Premier League

Nottingham Forest retorna à Premier League e ressurge após 23 anos de espera

Vitória nos playoffs contra o Huddersfield, em Wembley, coroou temporada sólida dos Reds

A Premier League terá mais um campeão de volta na temporada 2022-23: a última vaga da Championship para a elite é do Nottingham Forest, que finalmente conquistou o acesso, depois de mais de duas décadas de espera. Acompanhada por Fulham e Bournemouth, a equipe bicampeã europeia precisou superar mais um tenso desafio contra o Huddersfield, neste domingo (29), em Wembley.

Decadência brutal e retorno

Conhecido internacionalmente pela façanha histórica em que arrancou da segunda divisão para o título inglês em 1978 e o bicampeonato da Copa dos Campeões em 1979 e 80, o Forest há muito já não sonhava em brigar entre os principais clubes do país. Crises financeiras, más gestões e um desempenho desportivo pobre condenaram a equipe a um papel de coadjuvante até mesmo em divisões inferiores. A má fase imperou de 1999 em diante, com a queda como lanterna da Premier League. Entre 2005 e 2008, a equipe dos Reds esteve na League One e com muito esforço recuperou o posto na Championship.

Mais recentemente, em novas turbulências de gestão, esteve perto do rebaixamento e se salvou na última rodada em 2017. Mas a realidade melhorou com a chegada de um novo dono, o grego Evangelis Marinakis. O mandatário, aliás, apareceu na transmissão do jogo com o Huddersfield fazendo o sinal da cruz nos minutos finais, tenso por medo de um empate dos adversários. A grande mudança que ajuda a explicar o acesso, no entanto, aconteceu em setembro de 2021. Em péssimo começo na Championship, o Forest contratou Steve Cooper como novo treinador, demitindo Chris Hughton por conta de uma série de sete jogos sem vitórias.

Cooper imediatamente impactou o elenco, que passou a competir mais, sofrer menos gols e, por fim, reagindo para subir de maneira impressionante na tabela. Na virada de ano de 2021 para 2022, o Forest já estava na zona de classificação para os play-offs, e ascendeu ainda mais conforme as rodadas passavam. Essa demonstração de força não poderia terminar com uma nova frustração. Em paralelo ao sonho de acesso, os Reds também fizeram campanha digna e sobreviveram até as quartas de final da FA Cup, caindo apenas diante do campeão Liverpool.

A campanha sólida teve seu melhor momento na reta final, apesar do desgaste físico em algumas peças do elenco. Arrancando para a briga pelo acesso direto, desafiando o Bournemouth, o Forest soube crescer na hora certa e teve algumas chances de ouro para beliscar a segunda vaga, mas acabou mesmo sendo direcionado aos play-offs, como quarto colocado. O drama amplificou nas semifinais do play-off, quando os comandados de Cooper ganharam fora do Sheffield United, por 2 a 1. O problema é que os Blades deram o troco na volta, em pleno City Ground, em Nottingham. Nos pênaltis, o arqueiro Brice Samba brilhou e colocou o time no jogo de £150 milhões em Wembley.

Ponto final na vida de cão

Com um gol quase acidental e a paciência para aguardar o apito final, o Forest pressionou e teve um bom primeiro tempo contra o Huddersfield. Mas o gol só saiu no minuto 43′, em um cruzamento para a área que foi desviado pelo defensor Levi Colwill. Embora o artilheiro Brennan Johnson estivesse cercando para finalizar, Colwill se precipitou e acertou o ângulo do próprio gol.

Na etapa final, o Huddersfield fez seu melhor e deteve a posse de bola, mas falhou em converter o volume de jogo em chances claras. Não à toa, o goleirão Samba sequer praticou alguma defesa, uma vez que nenhum dos cinco arremates dados foram na direção do gol. A torcida dos Terriers reclamou demais em um lance de possível pênalti, mas o árbitro Jonathan Moss assinalou como simulação e ainda deu cartão amarelo para o meia Harry Toffolo, que claramente forçou o contato e tentou ludibriar Moss.

Até o tão esperado apito que consolidou o status de elite do Forest, a tensão e o medo do empate reinaram em Wembley, do lado vermelho. Mas estava tudo sob controle. Cooper fez um grande trabalho e conseguiu colocar nos jogadores a tranquilidade e a confiança para administrar o resultado histórico nos 45 minutos finais.

A missão deste novo Forest não é a de viver um novo conto de fadas, mas sim encontrar as contratações certas e dentro do orçamento que terão a partir da próxima temporada. Exemplos recentes de promovidos que se firmaram na Premier League não faltam, cabe a Marinakis e Cooper decidirem qual será o plano. Inicialmente, o roteiro é de permanência, o que vier depois precisa ser encarado com muito pé no chão.

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Felipe Portes

Felipe Portes é zagueiro ocasional, cruyffista irremediável e desenhista em Instagram.com/draw.portes

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