Premier League

Num jogo de dois tempos distintos, o esforço defensivo do Chelsea com 10 valeu o empate contra o Liverpool em Anfield

A primeira etapa foi aberta, mas a expulsão de Reece James fez o Liverpool tomar as rédeas e o Chelsea demonstrou muita resiliência defensiva

Anfield recebeu dois jogos em um neste sábado, pela Premier League. O duelo entre Liverpool e Chelsea, afinal, seria totalmente distinto em cada um de seus tempos. A primeira etapa viu um jogaço: confronto aberto, com muita intensidade e franca trocação entre os times. Todavia, a expulsão de Reece James, em lance que rendeu o gol de empate aos Reds, virou o tabuleiro. Na segunda etapa, o time de Jürgen Klopp pressionou bastante, mesmo sendo também inconstante. Enquanto isso, os comandados de Thomas Tuchel precisaram de muita concentração na defesa, ainda mais com a desvantagem numérica. Édouard Mendy realizou defesas decisivas e o empate por 1 a 1 acabou bem mais festejado pelos londrinos, que apresentaram sua competitividade mesmo com a situação adversa, contra um oponente tão forte.

A intensidade da partida no talo ficou evidente desde as primeiras ações. E foi o Liverpool quem deu um passo à frente, em busca do ataque. Os Reds partiram para cima e deram um susto tremendo aos quatro minutos, em arremate de Harvey Elliott que passou muito próximo da meta. O Chelsea chegou pela primeira vez numa cobrança de falta, mas Sadio Mané travou Marcos Alonso dentro da área. E, depois do escanteio dos Blues, os Reds dariam o troco num contragolpe. Trent Alexander-Arnold acionou Jordan Henderson, mas o capitão pegou mal na bola. O relógio marcava dez minutos e não dava para piscar.

O Chelsea apertava a sua marcação e criava seus principais lances a partir das bolas roubadas. Lukaku apareceu pela primeira vez aos 13, mas errou na definição do lance, com um passe ruim que a defesa salvou. O Liverpool, ainda assim, era mais presente no ataque e de novo levou perigo numa subida de Andrew Robertson pela esquerda. Num confronto tão aberto, qualquer equipe parecia capaz de sair em vantagem. E o Chelsea se deu melhor aos 21, a partir de uma cobrança de escanteio. Reece James bateu curto e o cruzamento chegou no primeiro pau. Kai Havertz se abaixou para desviar de cabeça e conseguiu botar efeito na bola, encobrindo Alisson.

Não foi o gol que reduziu o ritmo em Anfield. Pelo contrário, o Liverpool tentou reagir de imediato, mas César Azpilicueta salvou na hora em que Mané poderia definir. E, num contra-ataque, Alisson estaria atento para interceptar um passe rumo a Lukaku. O placar intensificava a tônica do jogo, com o Chelsea em busca da velocidade e o Liverpool com mais volume. Quase o segundo dos Blues veio aos 35. Num lindo giro, Lukaku serviu Mount, que acelerou pela esquerda e invadiu a área. O jovem tentou tirar do alcance de Alisson e mandou para fora, quando tinha a opção de rolar para Lukaku pelo meio.

O Liverpool aumentaria um pouco mais a pressão na reta final do primeiro tempo, muitas vezes apostando nas investidas com Salah pela direita. Harvey Elliott apareceria de novo com um chute para longe e Jürgen Klopp logo precisaria gastar sua primeira substituição. Roberto Firmino sentiu lesão e deu lugar a Diogo Jota. E no abafa pelo empate, os Reds arrancaram o gol nos acréscimos. Foi um bombardeio da equipe na área, com uma série de finalizações que insistiam em não entrar. Joel Matip acertou o travessão, antes de Reece James bloquear duas vezes chutes em cima da linha. Numa dessas, contudo, a bola bateu em seu braço. A arbitragem anotou o pênalti após revisão e expulsou o lateral, o que irritou muito os jogadores do Chelsea. Salah converteu e deixou tudo igual no placar, antes que os times deixassem o campo sob clima tenso.

O Chelsea voltou para o segundo tempo com duas mudanças: Thiago Silva e Mateo Kovacic entraram nos lugares de Kai Havertz e N’Golo Kanté. E a partida se transformaria num ataque contra defesa, com o Liverpool realizando uma blitz nos arredores da área dos Blues. A defesa londrina conseguia proteger parcialmente as investidas, mas logo as brechas surgiram. Édouard Mendy se agigantou. O goleiro faria sua primeira grande defesa num tiro rasteiro de Virgil van Dijk do meio da rua, aos sete. Pouco antes dos 15, então, os Reds teriam uma sequência de outros chutes de fora da área. Mendy realizou duas ótimas intervenções em sequência, parando Fabinho e Robertson. O Chelsea mal passava do meio do campo.

Depois dos seguidos problemas, o Chelsea conseguiu se desafogar um pouco, inclusive com Lukaku travado na pequena área. Os Blues passaram a encaixar ataques que ainda serviram para livrar a bola dos arredores de sua área e também para esfriar o Liverpool. O melhor momento dos Reds tinha passado e a equipe também parecia se sentir mais cansada. Aos 29, então, Klopp trocaria Henderson por Thiago Alcântara. Os Reds não melhoraram necessariamente, mas o jogo ganhou emoção na reta final com as tentativas de ambos os lados.

Kovacic quase marcou num contragolpe, mas Alisson rebateu a bola no mano a mano. Do outro lado, o Liverpool avançou com velocidade e Mendy conseguiu tranquilizar sua equipe. Até pela vantagem numérica, os Reds aumentaram a carga no ataque depois dos 40. A defesa dos Blues, entretanto, demonstrava uma resiliência imensa e conseguia respirar, travando qualquer aproximação dos adversários dentro da área. Mendy era muito seguro pelo bom posicionamento e Thiago Silva também dava solidez ao time por seus cortes. Ao apito final, o abraço entre os jogadores do Chelsea demonstrava bem o valor do resultado.

Chelsea e Liverpool aparecem no bolo principal da Premier League neste momento. Os dois times somam sete pontos, com o mesmo saldo de gols e o mesmo número de tentos marcados. West Ham e Everton completam o grupo na dianteira ao final deste sábado. O Liverpool tem consciência de que foi mais presente no ataque, com domínio na posse de bola e nas chances de gol, mas faltou repertório e mais velocidade. Pelas circunstâncias e pelo grande esforço defensivo, o empate tem sabor bem mais doce ao Chelsea.

Classificação fornecida por SofaScore LiveScore

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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