Premier League

Nunca é fácil para o Arsenal: Brighton surpreende e derrota os Gunners em Londres

Partida impecável dos Seagulls puniu os Gunners, apesar de final dramático no Emirates

Era para ser uma temporada de afirmação para o Arsenal, que aos poucos se reencontra com o bom futebol sob o comando de Mikel Arteta. Mas as coisas simplesmente não dão certo para os Gunners, e, na hora da decisão, o time falha. Neste sábado, pela Premier League, o Arsenal perdeu em casa para o Brighton por 2 a 1 e pode se complicar bastante na briga pela vaga na Liga dos Campeões.

Pela segunda rodada seguida, o Arsenal saiu de campo derrotado. Depois da surra sofrida contra o Crystal Palace, era de se esperar que Arteta forçasse mais por uma atuação agressiva diante do Brighton, mas não houve espaço ou boas chances para que os Gunners impusessem seu domínio. Pior: a equipe de Graham Potter, muito organizada e sem cometer tantos erros, abriu o placar na primeira etapa.

Foi bem de repente, aliás. Tudo começou em um chutão despretensioso. A zaga afastou com Lewis Dunk, em um balão para o campo de ataque. A bola teimou em cair no vazio da ala direita, e Enock Mwepu dominou com calma e tempo para pensar na decisão. O meia viu o movimento da defesa do Arsenal correndo para recompor e, na hora de escolher qual passe faria, preferiu recuar para Leandro Trossard, que vinha livre de trás. O belga só teve o trabalho de ajeitar o corpo e mandar no alto da meta de Aaron Ramsdale para marcar. Jogada de xadrez do Brighton para punir os mandantes aos 28 minutos.

Naturalmente, o Arsenal se colocou no ataque para tentar reverter o estrago. Pouco antes do intervalo, Gabriel Martinelli teve um gol anulado por impedimento. Sobretudo na etapa complementar, uma posse de bola bastante superior do Arsenal sustentou a criação de oportunidades. Ao todo, foram 14 chutes da equipe de Arteta, mas apenas três deles foram na direção da meta de Robert Sanchez. Muito pouco para quem quer ser candidato à Europa. Faltou calma para entender o espaço no campo do Brighton e isso acabou custando caro.

A punição pela desatenção dos donos da casa veio dos pés de Mwepu, artífice do primeiro gol da tarde. O zambiano pegou de primeira um chutaço na sobra, de fora da área. O Brighton vinha trocando passes e fazendo a defesa adversária correr, se desorganizando na marcação. Quando pensava que havia afastado o perigo, o Arsenal foi castigado com uma pintura memorável.

Não deu outra: na base do bumba-meu-boi, Arteta tentou buscar o empate. Mas era tarde. O gol de Martin Odegaard aos 44 foi belíssimo, em um chute de extrema felicidade do meio da rua, caindo no ângulo de Sanchez. No entanto, as soluções escolhidas pelo ataque arsenalista não foram boas, não foram inteligentes e, por fim, nem eficientes. Quando tinha a bola, o Arsenal não sabia muito bem o que fazer com ela e isso resultou em jogadas pouco brilhantes como a de Nicolas Pepé, que tentou um chuveirinho bizarro no último lance, em vez de tentar pelo chão abrir um buraco na retaguarda dos Seagulls.

E aí é que temos o verdadeiro drama dos Gunners. Com mais um tropeço, a quarta posição foi perdida para o rival Tottenham, que passou com tudo e parece bem à vontade com a vaga na próxima edição da Liga dos Campeões. A ameaça não vem só dos Spurs: o West Ham também está no retrovisor de Arteta. Aliás, três pontos é a diferença para recuperar ou se afastar da quarta colocação. Vacilos como o de hoje explicam por que é que o Arsenal consistentemente é visto como um concorrente frágil na briga por objetivos maiores. Pelo visto, a Liga Europa deve ser mais uma vez o prêmio para um time que é verdadeiramente bom, mas ainda não senta na mesa dos adultos.

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Felipe Portes

Felipe Portes é zagueiro ocasional, cruyffista irremediável e desenhista em Instagram.com/draw.portes

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