Mourinho lamenta falta de paciência com seu trabalho no United: “Saí no meio do processo”
José Mourinho vive uma leve revitalização de sua carreira no comando do Tottenham, com o qual lidera a Premier League após 12 rodadas na temporada 2020/21. Como em todos os trabalhos que teve antes dos Spurs, o treinador deixou títulos em sua última passagem, pelo Manchester United, mas sente que, diferentemente das outras parcerias que teve, precisava de mais tempo nos Red Devils para alcançar seus objetivos máximos.
Em entrevista coletiva na terça-feira (15), o português apontou que, em suas equipes anteriores ao United, havia encontrado grupos prontos para disputar títulos e que isso, junto de sua personalidade sedenta por novas experiências, tornou esses trabalhos mais curtos.
“Em um certo período da minha carreira, com o perfil de clube que eu estava tendo em mãos, não precisávamos de muito tempo para alcançar sucesso. Fizemos isso em Porto, Inter, Real, Chelsea, duas vezes, fizemos isso sem aquela necessidade de longevidade. E também teve meu desejo de tentar coisas diferentes, meu desejo maluco de ir para muitos países e tentar vencer, tentar conseguir experiências diferentes em vários países diferentes. Foi perfeito, porque se tratava de vencer e tchau, vamos tentar outra coisa”, descreveu.
No Manchester United, no entanto, foi diferente. Lá, encontrou um clube defasado em sua organização, com necessidade de grandes mudanças no elenco e muito distante do objetivo máximo: títulos de grande expressão. Ainda que tenha vencido competições como a Copa da Liga Inglesa e a Liga Europa, as conquistas da Premier League e, por fim, da Champions League, foram apenas uma miragem distante.
“O primeiro clube em que senti que precisava de tempo e não tive tempo foi o Manchester United, porque senti que saí no meio do processo. Mas aprendi muito cedo a respeitar as decisões, o que fiz no United. Fizemos o que fizemos, fizemos o que era possível fazer, e seguimos em frente. Estou feliz, eles estão felizes, e temos uma grande relação. Isso é algo que sempre tenho muito orgulho de dizer: quando saio dos clubes, mantenho uma relação muito boa com todos, e o United é mais um exemplo disso”, contou.
O fracasso no Manchester United terminou o processo de desvalorização da imagem de Mourinho no futebol de elite. Depois de um tempo desempregado, em que se desfez de sua comissão técnica e formou outra, retornou à prancheta em um patamar diferente, no Tottenham. Após pouco mais de um ano no comando dos Spurs, o trabalho realizado até agora é relativamente bem-sucedido, ainda que muito mais precise ser feito. Neste sentido, o técnico se vê à frente da equipe por “um longo tempo”.
“Agora, no Tottenham, conheço o perfil de trabalho que tenho em mãos e até agora estou curtindo muito estar no clube, acredito que o clube está feliz de trabalhar comigo, então me vejo permanecendo aqui por um longo tempo.”
No entanto, a paciência não quer dizer que o técnico irá jogar fora oportunidades de dar saltos antecipados sempre que possível. Sob essa óptica, sua ambição é a mesma de sempre: “Se pudermos acelerar o processo, como estamos acelerando, fazendo as coisas bem como estamos fazendo, é claro que não iremos perder tempo”.



