Mahrez: “Os garotos sempre jogam nas ruas da França, o que não se vê na Inglaterra”

Riyad Mahrez possui uma trajetória que fala por si. O prodígio que surgiu nos clubes amadores da região metropolitana de Paris se profissionalizou apenas depois dos 18 anos. Passou um tempo no Le Havre, até participar integralmente do conto de fadas do Leicester. Conquistou o acesso com as Raposas, ajudou a equipe a se salvar do rebaixamento, viveu uma temporada estrondosa na conquista da Premier League e também teve ótimas atuações na jornada até as quartas de final da Liga dos Campeões. Depois de cumprir o que imaginava ser o seu ciclo no Estádio King Power, o meia desejava sair e até forçou um pouco a barra para isso. No entanto, apesar da postura rebelde, não deixou de dar sua contribuição à equipe. E depois da transferência ao Manchester City emperrar de última hora na temporada passada, por conta da pedida exagerada do antigo clube, enfim ele veste celeste.
Mahrez não esconde a satisfação por jogar no atual campeão inglês. Acredita que este é o salto em sua carreira para conquistar ainda mais, depois de ter marcado o seu nome no Leicester. E, de certa maneira, se torna a principal adição do City para manter sua ambição. Nesta semana, o meia concedeu uma entrevista bastante completa à Sky Sports. Falou sobre diversos temas relacionados à sua carreira. Abaixo, destacamos os principais trechos:
As diferenças entre França e Inglaterra na formação
“Em Paris e na região metropolitana da Île-de-France, você encontra os melhores jogadores do país. Eles vêm de Sarcelles, Bondy e outros lugares nos subúrbios. Porque os garotos sempre jogam na rua. Quando saio na Inglaterra, nunca vejo as pessoas jogando futebol. Na França, há pequenos campos em todo canto, ginásios, quadras. Então, nós estamos comendo e dormindo futebol quase o dia todo. Quando você vê os mais velhos jogando e é mais novo, quer jogar com eles. E quando você cresce, quer que as crianças te vejam. Sempre foi assim, há muito talento por lá”.
O início tardio nas estruturas profissionais
“Eu cheguei às categorias de base aos 18 anos, então já era um homem. Eu não atuava em clubes quando tinha 12 ou 13. Muitas pessoas vão para as bases com 12 ou 13, então perdem o instinto. Eles ainda podem recuperar isso, mas muitos retornam porque não conseguem se manter. Eu fui tarde para um clube, era o que gostavam em mim, porque eu tinha o instinto e estava jogando sem nada em minha mente. Ninguém me dizia para onde ir, você precisa de jogadores imprevisíveis em seu time”.
O teste no St. Mirren, da Escócia, quando ainda era adolescente
“Eu cheguei em St. Mirren, fiz quatro jogos com o sub-23 e marquei sete gols. Todas as vezes estavam me dizendo: ‘Ok, veremos o que acontece’. Então, meu empresário me disse para voltar. Fiquei feliz porque não falava inglês e estava muito frio, era janeiro. Não tinha nada em minha carteira, era muito duro, então gostaria de voltar para minha casa. Quando o agente me ligou e disse que eu tinha que voltar, minhas chuteiras estavam no CT. Peguei uma bicicleta do hotel até lá e depois fui para o aeroporto”.
A adaptação ao futebol inglês
“Eu pensava que eu nunca jogaria na Inglaterra, minha ideia era atuar na Espanha ou França. Pensava que era mais o meu estilo de jogo. Mas na vida, você nunca sabe, nunca tem certeza sobre nada. Quando cheguei aqui, eu encontrei o futebol que gosto e que queria. Cheguei a um clube que facilitou isso para mim. Estavam em primeiro na Championship, ganhando cada jogo e tínhamos um bom time no momento. Então, foi fácil me adaptar e me envolver com os gols. Eu sempre tinha a bola, foi um bom início. Adoro esse tipo de jogo que acontece de área a área”.
A relação com o Leicester
“Eu sabia que era o Leicester que tentava me segurar. Eles queriam me manter. Era justo para eles, queriam continuar com seus melhores jogadores. Foi um pouco duro, mas depois que a janela fechava, eu sempre voltava ao futebol e esquecia de tudo. Sempre dei meu máximo por eles. A transferência só poderia acontecer se eu estivesse jogando bem, o que tentava. É por isso que sempre me mantive confiante”.
O futuro no Manchester City
“É um ótimo time para mim. Estou feliz de chegar ao Manchester City, especialmente pela maneira como se joga aqui. Isso cai bem em mim, é meu tipo de futebol, e obviamente o técnico ajuda, não há dúvidas sobre Pep, não preciso falar sobre ele. Foi a transferência perfeita. Não queria ir para lugar algum além do City. Estou aqui para ajudar a equipe, dar um passo à frente e conquistar mais coisas. Eles jogaram de maneira inacreditável na última temporada. Acho que nunca acontecerá novamente, mas estamos aqui para vencer de novo, e de novo, e de novo. É essa a mentalidade no clube. Eu já ganhei o título e já ganhei o prêmio de melhor da temporada, mas preciso de mais”.



