Premier League

Liverpool e City ofereceram um dos melhores jogos da temporada, com um 2×2 de tirar o fôlego em Anfield

Salah marcou um gol de craque e o Liverpool esteve duas vezes em vantagem, mas o City teve capacidade para se recuperar no jogaço

Quem já esperava um grande jogo em Anfield viu um dos melhores duelos da temporada. Liverpool e Manchester City ofereceram um espetáculo de futebol do mais alto nível, em que o empate por 2 a 2 foi justo pela qualidade apresentada pelas equipes. O primeiro tempo começou com os Reds levemente superiores, mas depois guardou um sufoco imposto pelos Citizens. Alisson foi decisivo para evitar o gol, no que já era um ótimo embate. Na segunda etapa, o Liverpool cresceu e o duelo contou com alternâncias. Mohamed Salah apresentou suas credenciais como craque, com direito a um gol fantástico para deixar os Reds à frente. Contudo, Phil Foden também se destacava do outro lado e participaria de ambos os gols, com Kevin de Bruyne decretando a igualdade. Ainda assim, foi preciso esperar o apito final para, enfim, se respirar diante do empate eletrizante.

O grande jogo garantia também uma atmosfera fantástica em Anfield. E os torcedores renderam uma bela homenagem a Roger Hunt, lenda do Liverpool que faleceu na última semana. Além dos aplausos massivos ao atacante, campeão do mundo em 1966 com a seleção inglesa, os Reds prepararam um belíssimo mosaico para exaltar “Sir Roger”, como era carinhosamente chamado pelos fãs.

Quando a bola rolou, o Liverpool iniciou o duelo com mais presença ofensiva, na tentativa de pressionar o Manchester City no campo de ataque. As triangulações saíam, mas a defesa celeste conseguia se antecipar para evitar o pior. Depois de 15 minutos iniciais sob controle dos Reds, sem grandes oportunidades, o City se apresentou para o jogo depois disso. Passou a dominar o duelo e a levar bem mais perigo no campo ofensivo, sobretudo pelas escapadas de Phil Foden no lado esquerdo.

A grande oportunidade do City surgiu aos 21, quando Bernardo Silva puxou a jogada com maestria e serviu Foden, mas o garoto viu Alisson se agigantar para fazer a defesa. O erro não esfriou os celestes, que conseguiam penetrar na área, mas muitas vezes concluíam as jogadas em ângulos fechados. Os visitantes ainda reclamaram de uma falta no limite da área sobre Foden, que a arbitragem deixou passar aos 30. O Liverpool parecia sobreviver, diante da maneira como os adversários empilhavam chegadas. Kevin de Bruyne assustou num cruzamento que não concluiu da melhor maneira e Gabriel Jesus seria travado em outro lance. Alisson também reapareceu aos 44, frustrando Foden, depois de um lançamento fantástico de Ederson.

O Liverpool precisava mudar para o segundo tempo – se não em peças, pelo menos em atitude. Foi o que aconteceu, com bem mais agressividade dos Reds na retomada. A equipe da casa concluía suas jogadas com mais velocidade e os atacantes apareciam, com Ederson evitando o tento de Diogo Jota. As jogadas do Liverpool fluíam, até que o gol saísse naturalmente aos 14 minutos. Mohamed Salah foi acionado na direita por Fabinho e ligou a quinta marcha, superando Cancelo antes de servir Mané. Com espaço, o senegalês precisou apenas vencer Ederson. Salah quase fez o segundo num chute desviado logo depois.

O Manchester City logo contaria com a entrada de Raheem Sterling e, aos poucos, voltou a encaixar seus ataques. A ameaça rondava o Liverpool, até que o empate saísse com 24 minutos. Foden, enfim, acabou premiado por sua atuação. Gabriel Jesus teve ótima participação, ao receber na direita e limpar a marcação até o centro do campo, abrindo o passe com Foden na esquerda. O inglês de novo tinha pouco ângulo, mas dessa vez tirou do alcance de Alisson e bateu no canto oposto. Os celestes cresciam e Pep Guardiola reclamaria muito de uma falta de James Milner, que poderia ter rendido a expulsão.

Num momento em que o jogo parecia suficientemente indefinido, o Liverpool mostrou como tem recursos individuais. Mohamed Salah marcou, aos 31, um dos gols mais brilhantes de sua carreira. O egípcio girou sobre Cancelo, fintou também Bernardo Silva, que ficou no chão, e ainda fez de bobo Aymeric Laporte, com dois cortes. Uma jogadaça que merecia terminar nas redes, com o chute cruzado no canto de Ederson. A balança voltava a pender aos Reds, com Jürgen Klopp logo tirando também Milner para a entrada de Joe Gómez.

O Manchester City, contudo, não desistiria tão fácil do jogo. E contaria com seu maior talento, Kevin de Bruyne. Aos 36, o meio-campista iniciou a jogada e lançou com muita categoria Foden na esquerda. O inglês passou para trás e, sem que ninguém completasse na área, a sobra ficou com De Bruyne. O belga ainda teve sorte, com o desvio em Joël Matip para tirar de vez Alisson e garantir nova igualdade, com o segundo tento dos Citizens. Não dava nem para piscar diante do campo.

Parecia ser impossível fazer uma aposta em qualquer um dos lados. E o Liverpool teve a bola para o terceiro aos 41, numa falta cruzada na área. Ederson saiu mal e Fabinho apareceu sozinho, com a meta à sua serventia. Rodri salvou de maneira inacreditável, para travar o chute e safar o City. A reta final do jogo seguiu muito corrida, com os Reds um pouco mais pacientes no ataque, mas os Citizens tinham bons avanços em velocidade. Durante os acréscimos, Jesus chegou a ser bloqueado na área e os celestes insistiram no abafa, mas sem o gol que definisse o placar ao seu lado.

O empate em Anfield beneficiou o Chelsea. Os Blues lideram a Premier League, com 16 pontos. O Liverpool chegou aos 15, caindo para a segunda colocação. Já o Manchester City é o terceiro, com 14, à frente pelo saldo de gols num bolo que inclui outros três times com a mesma pontuação – Manchester United, Everton e Brighton. Por todas as emoções do domingo, porém, não é que os dois times reclamem do resultado igual.

Classificação fornecida por SofaScore LiveScore

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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