Kasper Schmeichel: “O espírito do Leicester campeão foi construído desde a Championship”
Kasper Schmeichel tem seu lugar reservado na história da Premier League e, obviamente, também do Leicester City. O goleiro foi um dos principais destaques na inesquecível conquista do título em 2015/16 e se mantém como uma grande liderança das Raposas, inclusive com sua relação bastante próxima com todos no Estádio King Power. E, em tempos de quarentena, o dinamarquês aproveitou para relembrar algumas histórias marcantes na epopeia do clube rumo ao topo da Inglaterra.
Schmeichel conversou com Peter Crouch, no podcast comandado pelo ex-centroavante na BBC Radio. Entre os assuntos abordados, o goleiro falou sobre a importância da célebre derrota sofrida para o Watford nos playoffs da Championship em 2013, quando um pênalti perdido pelo Leicester permitiu o contra-ataque dos Hornets e o gol de Troy Deeney que selou a eliminação dentro de Vicarage Road. Na temporada seguinte, as Raposas voltariam para conquistar o título da segundona com uma campanha arrasadora.
O dinamarquês também relembrou a festa à fantasia em Copenhague que comemorou o Natal do clube em 2015, um dos mais importantes momentos de união do elenco antes da arrancada à taça. Ele organizou a confraternização e se divertiu com os companheiros saindo fantasiados pelas ruas de seu país. Por fim, Schmeichel reconstruiu suas sensações na noite de Tottenham 2×2 Chelsea, resultado que confirmou o título do Leicester na Premier League 2015/16. Abaixo, a transcrição dos trechos:
A influência da derrota para o Watford sobre o elenco
“O espírito que foi construído no clube começou a partir da Championship, com Nigel Pearson. Nós treinávamos muito duro em campo, mas fora dele conseguíamos rir. Ter essa camaradagem é ótimo e muitos de nós jogamos juntos por um longo tempo. Isso nos ajudou a sermos bons amigos também fora de campo”.
“Não há dúvidas que o jogo contra o Watford foi horrível de muitas maneiras. Eu nunca o assisti de novo. Como o Watford estava reformando seu estádio, o túnel ficava ainda atrás do gol em que eles atacaram no fim. Quando a invasão de campo aconteceu, metade de nosso time estava preso do outro lado do campo, enquanto metade conseguiu correr aos vestiários”
“Demorou mais de uma hora até que todo mundo se reunisse. Ficamos tanto tempo no vestiário que não conversamos adequadamente depois do jogo, porque parte da equipe ficou lá fora. Então, não nos vimos até o primeiro dia da pré-temporada seguinte, mas todo mundo estava em uma forma excelente. As pessoas passaram o verão treinando. A derrota machucou e a mentalidade era de que arrebentaríamos na liga seguinte, o que fizemos”
A conquista da Premier League sem entrar em campo
“Durante toda a campanha, eu não assisti a nenhum jogo do Tottenham, então fui com minha esposa e meus filhos jantar no dia da partida contra o Chelsea [que poderia decidir a taça]. Tentei não ver. Eu estava todo atabalhoado no restaurante, minha mulher achava hilário. Foi horrível, então acabamos indo para casa com meia hora faltando para o fim da partida. Levei as crianças para cama e, quando minha esposa veio me dar boa noite, disse que o Tottenham estava vencendo por 2 a 0. Então, pensei em assistir”.
“Fui para sala e Gary Cahill marcou, então disse para mim mesmo manter a calma. Depois, Hazard empatou, mas os últimos minutos foram uma tortura. Ao final, com o empate, foi uma mistura de orgulho, alegria e puro êxtase. Não consigo descrever. Comemorei com minha família, com quem eu queria estar, porque atravessaram comigo toda a jornada. Vários rapazes estavam na casa de Vardy, então depois fui para lá e começamos a comemoração”.
“Para a cidade de Leicester, o título foi algo incrível. Queríamos ver o que estava acontecendo nas ruas, então nos dirigimos rumo ao centro da cidade. Quatro ou cinco dias depois, Vardy colocou algumas fotos em nosso grupo perguntando de quem eram os carros estacionados em sua casa, porque ninguém tinha voltado para buscá-los”
A festa de Natal em Copenhague
“Fui um dos primeiros a chegar, então vi todos descendo as escadas do aeroporto com suas fantasias. Havia pessoas saindo do elevador vestidas de Pacman – no caso, Wes Morgan. Foi brilhante, porque a fantasia era tão grande que dava para carregar cerveja dentro dela. Danny Drinkwater, Ben Hammer, Matty King e Andy King estavam vestidos de Tartarugas Ninja e eu era o Senhor Incrível”.
“O hotel não era muito longe da praça mais movimentada de Copenhague. Nós paramos lá para tomar uma bebida e depois fomos ao Tivoli Gardens, que é o parque temático mais antigo do mundo e marca o centro da cidade. Mas todo mundo pensou que nós fazíamos parte das atrações, então as crianças nos paravam e queriam fotos com as Tartarugas Ninja”.
“Como Copenhague é uma cidade pequena, se algo do tipo acontece, os jornais descobrirão rapidamente. Então, tivemos ótimas fotos. Há uma de Robert Huth vestido como o melhor Batman de todos os tempos. Sentamos para o jantar e Huthy estava procurando os crimes que ele iria resolver. Se fizéssemos algo, era para fazer direito”.



