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Guia da Premier League 2020/21 – Leicester: O médico e o monstro

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Cidade: Leicester
Estádio: King Power Stadium (32.273 pessoas)
Técnico: Brendan Rodgers
Posição em 2019/20: 
Projeção: Brigar por Liga Europa
Principais contratações: Timothy Castagne (Atalanta-ITA)
Principais saídas: Ben Chilwell (Chelsea), George Thomas (QPR), Bartosz Kapustka (Légia Varsóvia-POL)

O Leicester foi apenas o segundo clube dos últimos cinco anos a quebrar o chamado “top six”, chegou a uma semifinal de Copa da Liga Inglesa, igualou a maior goleada da história da Premier League e, com um quinto lugar, disputará a Liga Europa na próxima temporada. Há muitos motivos para comemorar e, ao mesmo tempo, as Raposas chegam para a primeira rodada da Premier League precisando lamber as feridas de uma profunda decepção.

A verdade dessa afirmação ao mesmo tempo denota o quão longe chegou o clube que protagonizou a zebra do século ao ser campeão inglês e também o quão desastrosa foi a segunda parte da sua temporada, em contraste com a primeira. Ganhou 14 das primeiras 16 partidas da Premier League e chegou a passar dez rodadas seguidas na segunda posição. Ao golear o Aston Villa, em 8 de dezembro, tinha 14 pontos de vantagem para o quinto colocado.

Perder do Manchester City e do Liverpool em sequência foi normal, mas o problema começou mesmo quando foi derrotado em casa, pelo Southampton, vingança pelo 9 a 0 do final de outubro. Era a 22ª rodada, e o time de Brendan Rodgers venceria apenas mais seis vezes até o fim. Deixou escapar a vaga na Champions League no último fim de semana, ao perder para o Manchester United. Deixou escapar também a chance de disputar uma final em Wembley ao ser eliminado pelo Aston Villa.

Em sua melhor forma, o Leicester foi um time impressionante. Sabe brincar de todos os jeitos: quando tem a bola e quando pode lançar Jamie Vardy, que terminou a Premier League como artilheiro, aos 33 anos, e ganhou uma renovação de contrato até 2023. Foi o time que mais desarmou na temporada, com média de 19,5 por partida, o que é bastante relevante considerando que os clubes mais próximos nessa tabela foram Southampton, West Ham, Crystal Palace, Everton, Tottenham, Watford e Wolverhampton, todos, com exceção dos Spurs, com média inferior a 50% de posse. A do Leicester foi de 55,1%, a quarta maior da Premier League, o que significa que o time é competente em recuperar a bola assim que a perde.

Mas essa pressão custa ao físico e um dos motivos da queda brusca de rendimento foram as lesões de jogadores-chave, como James Maddison, Ricardo Pereira e Ben Chilwell. Especialmente nos jogos pós-paralisação. Quando Söyüncü foi suspenso por ter sido expulso contra o Bournemouth, Rodgers foi obrigado a disputar as últimas três partidas com apenas Jonny Evans entre seus defensores titulares. Os garotos James Justin e Luke Thomas deram bons sinais como reservas nas laterais, mas também mostraram que ainda não estão preparados. Wilfried Ndidi perdeu cinco jogos por problemas físicos entre janeiro e fevereiro, e o Leicester não venceu nenhum deles.

Ficou claro o quanto o Leicester perdeu rendimento quando ficou sem alguns dos seus jogadores mais importantes, ainda mais quando ficou sem três deles, o que causaria danos a qualquer equipe. A falta de profundidade do elenco pode ser ilustrada pelo fato de que apenas os 11 titulares disputaram mais de 2.000 minutos na Premier League. Em seguida, apenas Dennis Praet e Justin passaram dos 1.000. Rodgers não muda quando não precisa e, quando precisou, não tinha muito ao que recorrer.

A solução mais rápida é por meio do mercado, recrutar algumas peças que possam dar mais opções ao norte-irlandês. Timothy Castagne, único reforço até agora, seria ideal porque consegue cobrir as duas laterais, mas apenas repõe a venda de Chilwell ao Chelsea. Precisa de reservas mais estabelecidos nas alas e pelo menos um zagueiro melhor para aliviar o fardo sobre Söyüncü e Evans. Wesley Fofana, do Saint-Étienne, e James Tarkowski, do Burnley, são os mais especulados no momento.

O resto do time está muito bem encaixado. Ricardo Pereira tem se mostrado um dos melhores laterais da Premier League e o meio-campo se complementa com Ndidi na contenção, Tielemans com passes bem apurados e a criatividade e chutes de longa distância de James Maddison. Harvey Barnes deu um passo à frente para virar um competente ponta para a elite inglesa, mas Ayoze Pérez ficou devendo no outro lado. Aqui cabe um jogador melhor também. Seria interessante, mas não obrigatório, contratar um centroavante superior a Iheanacho para Rodgers ficar mais confortável a dar descanso a Jamie Vardy.

Tudo dependerá de quanto dinheiro terá para gastar. As vendas de Chilwell e Harry Maguire ainda não foram completamente reinvestidas. E foi apenas a primeira temporada completa de Rodgers à frente do Leicester. Seu time ainda é muito jovem, suscetível a oscilações. Qualquer um no King Power Stadium teria assinado um quinto lugar antes da temporada começar, apesar de haver motivos concretos para a frustração do momento. O que todos ali precisam fazer é tentar focar nos momentos em que foi um dos melhores times da Inglaterra, e não nos outros.

 

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Bruno Bonsanti

Como todo aluno da Cásper Líbero que se preze, passou por Rádio Gazeta, Gazeta Esportiva e Portal Terra antes de aterrissar no site que sempre gostou de ler (acredite, ele está falando da Trivela). Acredita que o futebol tem uma capacidade única de causar alegria e tristeza nas mesmas proporções, o que sempre sentiu na pele com os times para os quais torce.

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