Ronaldinho e Kleberson foram dois jogadores importantes na seleção brasileira que conquistou o título da Copa do Mundo de 2002. Enquanto Ronaldinho era uma figura já com europeu atuando pelo PSG e na seleção desde 1999, Kléberson tinha jogado pela primeira vez com a camisa do Brasil no começo de 2002. Os dois acabaram se transferindo um ano depois daquela conquista. Kleberson foi para o Manchester United e esperava ser acompanhado por Ronaldinho, por quem o clube inglês também se interessava. Só que a proposta aceita pelo então jogador do PSG foi a do Barcelona.

“Quando nos falamos agora, eu sempre digo: ‘Você me disse que ia para o United e então foi para a !’. Nós estávamos em uma sala na França com seu irmão e estávamos falando sobre o interesse do United em nós dois”, lembra Kléberson em entrevista. “Ele não disse que com certeza iria, mas eu estava convencido que ele ia, então eu decidi ir para o Manchester United”.

“Quando eu voltei ao Brasil depois da Copa das Confederações, eu comecei a assistir o na TV para ajudar a aprender a língua, mas então o Ronaldinho foi para o Barcelona”, continuou o jogador. No verão europeu de 2003, Ronaldinho trocou o PSG pelo Barcelona por € 32,25 milhões (em valores atualizados, € 42,41 milhões). Kléberson saiu do Athletico Paranaense para o Manchester United por € 8,6 milhões (€ 11,31 milhões em valores atualizados).

O desafio de ir para o United

Naquela janela de transferências que Kléberson chegou, foi também quando saíram David Beckham, ídolo do clube que foi para o Real , e Juan Sebastián Verón, um grande jogador na época, mas que não engrenou com a camisa dos Red Devils. Chegaram, além de Kléberson, Cristiano Ronaldo, o atacante Louis Saha e o goleiro Tim Howard – este último deixaria o clube três anos depois para o Everton, onde seria ídolo.

“Eu joguei minha primeira final de Copa do Mundo quando eu tinha 23 anos e eu não senti nenhuma pressão em campo”, afirmou Kleberson. “Eu estive em vestiários com Ronaldo, Ronaldinho, Cafu e Roberto Carlos. Eles me fizeram me sentir como se estivesse em família, então eu sempre fui muito positivo e confiante”.

“Mas não há dúvidas que ir para o United naquele período era um grande desafio para mim. Eu não senti a pressão de ser o primeiro brasileiro a jogar pelo clube, mas havia um entusiasmo de todos porque nós tínhamos ganhado a Copa do Mundo um ano antes”, contou Kleberson. “Também foi difícil chegar lá depois de um grande nome como Verón. Eu o assisti muito e ele era muito talentoso. Roy Keane também, ele era um grande nome no United”.

Relacionamento com Roy Keane

Roy Keane era um jogador muito enérgico, capitão do time do United e ídolo do clube. Segundo colegas de time do clube naquela época, o irlandês gritava muito com Kleberson nos treinamentos. “Ele definitivamente podia explodir algumas vezes. “Mas foi sempre pelo bem dos companheiros e do time. Às vezes ele gritava comigo, mas naquela época eu não sabia muito de inglês e eu apenas dizia a mim mesmo que ele estava dizendo algo bom e continuava”, brincou o brasileiro.

“Todo mundo conhece sua personalidade, mas quando eu estava lá, eu não tive nenhum momento de dificuldade com ele. Ele me ajudou muito. Ele tentava me fazer ficar mais envolvido no jogo e ele me ensinou muito sobre como chegar mais próximo dos oponentes”, explicou Kleberson. “Todo mundo acha que conhece Keane e sua personalidade, mas aqueles próximos dele sabem que ele é um legal e ele realmente tentou me ajudar”.

O início com Ferguson

Kleberson contou sobre o relacionamento com outra pessoa que é conhecida por ser difícil de lidar, , um dos maiores técnicos de todos os tempos. Segundo o brasileiro, o treinador escocês o ajudou muito na sua adaptação no início, mostrando muita boa vontade.

“Nossa primeira conversa foi muito difícil, já que eu só falava português quando eu cheguei”, afirmou Kleberson. “Mas ele sempre tentou me ensinar novas palavras. Especialmente no começo ele queria aprender algo em português e ele estava tentando me ensinar inglês”.

“Ele vinha para mim no vestiário e me dizia algo simples como os dias da semana. Nós tínhamos um relacionamento muito bom. Mesmo que ele não me escalasse muito, ele me deu muitas oportunidades para me envolver com o time”, contou ainda Kleberson.

O rótulo de fracasso

Kleberson teve problemas com lesões no Manchester United nos seus dois anos por lá. Ele deslocou o ombro no seu segundo jogo pelo clube, o que o tirou por um longo tempo da equipe, voltando apenas em novembro. Ele teve problemas para se adaptar ao ritmo e estilo da Premier League. Acabou se tornando um reserva pouco utilizado.

Depois de dois anos, se transferiu para o Besiktas em 2005, deixando para trás aquela expectativa com que chegou. Por isso, o brasileiro foi rotulado como um dos maiores fracassos da história do clube. Algo que ele considera injusto. “Sim, eu acho que é [injusto]. Todo mundo sabe o quanto é difícil se mudar para um país com um estilo de jogo diferente. Eu tive muitas lesões e levou muito tempo até voltar a jogar no mais alto nível”, continuou.

“Eu não estava sendo escalado por causa do modo como as lesões me afetaram, não porque eu não era bom o bastante. Eu tentei treinar mais duro para voltar ao time e jogaria com o segundo time (sub-23) para melhorar minha forma física. Mas eles tinham muitos bons jogadores naquela época e não foi fácil conseguir espaço”, analisou o ex-meio-campista.

Sonho de voltar à Premier League como técnico

Kleberson afirmou que apesar de todos os problemas, não se arrepende do seu tempo no Manchester United e que aprendeu lições com o técnico Alex Ferguson que ele leva para a sua própria carreira como treinador. Também diz que leva muita coisa do técnico que comandou o título do Brasil em 2002, . E sonha em voltar à Premier League, agora como treinador.

“Eu não posso dizer que não foi uma transição difícil para técnico, mas foi divertido”, explica o treinador. “Eu tive uma grande experiência, o que significa que eu posso compartilhar muitas coisas boas com os rapazes e isso é muito bom”, continuou.

“Meu objetivo é voltar à Premier League como técnico. Eu não posso dizer que minha experiência lá não foi boa. Foi duro, mas eu aprendi muito e eu sei que se eu tivesse a oportunidade de voltar, as coisas seriam completamente diferentes”, analisou o antigo jogador de Athletico Paranaense, Manchester United, Besiktas, Flamengo e Bahia, Philadelphia Union, Indy Eleven e Fort Lauderdale.