Premier League

Nuno admite ter tomado decisões ruins no clássico, e Lucas Moura diz que Tottenham “não tentou jogar”

A terceira derrota pesada seguida pela Premier League gerou declarações fortes do técnico dos Spurs e do brasileiro Lucas Moura

Um gol de Son a cerca de dez minutos do fim, quando o dérbi do norte de Londres estava para lá de resolvido, foi a única coisa que impediu que o Tottenham perdesse pela terceira vez seguida na Premier League por 3 a 0. Preocupou a maneira como foi atropelado pelo Arsenal no primeiro tempo, e o técnico dos Spurs, Nuno Espírito Santo, admitiu que teve uma parcela grande de responsabilidade. Lucas Moura foi mais duro e criticou o pouco que o seu time tentou fazer.

Nuno não foi a primeira opção do Tottenham após a demissão de José Mourinho – em uma semana de final de Copa da Liga Inglesa. Houve interesse em pelo menos outros seis nomes, de Mauricio Pochettino e Antonio Conte a Paulo Fonseca e Gennaro Gattuso, antes da contratação do português. Embora Nuno viesse credenciado pelo ótimo trabalho à frente do Wolverhampton, havia também uma dissociação entre o estilo mais cauteloso apresentado no Molineux e o jogo ofensivo que o presidente do Tottenham, Daniel Levy, dizia procurar para a sua equipe.

O começo foi promissor, com três vitórias por 1 a 0, incluindo sobre o Manchester City, e a perspectiva era de melhora com o retorno de Harry Kane, que acabou ficando no Tottenham após tentar forçar sua saída ao atual campeão inglês. Ao contrário, vieram derrotas pesadas para Crystal Palace, Chelsea e agora Arsenal. Se contra os Blues houve otimismo por um bom primeiro tempo, não há muita coisa a ser salva do jogo do último domingo.

“Estamos no futebol há tempo demais para saber que os pontos positivos do segundo tempo neste jogo ficarão quase perdidos. Essa ideia de que se conseguíssemos um gol no começo do segundo tempo talvez pudéssemos reagir. Não aconteceu, mas todos os pontos positivos são frágeis em termos de análise do que deveríamos fazer”, disse Nuno.

“Muita coisa deu errado, começando com as decisões que eu tomei. Não é fácil expandir sobre isso, então peço um pouco de respeito se eu não entrar muito nisso. O plano de jogo não funcionou. Sou muito honesto. Se o plano de jogo não funcionou como eu queria que funcionasse, é porque eu não o decidi bem. Eu decidi mal. Eu não tomei as decisões certas. E me recuso a ir muito além disso. A responsabilidade é minha. Tudo que eu tenho a dizer direi aos jogadores. Porque nós precisamos resolver o problema”, completou.

Ao anunciar Nuno Espírito Santo, Daniel Levy reforçou a necessidade de retomar o DNA de “futebol ofensivo e divertido” do Tottenham. Mas o Wolverhampton que subiu com o português e emendou excelentes campanhas na Premier League, derrotando times mais ricos e se classificando para a Liga Europa, era uma equipe muito mais focada em defesa e rápidos contra-ataques, geralmente trabalhando em jogos com placares mais próximos.

Por enquanto, o Tottenham está mais parecido com isso do que com um time “ofensivo e divertido”. Lucas Moura cobrou mais de agressividade e curiosamente repetiu algumas críticas que eram feitas ao time do antecessor de Nuno, Mourinho, especialmente na construção do jogo ofensivo.

“Eu acho que eles aproveitaram nossos erros. Demos muitos espaços para eles. E não tentamos jogar. Nós não tentamos jogar. Não tentamos ter a bola. Nós temos qualidade para ter a bola, construir, fazer mais do que fizemos. Tantas bolas longas. Não fomos agressivos o suficiente e ele nos puniram”, disse. “Mesmo perdendo por 3 a 0, não havia terminado. Fizemos diferente no segundo tempo, foi (bom), mas era tarde demais. É difícil reverter 3 a 0 no primeiro tempo. Mas tentamos, lutamos até o fim, mas não foi suficiente e não estamos felizes. Precisamos melhorar”.

Com nove pontos em seis rodadas, o Tottenham enfrenta o Mura, da Eslovênia, na quinta-feira, e volta a campo pela Premier League contra o Aston Villa, no próximo domingo.

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Bruno Bonsanti

Como todo aluno da Cásper Líbero que se preze, passou por Rádio Gazeta, Gazeta Esportiva e Portal Terra antes de aterrissar no site que sempre gostou de ler (acredite, ele está falando da Trivela). Acredita que o futebol tem uma capacidade única de causar alegria e tristeza nas mesmas proporções, o que sempre sentiu na pele com os times para os quais torce.

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