Com a vitória sobre o Southampton, o Brighton se garantiu pelo menos na Conference League, mas a tendência é que fique com a vaga na Liga Europa

O Brighton faz um trabalho espetacular nas últimas temporadas da Premier League. O ápice, ainda assim, é o sucesso registrado em 2022/23. Nem mesmo a saída de Graham Potter atrapalhou as Gaivotas, que conseguiram elevar seu nível de jogo a partir da chegada de Roberto De Zerbi. E o prêmio maior se confirmou neste domingo, com duas rodadas de antecedência: o clube disputará as copas europeias em 2023/24, algo inédito em sua história. Com a vitória por 3 a 1 sobre o Southampton, o Brighton confirmou pelo menos a sétima colocação e a vaga na Conference. Porém, com uma vantagem ampla no saldo dentro da sexta colocação, o mais provável é que os alviazuis figurem na Liga Europa. É um feito imenso, que reconhece o trabalho muito bem feito.

O Brighton tinha alcançado a elite do Campeonato Inglês pela primeira vez em 1979. Disputou quatro temporadas consecutivas na primeira divisão, mas sem passar do 13° lugar. A atual jornada na Premier League marca a maior estabilidade da equipe na elite, com seis participações seguidas. Nos quatro primeiros anos, as Gaivotas se resignaram a lutar contra o rebaixamento. Na temporada passada, a nona colocação já tinha sido um marco inédito. Isso até que os alviazuis subissem mais alguns degraus e se garantissem entre a sétima e a quinta posição na atual campanha.

Vários nomes merecem ser elogiados pela caminhada do Brighton. A começar por Chris Hughton, o responsável pelo acesso em 2017 e que permaneceu à frente da equipe nas duas primeiras temporadas na Premier League. Graham Potter conseguiu elevar o nível a partir dos três anos seguintes, botando as Gaivotas no meio da tabela. Mas, em termos de futebol, não se nega que Roberto De Zerbi tenha proporcionado uma evolução. O jogo ofensivo dos alviazuis se potencializou na atual temporada, especialmente a partir de janeiro, quando o trabalho do italiano engrenou depois de um início com mais tropeços.

O Brighton passou 28 das 37 rodadas disputadas até o momento na zona de classificação às copas europeias, e isso porque as partidas atrasadas por conta do falecimento da Rainha Elizabeth II atravancaram o calendário do time. Durante o início da campanha, as Gaivotas passaram quatro rodadas na zona da Champions. Depois, com a transição no comando, se firmaram na área de Liga Europa e Conference. Alguns resultados são emblemáticos, com dois triunfos sobre Manchester United e Chelsea, além dos 3 a 0 sobre o Liverpool no segundo turno.

Proprietário do Brighton desde 2009, Tony Bloom também tem grande responsabilidade nesse salto conseguido pelo clube. Torcedor das Gaivotas, o empresário vem de uma família de dirigentes, com seu tio e seu avô ocupando cadeiras importantes na década de 1970. Mas foi por suas mãos que os alviazuis se impulsionaram da League One à Premier League em seis anos, com muita capacidade no mercado de transferências. Afinal, além de acertar repetidas vezes na escolha dos treinadores, o Brighton se mostra cada vez mais capaz de pinçar talentos pouco badalados e garantir destaque em alto nível.

O time que faz história nesta Premier League é muito bom. Jason Steele e Robert Sánchez são duas boas opções no gol. Lewis Dunk é a grande referência na defesa, no elenco desde os tempos de terceirona. Adam Webster, Joël Veltman e Pervis Estupiñán formam ao seu lado um quarteto consistente na zaga. Moisés Caicedo e Alexis Mac Allister são dois fenômenos no meio, enquanto Pascal Gross faz ótima temporada e é outro bastião desde a volta para a Premier League. Já na frente, a saída de Leandro Trossard nem fez tanta falta. Há opções boas com Deniz Undav, Danny Welbeck e principalmente Kaoru Mitoma, enquanto Solly March é mais um decano desde a segundona. Evan Ferguson, Facundo Buonanotte e Julio Enciso ainda geram expectativas para mais no futuro, enquanto o clube aguarda a chegada de João Pedro, já contratado junto ao Watford para a próxima temporada.

Neste domingo, o Brighton contou justamente com o talento do jovem atacante Evan Ferguson, grande promessa de 18 anos, para abrir vantagem no primeiro tempo contra o Southampton. Ferguson inaugurou o placar aos 30 minutos, com um chute rasteiro por baixo do goleiro Alex McCarthy. O próprio Ferguson ampliou a contagem aos 40, oportunista após a jogadaça de Kaoru Mitoma pela esquerda. O Southampton reviveu no segundo tempo. Mohamed Elyounoussi descontou numa cabeçada aos 13 e Theo Walcott balançou as redes outra vez aos 19, mas o empate foi anulado por um impedimento milimétrico. Passado o susto, o Brighton confirmou a vitória aos 24, com um chute no cantinho de Pascal Gross.

O Brighton continua na sexta colocação, com 61 pontos, e não pode mais ficar abaixo do sétimo lugar, o que o levará pelo menos à Conference. Não pode mais alcançar a vaga na Champions, mas fica numa situação muito cômoda para se garantir na Liga Europa. Basta empatar pelo menos um de seus dois últimos jogos. No meio da semana, as Gaivotas recebem o Manchester City em partida atrasada. Já na rodada final, a equipe visita o Aston Villa em Birmingham. Embora os Villans ainda possam igualar a pontuação do Brighton, três pontos atrás, a ampla vantagem no saldo de gols encaminha a situação dos alviazuis. O Southampton, rebaixado anteriormente, é o lanterna da Premier League com 24 pontos.

Em outra partida deste domingo, o West Ham afundou um pouco mais o Leeds United, ao buscar a virada por 3 a 1 no Estádio Olímpico. Os Whites começaram bem e abriram a contagem aos 17 minutos, com Rodrigo Moreno aproveitando uma cobrança de lateral na área para emendar de primeira. O empate do West Ham saiu aos 31, numa linda jogada coletiva, em que Jarrod Bowen levantou para a conclusão de Declan Rice. O próprio Bowen decretou a virada aos 26 do segundo tempo, ao se infiltrar na área e finalizar na saída do goleiro Joel Robles. Por fim, Lucas Paquetá fez grande jogada pela linha de fundo e enfileirou os marcadores, antes de rolar para Manuel Lanzini guardar e fechar a vitória. O West Ham, que já tinha se safado matematicamente da queda, chegou aos 40 pontos e ocupa o 14° lugar. O Leeds é o antepenúltimo, na zona de rebaixamento. Tem 31 pontos, a dois de deixar o Z-3.

Foto de Leandro Stein

Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreveu na Trivela de abril de 2010 a novembro de 2023.

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