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Guia da Premier League 2020/21 – Everton: Será um sonho?

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Cidade: Liverpool
Estádio: Goodison Park (39.595 pessoas)
Técnico: Carlo Ancelotti
Posição em 2019/20: 12º
Projeção: Brigar por Liga Europa
Principais contratações: James Rodríguez (Real Madrid-ESP), Allan (Napoli-ITA), Abdoulaye Doucouré (Watford), Niels Nkounkou (Olympique Marseille-FRA)
Principais saídas: Morgan Schneiderlin (Nice-FRA), Maarten Stekelenburg (Ajax-HOL), Kieran Dowell (Norwich), Oumar Niasse (sem clube), Luke Garbutt (sem clube), Cuco Martina (sem clube), Leighton Baines (aposentado)

Imagine o susto de um torcedor do Everton que pegou no sono ali entre 2014 e 2015 e acabou de acordar. Foi dar uma checada no status do seu clube e viu que ele está sendo comandado por Carlo Ancelotti, com James Rodríguez e Allan no meio-campo. Será um sonho? Alex Iwobi é o beliscão que prova que, não, não é um sonho, o Everton realmente entrará na temporada com um tricampeão europeu no banco de reservas e um meio-campo que, com Doucouré, deve pouco aos melhores do país.

O torcedor do Everton, ainda o quarto maior campeão da Inglaterra, aprendeu o significado de austeridade com David Moyes, lembrou o que era sonhar quando Farhad Moshiri começou a injetar dinheiro e, então, descobriu a frustração. O dinheiro que durante tanto tempo não teve começou a ser gasto em Iwobis e Walcotts. Não são jogadores ruins, podem até ser úteis ou competentes em certos contextos, mas não são suficientes para o salto de patamar que está no topo do pau de sebo do atual projeto do clube de Liverpool.

Ancelotti não conseguirá reformar todos os buracos do elenco do Everton de uma vez só, ainda mais na atual conjuntura econômica do futebol europeu, mas começou muito bem. O meio-campo foi o setor mais problemático da última temporada. A saída de Idrissa Gueye deixou um vácuo que deveria ser ocupado por Jean-Philippe Gbamin que, machucado, atuou apenas 135 minutos. André Gomes também sofreu com problemas físicos. A única constante do setor foi Tom Davies, bem talentoso, mas, aos 21 anos, ainda um garoto.

Agora, Ancelotti tem à disposição três meias de alto nível. Identificou que faltava energia ao seu meio-campo e pode contar que Doucouré correrá sem parar. Foi um dos que mais cobriu distância na última Premier League, aquele jogador que se movimenta de uma área à outra sem parar e tem atributos defensivos e ofensivos. Allan outro dia estava especulado no Paris Saint-Germain e foi um dos pilares do Napoli de Sarri e do próprio Ancelotti. Aos 29 anos, ainda tem muita lenha a queimar. James Rodríguez é um dos jogadores mais talentosos que andam por aí e teve sua melhor temporada no Real Madrid com o italiano. Foi bem também no Bayern de Munique, embora não o bastante para convencer os bávaros a contratá-lo em definitivo.

Embora mais próximos dos 30 anos, não parecem aqueles refugos famosos que os clubes de meio de tabela da Premier League frequentemente contratam com salários altos demais para tentar subir de patamar – segundo alô ao West Ham.  São reforços realmente interessantes, dois deles claramente atraídos pela perspectiva de trabalhar novamente com Ancelotti. Os três juntos custaram pouco mais do que Gylfi Sigurdsson que, com Gomes, Davies, Delph e Gbamin passam de um meio-campo mediano a peças interessantes de rotação para dar profundidade ao elenco.

Richarlison é a grande estrela do ataque, após mais uma vez fazer 13 gols. Dominic Calvert-Lewin chegou à mesma quantidade, e floresceu com Ancelotti. Seriam bons números se o resto do setor contribuísse um pouco mais. Moise Kean, revelação da Juventus, foi uma aposta interessante, mas começou jogando apenas seis vezes, somou 834 minutos no total da Premier League e marcou apenas duas vezes. Bernard, Walcott e Iwobi, juntos, anotaram seis tentos. Os três meias contratados têm um bom faro de artilheiros para suprir um pouco dessa escassez, mas pelo menos mais um atacante de alto nível seria um bom acréscimo ao elenco do Everton.

E também um zagueiro. Fikayo Tomori parece próximo de ser emprestado pelo Chelsea, mas, ainda muito jovem, não parece uma grande melhora em relação ao que já há no Goodison Park para acompanhar Michael Keane. Oferece mais uma opção pelo menos porque apenas Keane, Yerri Mina e Mason Holgate atuaram mais regularmente na zaga na última temporada. Sidibé teve o empréstimo renovado e briga pela lateral direita com Coleman. Lucas Digne é o dono da outra ala, ainda mais com a aposentadoria de Leighton Baines.

Mais do que os nomes, o Everton precisa de mais atitude. O torcedor até teme as grandes vitórias porque sabe que na sequência virão alguns vexames. Não é à toa que passou quase três anos sem conseguir uma virada na Premier League e não ganhou três jogos seguidos na última temporada. Essa instabilidade impediu que a arrancada inicial do trabalho de Ancelotti resultasse em vaga em competições europeias, em uma edição da Premier League em que o meio da tabela também oscilou demais.

Contando os jogos com Duncan Ferguson como interino, o Everton perdeu apenas uma vez em 13 jogos entre dezembro e fevereiro, mas, na hora em que chegaram confrontos diretos, somou apenas dois pontos contra Arsenal, Chelsea, Manchester United e Liverpool.

Retornou da paralisação empatando o dérbi e emendou vitórias contra Norwich e Leicester antes de entrar em uma nova sequência ruim. Após a derrota para o Wolverhampton, Ancelotti enviou uma mensagem aos jogadores por meio do site oficial do clube pedindo mais luta e personalidade, e o resultado foi um jogo fraco contra o Aston Villa em que arrancou o empate apenas nos minutos finais. Ganhou apenas uma vez nas últimas seis rodadas.

Allan e James Rodríguez, que atuaram no mais alto nível, podem ajudar a injetar um pouco de mentalidade vencedora no elenco. Obviamente, o treinador também. Ancelotti é até mais conhecido pela gestão de vestiário do que pela primazia tática e há um certo ar de agora ou nunca. O elenco ainda desequilibrado inviabiliza pirotecnias já na próxima temporada, mas a expectativa é grande por melhoras visíveis e mais regularidade.

Porque se nem um treinador desse calibre conseguir dar jeito no Everton, o torcedor descobrirá também que perder a esperança é mais doloroso do que nunca a ter.

 

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Bruno Bonsanti

Como todo aluno da Cásper Líbero que se preze, passou por Rádio Gazeta, Gazeta Esportiva e Portal Terra antes de aterrissar no site que sempre gostou de ler (acredite, ele está falando da Trivela). Acredita que o futebol tem uma capacidade única de causar alegria e tristeza nas mesmas proporções, o que sempre sentiu na pele com os times para os quais torce.

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