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Milagre na FA Cup: Aos 49 do 2° tempo, o Millwall arrancou uma apoteótica virada sobre o Everton

Longe da elite do Campeonato Inglês desde 1990, em sua rápida estadia de duas temporadas na primeira divisão, o Millwall possui uma reputação considerável graças ao cinema. E os fãs do clube londrino puderam comemorar uma de suas maiores vitórias nos últimos anos durante este sábado. Pela Copa da Inglaterra, os Leões receberam o Everton no Estádio The Den. Desfrutaram da propagada “magia da copa”, tão presente na competição mais antiga do futebol. Atrás no placar duas vezes contra os Toffees, os anfitriões arrancaram uma inimaginável virada. Graças a um gol aos 49 do segundo tempo, venceram por 3 a 2 e avançam às oitavas de final. Um milagre, festejado efusivamente pela intensa torcida da casa.

Nesta temporada, o Millwall faz uma campanha bastante modesta na Championship. É o 19° entre os 24 participantes da segundona, a seis pontos da zona de rebaixamento. E o Everton, ainda que não justifique todo o investimento na Premier League, está no pelotão intermediário. Desta maneira, o técnico Marco Silva via a FA Cup como prioridade e escalou o time com força máxima para pegar os londrinos. Do outro lado, os anfitriões tinham oito desfalques, entre atletas lesionados ou poupados. Nem assim o poderoso representante da Premier League conseguiu a vitória, apesar das reclamações pertinentes com a arbitragem.

Parecia o cenário perfeito ao Millwall: a chuva pesada, a torcida enfurecida e o adversário em má fase. Os londrinos começaram o jogo de maneira agressiva, insistindo nas bolas alçadas na área, e poderiam ter aberto o placar nos primeiros minutos, com duas excelentes chances que não terminaram nas redes. Aos 43 minutos, no entanto, o Everton saiu em vantagem. Richarlison chutou de fora da área e o goleiro Jordan Archer engoliu o frango, deixando escapar a bola molhada e desviada. O erro não abalou os Leões, que empataram nos acréscimos. A partir de uma cobrança de falta da intermediária, Lee Gregory cabeceou para as redes.

O ritmo do jogo era lento, sob o temporal, e o Everton tinha dificuldades para criar no ataque. A solução de Marco Silva veio com Cenk Tosun e o substituto anotou o segundo gol, aos 27. Gylfi Sigurdsson deu um passe na medida, para o turco invadir a área e chutar cruzado. Novamente, o segredo do Millwall esteve em reagir rápido. Três minutos depois, o empate saiu. Foi uma confusão tremenda na área dos Toffees, até que Jake Cooper desviasse. Marco Silva reclamou bastante de um toque de mão, mas a arbitragem ignorou. Sem a presença do VAR, o treinador ainda tentou falar ao quarto árbitro olhar o replay no telão. E o espírito de luta dos londrinos foi premiado definitivamente aos 49. Em mais uma bola alçada na área, Shaun Hutchinson ajeitou de cabeça e Murray Wallace dominou com liberdade para resolver. Sequer deu o direito do replay aos adversários.

O terceiro gol rendeu uma erupção em The Den. E houve mesmo uma invasão de campo após o apito final. Não seria para menos, considerando a importância da vitória e toda a emoção na virada. O memorável aos clubes menores, muitas vezes, não precisa de um título. Muitas vezes um jogo basta. E a FA Cup tem sido pródiga aos Leões que, duas temporadas atrás, ainda na terceirona, eliminaram Bournemouth, Watford e Leicester, até a eliminação ante o Tottenham nas quartas de final. Por outro lado, o resultado culmina na decepção ao redor do Everton, que possui um bom time, mas não se encaixa. Marco Silva até pode se queixar do segundo gol. Porém, também precisa questionar por que seu time deu apenas dois míseros chutes no gol em 90 minutos. O Millwall tem seus méritos pela façanha.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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