Premier League

Guia da Premier League 2020/21 – Newcastle: A realidade contra-ataca

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Cidade: Newcastle
Estádio: St. James Park (52.490 pessoas)
Técnico: Steve Bruce
Posição em 2019/20: 13º
 Projeção: Brigar contra o rebaixamento
Principais contratações: Callum WIlson (Bournemouth), Ryan Fraser (Bournemouth), Jeff Hendrick (Burnley), Jamal Lewis (Norwich), Mark Gillesple (Motherwell-ESC)
Principais saídas: Jake Turner (Morecambe), Jack Colback (Nottingham Forest), Freddie Woodman (Swansea)

A abordagem adotada para o Newcastle no guia da temporada passada foi “de volta à realidade”. Por uma série de atritos com o dono Mike Ashley, Rafa Benítez havia ido embora e sido trocado por Steve Bruce. Os resultados não sofreram. Bruce, no fim, ficou na mesma 13ª posição da campanha anterior, com um ponto a menos. Um treinador do calibre de Benítez, campeão europeu, ex-Liverpool, Chelsea, Internazionale e Real Madrid, porém, significava esperança. Alguém grande o bastante para forçar Ashley a abrir os cofres ou levar um time mediano além das suas possibilidades. Bruce representa a dura realidade. Especialista em acessos e meios de tabela. Do tamanho que o Newcastle tem agora. A torcida, porém, quer que o Newcastle tenha um tamanho maior e, sinceramente, eu sinto muito por ela.

Porque menos de um ano depois de levar um choque de realidade levou outro. E um muito maior. Durante meses, aguardou a oficialização da venda do clube a um consórcio saudita, o que levantou importantes questões éticas e morais, mas a torcida parecia disposta a topar qualquer coisa para se livrar de Ashley. Nesse intervalo, inflamada também pelo tédio da quarentena, sonhou com reforços do calibre de Arturo Vidal ou Jéröme Boateng, treinadores como Massimiliano Allegri e viusites colocando as listras brancas e pretas em Kylian Mbappé. Esperava se tornar o novo Chelsea, ou o novo Manchester City, mas, depois de o negócio ser cancelado, terá que se contentar em ser o bom e velho Newcastle.

O novo golpe à alma da torcida dos Magpies parece ter tocado até o coração de pedra de Mike Ashley. Ou foi a derrota por 5 a 1 para o Middlesbrough em um amistoso de pré-temporada que o levou a sancionar o que para os padrões do Newcastle é aquele dia na livraria com todos os vale-presentes que você ganhou no Natal. O problema é que é difícil ficar empolgado com reforços como Callum Wilson, Ryan Fraser e Jamal Lewis depois de sonhar (delirar) com Mbappé. Quando a frustração passar, porém, eles perceberão que ganharam ótimos reforços dentro do que o Newcastle pode adquirir.

Durante os cinco anos em que o Bournemouth esteve na Premier League, Wilson e Fraser  foram a força motriz de um ataque bem competente para um time com seus recursos. Wilson tem média de um gol a cada três partidas na elite inglesa, melhor que a de Salomón Rondón (um a cada quatro), cuja saída foi um dos pontos de ruptura entre Benítez e Ashley porque era capaz de realizar bem a função de homem-de-um-ataque-só. Por curiosidade, e um pouco de diversão, a regularidade de Wilson também é melhor que a de Andy Carroll, com um gol por temporada nos últimos três anos, e Joelinton, com um a cada 19 rodadas.

O brasileiro foi contratado para o lugar de Rondón, mas, como era previsível, tem outras características. Movimenta-se e corre mais do que briga com os zagueiros. Tem qualidade, brincadeiras à parte, e pode melhorar se atuar com Wilson, que seis meses atrás era especulado no Chelsea por £ 50 milhões. Ryan Fraser não custou nada e chegou a estar ligado ao Arsenal. Tem 26 assistências, 16 gols e 41 grandes chances criadas em 120 partidas pela Premier League. Gosta bastante de cruzar. Com Miguel Almirón e Allan Saint-Maximin, a dupla formará um quarteto ofensivo bem razoável para tentar ficar na parte de cima da tabela e escapar confortavelmente do rebaixamento.

O Newcastle também contratou um jogador que estava de olho em uma transferência para Milão. Não foi Arturo Vidal, próximo da Inter, mas Jeff Hendrick, que ficou sem contrato com o Burnley e estava especulado no Milan. Um meia irlandês de 28 anos que vinha sendo deslocado ao lado direito do ataque por Sean Dyche e reforça um setor bem abastecido por Jonjo Shelvey, Isaac Hayden e os irmãos Longstaff. A defesa tem três zagueiros de certo nível – Federico Fernández, Fabian Schär e Jamaal Lascelles – e, depois de tentar Jetro Willems e Danny Rose por empréstimo, deve ter um lateral esquerdo firme por alguns anos.

Jamal Lewis era o primeiro nome da lista do Liverpool para ser o escudeiro de Andrew Robertson. Sem acordo com o Norwich, os Reds contrataram Konstantinos Tsimikas, do Olympiacos. O Newcastle acabou intervindo e levou, por um bom valor, em torno de € 16 milhões, um potencial grande talento. Ele pode atuar tanto como ala com mais liberdade para atacar ou na linha de quatro, que Bruce começou a implementar antes da paralisação e estava dando resultados, com seis jogos de invencibilidade. Tentou se afastar um pouco do rígido 3-4-3 inserido por Benítez. Tentou jogar com um pouco mais de posse de bola.

Coitado de Bruce. Chegou ao emprego dos seus sonhos, como torcedor do Newcastle que é, e faz um bom trabalho, acima das expectativas, mas está naquela situação cruel em que sabe que parte da torcida meramente se conforma com ele, enquanto sonha com nomes mais badalados, e a outra parte nunca o aceitará, independente do que faça. Não é uma posição invejável. Mas é a realidade. A realidade é brutal com o Newcastle.

 

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Bruno Bonsanti

Como todo aluno da Cásper Líbero que se preze, passou por Rádio Gazeta, Gazeta Esportiva e Portal Terra antes de aterrissar no site que sempre gostou de ler (acredite, ele está falando da Trivela). Acredita que o futebol tem uma capacidade única de causar alegria e tristeza nas mesmas proporções, o que sempre sentiu na pele com os times para os quais torce.

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