Premier League

Num grande jogo, Arsenal pune o United com precisão e conquista três pontos cruciais na briga por Champions

O Manchester United teve uma boa postura no Emirates, mas erros nas duas áreas permitiram que um Arsenal mais contundente fincasse o pé no G-4

Arsenal e Manchester United vinham de dias bastante distintos. Os Gunners venceram um eletrizante duelo com o Chelsea, enquanto os Red Devils foram amassados no clássico contra o Liverpool. O confronto direto no Estádio Emirates significava bastante não apenas nesse contexto, mas também à briga pela quarta colocação na Premier League. E o time de Mikel Arteta cumpriu a missão dentro de casa, com a vitória por 3 a 1 que praticamente tira os mancunianos do páreo, seis pontos atrás. O United desta vez não jogou mal, cabe dizer. Teve inclusive amplos momentos de superioridade no jogo e apresentou boa intensidade. Porém, faltou mais precisão na frente (entre um pênalti perdido e três bolas nas traves, além de boas defesas de Ramsdale) e principalmente segurança atrás. Os erros na marcação se repetiram e permitiram que o Arsenal construísse o resultado desde os primeiros minutos, sempre respondendo ameaças com gols. Grande atuação dos londrinos, em uma partida que ofereceu um futebol de alto nível.

O Manchester United contou com retornos importantes na equipe, acertando o meio-campo e tendo Cristiano Ronaldo como referência no ataque. Porém, bastaram três minutos para o pesadelo da torcida retornar no norte de Londres. Em cruzamento do Arsenal, Raphaël Varane e Alex Telles furaram na hora do corte. A bola ficou limpa para Bukayo Saka, que chutou cruzado do lado direito da área. David de Gea voou para a defesa, mas Nuno Tavares estava livre para o rebote e mandou para dentro. O jogo começava confortável para os Gunners.

A sequência do Manchester United não foi ruim. A equipe adiantou a marcação e pressionou. Criou chances. Foram duas escapadas perigosas de Anthony Elanga pela direita, com direito a uma defesa de Aaron Ramsdale, antes dos 15 minutos. Ramsdale também errou uma saída de bola e Bruno Fernandes poderia ter marcado depois do presente, mas Gabriel Magalhães travou na hora do chute. Os Red Devils estavam no jogo e um momento bonito veio aos sete minutos, quando a torcida do Arsenal prestou tributo a Ronaldo e aplaudiu o craque adversário após a perda de seu filho. Porém, as coisas ainda não davam certo em campo para os mancunianos.

De maneira geral, o Manchester United era melhor na primeira metade da etapa inicial – não fosse o gol, claro. Aos 23 minutos, Diogo Dalot chutou de fora e acertou o travessão. Apenas depois disso o Arsenal acordou e passou a encontrar espaço por tabelas pelo meio da área. Martin Odegaard acertou um lindo passe para Eddie Nketiah aos 24 e o atacante soltou uma bomba, espalmada por De Gea à queima-roupa. Pouco depois, seria a vez de Odegaard servir a infiltração de Saka. O garoto ajeitou para Nketiah e o atacante finalizou com calma, no contrapé de De Gea. Mas, se o gol acabou anulado por impedimento de Nketiah, o VAR flagrou pênalti de Alex Telles em Saka. O próprio ponta assumiu o tiro e aumentou a tranquilidade dos Gunners com o segundo tento.

Desta vez, pelo menos, o Manchester United não demorou a responder. Os Red Devils voltaram para o jogo com o gol aos 34. Jadon Sancho limpou pela esquerda, Nemanja Matic cruzou e Cristiano Ronaldo conseguiu prevalecer no meio de dois marcadores, antes de definir. Ainda haveria a reclamação de um pênalti por toque de mão de Cédric Soares. Contudo, o momento do jogo nesta reta final de primeiro tempo pendia ao Arsenal. Mohamed Elneny chutou de bate-pronto para grande defesa de De Gea, antes de dois chutes travados na área. Os cinco minutos de acréscimos, alargados pela revisão do VAR, permitiram certas emoções. Alex Telles arrematou com efeito para boa ação de Ramsdale, antes que De Gea repelisse um tiro venenoso de Odegaard. A partida seguia aberta para segunda etapa, ainda mais depois de um primeiro tempo tão bom.

O segundo tempo oferecia menos intensidade, com o Arsenal mais presente no campo de ataque, mesmo sem arriscar tanto. O Manchester United logo cresceu e a chance de empate veio num pênalti bobo, em toque no braço de Nuno Tavares em cobrança de escanteio aos 11. Bruno Fernandes, e não Cristiano Ronaldo, assumiu a cobrança. O meia chutou com capricho, mirando o canto, mas acertando a trave e gerando efusiva comemoração de Ramsdale. Os Red Devils, entretanto, não tinham tempo para se abalar. Aos 14, Elanga chutou cruzado de fora e Ramsdale se esticou todo para desviar. Já aos 15, Cristiano Ronaldo virou para as redes numa escapada por trás da zaga, mas estava impedido por milímetros. Os Red Devils seguiam com força no duelo.

Ramsdale também seria decisivo para evitar o empate. Aos 18, Diogo Dalot avançou pela direita e encheu o pé dentro da área. O goleiro desviou com a ponta dos dedos e contou com a ajuda da trave. O Manchester United encontrava os espaços com velocidade e pegava uma defesa exposta. Já era hora do Arsenal mudar e Gabriel Martinelli foi a aposta, na vaga de Emile Smith Rowe. Pois num momento em que o jogo claramente pendia ao United, mais uma vez, os Gunners precisaram de uma estocada para marcar o terceiro. Aos 25, após uma perda de Bruno Fernandes, Granit Xhaka recebeu a sobra na entrada da área e chutou forte. Com a visão encoberta, De Gea demorou a reagir e só viu a bola morrendo nas redes.

O gol teve um impacto imenso sobre o Manchester United, que não conseguiria mais reagir e reduziu drasticamente seu ritmo. Marcus Rashford e Jesse Lingard entraram nos Red Devils, antes de Juan Mata, mas os sinais positivos eram mínimos. O Arsenal podia controlar o tempo e esperar os momentos finais. Até gritos de olé se ouviam no norte de Londres, ditando a festa por um resultado tão importante na tabela. A volta de Takehiro Tomiyasu entre os londrinos, depois de três meses sem jogar, era outra boa notícia antes do apito final.

O Arsenal assume a quarta colocação da Premier League, com 60 pontos. Depois de uma incômoda sequência de derrotas, os Gunners vencem dois jogos de muito peso para se reafirmar. Porém, a equipe ainda aguarda o resultado do rival Tottenham, que soma 57 pontos e visita o Brentford na rodada. Já o Manchester United fica na sexta posição, com 54 pontos. Os Red Devils possuem ainda jogos a mais que Arsenal e Tottenham, o que torna essa derrota praticamente cabal às pretensões de disputar a Champions League na próxima temporada – fora o risco de ultrapassagem do West Ham. Fica mais claro que Erik ten Hag terá mesmo um grande processo de reconstrução para conduzir em 2022/23.

Standings provided by SofaScore LiveScore

Mostrar mais

Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

Conteúdos relacionados

Botão Voltar ao topo