Premier League

Milagre natalino: Arsenal surpreende ao se impor contra o Chelsea e, justo no clássico, põe fim à sequência sem vencer

Um milagre natalino aconteceu no Estádio Emirates. Mesmo que seu momento não fosse tão inspirado assim, o Chelsea carregava o favoritismo para encarar o Arsenal no Boxing Day. O momento dos Gunners, afinal, era horrível e o time vinha de sete rodadas consecutivas sem vencer. Pois uma surpresa aconteceu, com a vitória categórica da garotada de Mikel Arteta por 3 a 1. Num primeiro tempo relativamente morno, o Arsenal teve boa intensidade e encontrou os gols no momento certo – entre o pênalti de Lacazette e a pintura de Xhaka cobrando falta. Já na segunda etapa, Saka viu a sorte sorrir no terceiro tento e a defesa alvirrubra controlou a reação dos Blues durante grande parte do tempo. Abraham até descontou no fim, mas Leno defendeu um pênalti de Jorginho depois disso. Entre os destaques, Gabriel Martinelli saiu em alta de campo.

O Arsenal mudou bastante em relação à derrota para o Everton na rodada anterior. Foram seis novidades no 11 inicial. Gabriel Magalhães ficou de fora por ter tido contato com uma pessoa com COVID-19, enquanto Pierre-Emerick Aubameyang, voltando de contusão, só estaria disponível ao banco. Entre as novidades apareciam Granit Xhaka, voltando de suspensão, e Héctor Bellerín. Diante dos desfalques na zaga, Pablo Marí fez sua estreia nesta Premier League. Martinelli também aparecia pela primeira vez entre os titulares na atual campanha, em sua recuperação gradativa de lesão. O Chelsea, por sua vez, preservava a maior parte da equipe que venceu o West Ham na rodada anterior. Reece James e Mateo Kovacic eram as modificações. Na linha de frente, os Blues contavam com Christian Pulisic, Tammy Abraham e Timo Werner.

O Arsenal precisou de um minuto para mostrar que esta poderia ser uma partida diferente. Num avanço pela direita, Bukayo Saka e Héctor Bellerín se combinaram, com o cruzamento ao meio da área. Thiago Silva desviou parcialmente, mas Gabriel Martinelli deu sequência no segundo pau e finalizou ao lado da trave. Os Gunners tinham intensidade e aproveitavam bem o apoio de seus laterais. O Chelsea levaria um pouco mais de tempo a responder, mas poderia ter saído em vantagem aos 13. Mason Mount cobrou falta no capricho e beliscou a trave.

O Chelsea tentou tomar conta do jogo com o passar dos minutos, mas a defesa do Arsenal fazia um bom trabalho de proteção, especialmente pelo combate garantido na zaga. Pablo Marí e Rob Holding realizavam bons desarmes. O Arsenal ainda dava suas respostas e ameaçaria em mais uma jogada de Bellerín, com Martinelli arrematando prensado. Thiago Silva também seria exigido num cruzamento que vinha para Lacazette. Era uma partida aberta, até que os Gunners saíssem na frente aos 35. Kieran Tierney fez a jogada pela linha de fundo e caiu na disputa com Reece James. O pênalti é discutível, com o escocês buscando o contato quando já se projetava ao solo. A arbitragem confirmou mesmo depois da revisão e, na cobrança, Lacazette converteu.

A postura do Arsenal era decisiva àquele placar, com o time se mostrando mais atento ao jogo. Apesar da escalação repleta de garotos, eles demonstravam personalidade. O Chelsea não tinha a mesma energia e desperdiçou uma oportunidade de empatar aos 41. Num contra-ataque, Timo Werner recebeu a bola com certa liberdade e tentou bater da meia-lua, mas errou o alvo. A punição viria logo depois, aos 44, com o segundo gol dos Gunners. Em uma cobrança de falta frontal, Granit Xhaka botou veneno na bola: a cobrança passou por cima da barreira e fez uma curva para fora. Saiu do alcance de Édouard Mendy para entrar no ângulo. Golaço.

O Chelsea voltou ao segundo tempo com duas mudanças. Frank Lampard quis mudar a postura ofensiva de sua equipe com as entradas de Callum Hudson-Odoi e Jorginho, nos lugares de Timo Werner e Mateo Kovacic. Era apenas uma troca de peças, mas os Blues pareciam se animar durante os primeiros minutos, esboçando uma pressão. Num lance de sorte, o Arsenal afundou os planos dos rivais logo aos 11. Saka levantou a bola na área e pareceu não olhar muito bem o posicionamento dos companheiros. O cruzamento transformou-se em gol, com a bola encobrindo Mendy e entrando do outro lado da meta, resvalando na trave. O garoto até pareceu não acreditar.

Com a vantagem estabelecida no placar, o Arsenal poderia administrar o resultado. Mesmo assim, parecia mais próximo do quarto gol, em suas subidas velozes. Martinelli seguia dando trabalho à marcação, com uma tentativa de bicicleta que Mendy pegou e um chute de primeira após passe de Tierney, forçando uma defesa mais difícil do goleiro. O brasileiro deixaria o campo logo depois, substituído por Nicolas Pépé. Do outro lado, o Chelsea pouco fazia para forçar a marcação adversária e botar pressão. Os Gunners se defendiam muito bem. Lampard também demorou a apostar em uma formação mais ofensiva, com Kai Havertz no lugar de N’Golo Kanté só aos 29.

Apenas nos 15 minutos finais é que o jogo se abriria. O Chelsea passaria a rondar mais a área e Thiago Silva assustou numa cabeçada para fora. Logo depois, Tammy Abraham também errou o alvo de cabeça. O Arsenal teve uma boa sequência aos 38, a partir de um erro de Mendy na saída de bola. O goleiro se redimiu ao parar Lacazette no mano a mano. Os Gunners ganharam um escanteio depois, para Mohammed Elneny mandar uma paulada no travessão. Na sobra, Mendy ainda pararia Holding na linha de fundo. E o troco do Chelsea viria com o gol de honra, aos 41, num cruzamento de Hudson-Odoi para Abraham completar de peito na pequena área. Ainda houve dúvidas sobre a validade do lance, mas a posição era legal por milímetros segundo o VAR.

O Chelsea só realmente acreditou na reação durante esta reta final, mas estava tarde para reaver o prejuízo. Thiago Silva mandaria uma bola por cima do travessão. E, em meio ao abafa, Pablo Marí cometeu um pênalti sobre Mount. Nem assim os Blues conseguiram encostar no placar: Jorginho foi para a cobrança e Leno conseguiu barrar um dos melhores batedores da liga, buscando a bola fraca em seu canto esquerdo. Nos acréscimos, os visitantes ainda tentaram levantar a bola na área, sem sucesso.

O resultado representa um alívio ao Arsenal, depois de quase dois meses sem vencer pela Premier League, mas não melhora tanto a situação. Os Gunners chegam aos 17 pontos, no modesto 14° lugar. São seis pontos acima do Z-3 e nove abaixo do G-4. O lado positivo fica mesmo para a postura do time, que teve atitude e conseguiu ser preciso para construir a vantagem. Além disso, a segurança defensiva em boa parte do segundo tempo foi outro mérito. O Chelsea, por sua vez, estaciona com 25 pontos. Acaba ultrapassado pelo Aston Villa e pode perder mais duas posições ao final da rodada. São três derrotas nas últimas quatro partidas, que enfatizam a atuação apática neste sábado.

Classificação fornecida por SofaScore LiveScore

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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