Premier League

Limitado, Newcastle arranca empate e frustra o West Ham em Londres

Partida dura teve muito empenho defensivo dos Magpies e falta de criatividade dos Hammers

Na abertura da rodada de sábado na Premier League, West Ham e Newcastle se enfrentaram em Londres por um jogo um pouco mais interessante do que o previsto. A partida travada e sem muitas chances no segundo tempo terminou mesmo com um placar de 1 a 1, que foi comemorado pelos visitantes e lamentado pela torcida presente no London Stadium.

As bolhas de sabão subiram na arquibancada do West Ham para o que seria mais uma partida em que os Hammers fariam valer o mando de campo e a superioridade de elenco. É verdade que o Newcastle tem um cofre muito mais imponente do que o dos londrinos, mas a situação de momento revela uma equipe mais pronta, competitiva e versátil do lado de David Moyes, enquanto o recém-chegado Eddie Howe tenta entrosar seu elenco para mantê-lo na elite inglesa.

Nesse contexto, quem já tem algum tempo de casa pode fazer a diferença para o Newcastle. Durante o primeiro tempo, o jogo foi equilibrado e contou com uma belíssima atuação de Joe Willock e do brasileiro Joelinton, que abandonou o posto de referência ofensiva para ajudar na criação e na fase intermediária de jogo no plano de Howe. Em sua missão de sobrevivência, o Newcastle primeiro precisa aprender a incomodar os rivais com a bola, para daí pensar em vencer jogos. Neste sábado, ao menos por 45 minutos, isso funcionou. Depois disso, a equipe sofreu com a falta de criatividade e de um articulador de jogo mais qualificado.

Do lado do West Ham, definitivamente não foi uma boa tarde para Michail Antonio, Saïd Benrahma e Pablo Fornals, que contavam com a responsabilidade de ocupar o campo ofensivo para colocar os Magpies contra a parede. A bola não chegou bem para Antonio e, quando chegava, era prontamente rifada pela atenta defesa alvinegra. Assim sendo, as estratégias se anularam na maioria do tempo.

E quando as propostas se neutralizam, o jogo se resolve no detalhe. Foi esse detalhe que o West Ham lamentou quando Jarrod Bowen meteu uma bola na trave perto dos 20 minutos de jogo. Abrir o placar implicava também um pouco de tranquilidade aos locais, já que o Newcastle não costuma ter a posse e aproveitar dela para fazer gols. Aos 31 minutos, Emil Krafth cometeu um tackle de futebol americano em Antonio, a uma distância de pouco mais de 30 metros do gol de Martin Dubravka. Desesperado, o sueco viu que perderia na velocidade e foi no corpo do atacante hammer para impedir a progressão do lance. O problema é que Aaron Cresswell bateu muito bem a falta, mirou no meio da área e achou a cabeça de Craig Dawson para abrir o placar.

Pouco antes do intervalo, veio a resposta do valente e engessado Newcastle. Em um lançamento para a área, Declan Rice (que esteve abaixo da crítica por hoje) afastou mal de cabeça, a bola espanou para trás e Willock tocou de bico para o gol. Lukasz Fabianski, que também não estava esperando o erro de Rice, não teve tempo de reação e tocou na bola quando ela já havia ultrapassado a linha. Mas foi basicamente isso que o Newcastle fez até o fim da partida.

Howe manteve seu time bastante compacto e na perseguição do time rival, quebrando linhas de passe e sufocando os principais articuladores dos Hammers para dificultar a finalização ao gol. Sem Allan Saint-Maximin, de fato, seria bastante complicado exigir algo deste elenco. Mas Howe não se ajudou: colocou Bruno Guimarães apenas restando cinco minutos para o fim, quando viu que Moyes avançou o time para buscar a vitória. Bizarramente, os Magpies ficaram mais com a bola nesse processo, de forma estéril. Apesar de ter arrematado mais, o Newcastle só testou Fabianski três vezes, incluindo o bico de Willock, mesmo número de chutes do West Ham, que falhou em traduzir suas opções de ataque em chances claras.

Faltaram variações para fazer do jogo um espetáculo mais agradável na segunda etapa. Mas isso é uma notícia ruim apenas para Moyes, já que o West Ham objetiva se intrometer no G4 para ir à Liga dos Campeões. O resultado de hoje, nesse sentido, não foi nada bom para o escocês.

Ao Newcastle, que respira fora da zona de rebaixamento com um pouco de serenidade, somar pontos contra a turma de cima do campeonato e sem correr tantos riscos mostra que a ambição principal da nova gestão poderá ser cumprida antes do desejado: manter o clube no primeiro escalão para poder aumentar o investimento em novos jogadores. Isso certamente ficará mais próximo à medida que Bruno Guimarães tiver mais minutos em campo. Com ele assistindo do banco, a sensação é de um enorme desperdício, por ora. Vamos aguardar as cenas dos próximos capítulos.

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Felipe Portes

Felipe Portes é zagueiro ocasional, cruyffista irremediável e desenhista em Instagram.com/draw.portes

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