Premier League

Num clássico explosivo, o Tottenham derrotou o Arsenal e botou fogo na briga por Champions

O Tottenham resolveu a partida ainda no primeiro tempo, embora um pênalti bastante reclamado tenha aberto o caminho

O Tottenham Stadium abrigou um clássico muito especial nesta quinta-feira, pela Premier League. Indo além da rivalidade do norte de Londres, Tottenham e Arsenal faziam um jogo fundamental na briga por vaga na Champions League. Os Gunners garantiriam a classificação com uma vitória. Porém, foram os Spurs que venceram por 3 a 0 e ficaram um ponto atrás na tabela, colocando fogo na disputa rumo às duas rodadas finais. O placar incontestável da equipe de Antonio Conte, porém, dependeu de um pênalti bem contestável para abrir a contagem. Depois disso, o Arsenal se abateu bastante e ainda perdeu Rob Holding expulso no primeiro tempo. O time de Mikel Arteta tem seus motivos para reclamar, mas precisa também admitir o próprio desmoronamento. Enquanto isso, o Tottenham quase emplacou até uma goleada histórica. Harry Kane fez dois gols e Son Heung-Min complementou o placar.

De início, o Arsenal não se importou com a atmosfera fervilhante proporcionada pela torcida do Tottenham. Os Gunners eram mais conscientes de suas ações durante os primeiros minutos e buscavam o ataque. A primeira finalização veio aos quatro minutos, num chute desviado de Martin Odegaard que Hugo Lloris defendeu. Também não demorou para que as primeiras faíscas se vissem em campo, numa discussão entre as equipes. A superioridade do Arsenal não se manteve, à medida que a tensão tomou o gramado e o duelo ficou mais pegado. Desde já havia um embate entre Rob Holding e Son Heung-min, embora o primeiro amarelo tenha ido a Ben Davies.

O momento decisivo aconteceu aos 21 minutos. Num cruzamento, Son caiu na área em disputa com Cedric Soares, após o ombro do defensor tocar as costas do atacante, e o árbitro Paul Tierney marcou o pênalti. Não foi um contato tão forte e a decisão gerou compreensível contestação, com os jogadores do Arsenal sem entender muito a razão. O VAR, porém, não mandou voltar. Harry Kane converteu o penal e abriu o placar. A partir de então, o Tottenham cresceu no jogo, sob embalo de sua torcida. O Arsenal sentia o tento e perdia sua força. Holding recebeu amarelo aos 27, por segurar Son. Outra boa chegada viria com Kane, bloqueado. Já aos 33, Holding já foi expulso com o segundo amarelo. O defensor deixou o cotovelo e impediu a corrida de Son.

Não demorou para que o Tottenham capitalizasse a vantagem numérica e ampliasse, aos 37. Depois de uma cobrança de escanteio, Rodrigo Bentancur desviou no primeiro pau e Kane chegou rasgando para marcar na pequena área. O Arsenal estava nas cordas e não indicava forças para uma reação, especialmente com um a menos. Os Spurs seguiram levando perigo, embora Lloris tenha voltado a trabalhar numa batida de longe de Eddie Nketiah. Seria um mero suspiro dos Gunners.

Se o Arsenal tinha alguma esperança de fazer diferente durante o segundo tempo, as expectativas foram enterradas logo aos dois minutos. O Tottenham marcou o seu terceiro gol. Kane tentou o giro na área e foi travado, mas a bola ficou viva. Son definiu para as redes na sobra. Os Gunners estavam claramente abatidos e os Spurs mantiveram o controle do duelo, mirando inclusive uma goleada histórica. Aos 14, Aaron Ramsdale realizou uma grande defesa para evitar um gol de Emerson Royal, em cabeçada. Pouco depois, seria a vez de Kane bater de longe e Ramsdale de novo evitar o pior. Son ainda isolou livre na área.

Mikel Arteta realizou a primeira mudança apenas aos 19, com Emile Smith Rowe no lugar de Gabriel Martinelli. O Arsenal tinha um pouco mais de posse de bola, mas dependia de bolas paradas para incomodar. Antonio Conte mudou seu ataque com Lucas Moura e Steven Bergwijn – quando Son não gostou muito de sair. E depois que Alexandre Lacazette veio na vaga de Nketiah, os Gunners queimaram mais uma troca porque Gabriel Magalhães se machucou e precisou ser suplantado por Nuno Tavares. A placa do quarto árbitro se movimentava mais que os times em campo, com o Tottenham controlando a situação.

Uma raríssima finalização perigosa do Arsenal aconteceu apenas aos 35, mas Lloris não deu nem rebote ao chute rasteiro de Odegaard. O jogo estava completamente definido e o Tottenham levava o dérbi em ritmo de treino, com raros esforços pelo quarto gol. Os anfitriões só precisavam se preocupar com as faltas mais duras, que renderam três amarelos aos rivais já depois dos 40. O árbitro deu apenas dois minutos de acréscimos na segunda etapa, como se quisesse antecipar o fim do sofrimento dos Gunners. Porém, esse é o tipo de derrota em clássico que dói por muito tempo, especialmente por aquilo que representa na tabela.

O Arsenal permanece na quarta colocação, com 66 pontos. O Tottenham encosta com 65 pontos e saldo bem melhor, 23 a 11. Restam duas rodadas para decidir quem vai à Champions. Os Gunners pegam Newcastle fora e Everton em casa. Já os Spurs precisam aproveitar a motivação atual contra Burnley fora e Norwich em casa. A vaga será de quem bobear menos – e os Gunners gastaram sua cota com esse tropeço.

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Standings provided by SofaScore LiveScore
Foto de Leandro Stein

Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreveu na Trivela de abril de 2010 a novembro de 2023.

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